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20 de agosto de 2011

AS FESTAS DO SENHOR JESUS DOS NAVEGANTES

VÊEM AÍ AS FESTAS!!!




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



6 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 08

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Outras provas se desenrolavam com especial agrado na Avenida Marquês de Pombal com relevo para o atletismo, o salto em comprimento e em altura, lançamento do peso, corrida de 100 metros, bem como em redor do jardim, que na altura era oval visto não existir ainda a Avenida Marginal, que só foi inaugurada em 1940.

Alguns atletas de nomeada se deslocaram a Paço de Arcos, como o Dr. Salazar Correia, campeão de 100 metros e Gentil dos Santos, representante do C.l.F., no salto em altura, que competiram, por volta de 1926, com atletas da nossa terra: os Cabritas, Joaquim Fiúza e Manuel Nogueira, no salto em altura; tendo este último sido também um óptimo representante no peso, salto em comprimento e em velocidade, destacando-se nesta modalidade, igualmente, o nosso Mário Alexandre.




Mas as competições não se ficavam por aqui, pois, por exemplo em 1925, da muralha pombalina da praia se disputavam saltos artísticos para a água com a seguinte classificação:

1.° José Ribeiro; 2.° José Teixeira; 3.° Fernando Rosado (China); 4° Artur Braga; 5.° Vital Matias; 6.° José Duarte; 7 ° António Almeida; 8.° Joaquim Casquinha, e José Machado Passos (Ne) venceu a Taça da Milha ao chegar em primeiro na prova Caxias-Paço de Arcos.

Mais tarde, nesta mesma prova, distinguiram-se os consagrados campeões Mário Simas e Madeira, do Algés e Dafundo, e os nossos Jovita, José Machado Passos (Ne), Morales de los Rios, etc, etc., também se disputando provas Cais-a-Cais da muralha pombalina aos Socorros a Náufragos, provas que já voltaram novamente a realizar-se.

As regatas à vela também eram uma constante ao longo dos vários anos, mantendo-se ainda até hoje com as "Jornadas Náuticas" - Patrão Lopes", bem como as gincanas disputadas na parte central do Jardim ou no rinque do mesmo, em que avultavam as corridas de sacos, corridas a tres-pés, corridas de colher com ovo, ou as corridas-negativas de bicicleta, em que o desportista, sem pousar os pés no chão, ganharia quanto mais tempo levasse a fazer o seu percurso. Todos estarão bem lembrados das provas em que a bicicleta ficava minutos sem arredar do sítio em que estava!

Mas as festas recreativas não eram só isto, havia também espírito inventivo.




Repare-se no mini-comboio que fez as delícias da rapaziada no centro da Avenida. Trouxe-o o Arquitecto Melo Raposo.

No jogo proporcionado aos "concorrentes pescadores", no lago existente na altura ao lado do coreto, aqueles pescavam com um anzol munido de íman o(s) peixe(s) de plástico de argola na boca. Lembra-se que esta foi uma iniciativa do Comandante dos Bombeiros Carlos Ramos.

Mas não era só: ainda se recordam da "barraca dos cavalinhos", que, funcionando numa mesa circular, movia os "bichos", com uma manivela e era ver qual o primeiro cavalo a chegar? O "assistente" era o João Roque Trindade - o pai dos José e João Trindade. Havia grande participação da população - todos eram pelas suas festas.

E havia o stand do Comércio que reunia os concorrentes locais - um cada noite e no final das rifas, no último dia, a junção de esforços de todos que saltavam para o balcão procedendo a disputadíssimo leilão. E as receitas? As receitas eram para as Festas - pois "para o ano há mais, não é verdade?"




Uma última palavra para a Sociedade de Instrução Musical de Paço de Arcos (SIMPA) que, com a sua banda, abrilhantava as tardes de domingo e algumas das noites, possuindo igualmente a sua barraca. Igualmente uma palavra para a barraca das Osgas. Era uma "tasquinha" dinamizada pelo Inspector de Incêndios José de Oliveira Raposo, que a desenhou, e executada pelo nosso querido amigo José Duarte. Como vimos, os objectivos de solidariedade que, através dos tempos, animavam os mordomos da festa - primeiro com os bodos a pobres e, até em 1958, os lucros com o propósito de se construir um bairro económico para carenciados da Freguesia!




Deste longo dobrar de olhos pelo antigamente, vistoriando o passado, fica-nos, por entre um arsenal de emoções de buscas e achados de colaborações e entendimentos de fontes e riachos fica-nos dizia uma esperança não desempregada, uma certeza na continuidade das tradições desta bela terra, tradições que esta gente ímpar não deixará jamais morrer com a consciência arreigada de que cada um de nós é uma parte essencial na construção do seu futuro.

Um futuro umbilicalmente ligado às memórias do passado, que, em ondas de choque, ou dormentemente, se repercutem no presente e fluirão, com a força que lhes emprestarmos através de uma cidadania generosa e coerente, num porvir baseado no querer de tantas gerações -, que deram o seu melhor a estas terras!







Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


5 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 07

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Por Vontade do Povo


A procissão do Senhor Jesus dos Navegantes voltou a desfilar nas ruas de Paço de Arcos

"os devotos exigiram afastamento do pároco da freguesia".


Devido a divergências surgidas entre o prior de Paço de Arcos e os paroquianos daquela freguesia, a saída da Procissão do Senhor Jesus dos Navegantes, que tradicionalmente se realiza no dia 25 de Agosto, integrada no programa dos festejos locais, esteve, este ano, seriamente comprometida.

Manifestando o seu desagrado pelo facto de o povo não ter conparecido ás reuniões para que fora convocado e devido á ausência das 50 pessoas encarregadas de organizar a procissão, o Prior de Paço de Arcos, Rev. Cândido Poli, da Ordem dos Missionários Comboníanos, recusara-se a efectuar a cerimónia.




Nem mesmo um grupo de homens e mulheres que, posteriormente, se apresentou na igreja, com o propósito de colaborar, o levou a desistir da decisão tomada. Em tais circunstancias, o litígio continuou, a partir daí, com maiores e mais graves consequências. Nas ruas, ás mesas dos cafés e á porta dos estabelecimentos, o caso passou, nos últimos dias, a ser objecto dos mais vivos protestos.

Contudo, a procissão do Senhor Jesus dos Navegantes saiu ontem para a rua, por vontade de milhares de pessoas que, vindas de todas as freguesias mais próximas, souberam cumprir, com o maior civismo, essa tradição secular.

Nem tudo, porém, se tornou fácil para os habitantes de Paço de Arcos. No passado sábado, e uma vez que o prior, não obstante a insistência dos paroquianos, se recusava a autorizar a organização da procissão, muitos populares concentraram-se junto á igreja nova e dali não saíram sem levar a imagem do Senhor Jesus dos Navegantes, que foi, transportada para a antiga capela de Paço de Arcos, onde mui-tos daqueles permaneceram em vigilância durante toda a noite.

Entretanto, algumas comissões para o efeito constituídas, participaram o que se passava ao Patriarcado, ás Forças Armadas e á P.S.P. encontrando por parte dessas entidades o maior apoio para a realização da cerimónia, mesmo sem a presença do pároco.




O povo exigiu o afastamento do pároco local

É o desejo unânime do povo, a despeito de todas as contrarieades transformou-se em ordem. Cerca das 77 h, de ontem, tal como estava previsto, o andor do Senhor Jesus dos Navegantes, seguido da fanfarra de clarins e tambores dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, e de milhares de fiéis, voltou a percorrer, mais uma vez, as ruas da localidade, tanbém apinhadas de gente.

Sem as habituais cerimónias, mas revelando bem a devoção de todos quantos nela se incorporaram, a procissão do Senhor Jesus dos Navegantes constituiu, sem duvida, uma das mais espontâneas manifestações de fé dos últimos anos.

Percorridas as principais artérias da vila, a imagem recolheu á velha capela, onde ficou exposta até ao fim do dia. Antes, porém, a multidão, saudando calorosamente os elementos dos bombeiros voluntários e as forças da PS.P, que mantiveram a ordem durante todo o percurso, exigiu o afastamento do padre Cândido Poli bem como a sua imediata substituição.

Esta exigência, aliás, foi ainda manifestada com maior insistência quando o paroquiano Amilcar de Oliveira Tavares, responsável pela orientação do cortejo, afirmou que "a procissão, especialmente este ano, teria sido digna da presidência de um cardeal, mas nunca de um padre tão prepotente, como o é o da freguesia de Paço de Arcos".




As festividades prosseguem até final da semana

As tradicionais festividades em honra do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço de Arcos, prolongam-se até ao final da semana, com diversas manifestações de carácter recreativo, cultural e desportivo. Entretanto, no Jardim Público, na Avenida Marquês de Pombal, prossegue, com grande animação, o arraial popular, que inclui, além de outros atractivos e divertimentos, esplanadas e restaurante.

Além das touradas, que já relatámos, eram sempre muito acarinhadas as cavalhadas, que se disputavam na parte central da Avenida Marquês de Pombal, e uma outra vez junto ao rio num espectáculo de beleza e entusiasmo e que vieram, infelizmente, a deixar de se disputar a partir de 1971, tendo apenas mais uma presença esporádica nos terrenos da Escola Náutica.

As cavalhadas vêem as suas raízes nos torneios disputados na Idade Média, servindo outrora de exercício militar no intervalo das guerras, bem como da prática galante em voga nas Cortes.

Reservadas em tempos remotos apenas aos cavaleiros e escudeiros, consistiam numa sequência de jogos a cavalo com canas e argolinhas, ou com armas verdadeiras, embora embotadas, como aconteceu nas festas municipais de 1415, em que o próprio Rei D. Afonso V participou.

Nas festas do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço de Arcos a disputa das cavalhadas, que se processou anos a fio, era um espectáculo sempre do inteiro agrado de numerosíssima assistência, tendo-se, nalgumas ocasiões, recorrido a extensas bancadas cedidas pela Casa Pia ou pela Câmara de Lisboa.

O jogo consiste em os cavaleiros, montados nos respectivos cavalos, partirem de um ponto marcado, um de cada vez, tentando enfiar a sua lança numa argola que, ao ser acertada, faz abrir-se a porta de uma pequena gaiola, arrastando consigo o prémio - um galo, coelho ou pombo a que estava ligado por um fio.




Habitualmente, o cavaleiro, ao obter êxito na sua investida, oferecia o prémio à sua madrinha ou a qualquer personalidade que pretendesse homenagear, no que, eventualmente, era considerada a dama de sua afeição, aos progenitores ou político presente.

Grandes figuras passaram pelas cavalhadas de Paço de Arcos. Casimiro, D. António da Lousa, D. José, D. Alexandre de Mascarenhas, e mais tarde D. António de Mascarenhas, Dr. João Moreira Melo, os vários Baptistas de Porto Salvo, os cavaleiros tauromáquicos Frederico Cunha e Emídio Pinto e sua irmã Margarida Pinto, o benjamim dos concorrentes.

As cavalhadas eram precedidas de polícromo cortejo alegórico, com os cavaleiros impecavelmente trajados à Marialva, corcoveando nas suas montadas ricamente ajaezadas e alguns carros engalanados a rigor, transportando as madrinhas e as lanças para os concursos.

Em regra, o desfile começava no ex-matadouro de Paço de Arcos, que ainda funcionava, e percorria as principais ruas da vila, alegremente acompanhado por uma banda de música que ficava para abrilhantar o torneio que se desenrolava na parte central do nosso jardim, ou, excepcionalmente nos anos 30 junto ao molhe do lado do rio.






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


4 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 06

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Na 2a feira, 1 de Outubro de 1928 noticiou-se:

As Tradicionais Festas do Senhor Jesus dos Navegantes Revestiram Grande Brilho

"Desde ante ontem que a risonha praia de Paço de Arcos está em plena festa. O bom povo daquela localidade consagrou dois dias ao seu padroeiro, Senhor Jesus dos Navegantes.

Ontem, desde manhã que os comboios da formosa linha dos Estoris estiveram despejando gente em Paço de Arcos.

As ruas e a praia animaram-se extraordinariamente, sendo por vezes difícil o trânsito, sobretudo à tarde.

De manhã, na igreja, rezou-se missa solene, vendo-se o templo repleto de fiéis.

À tarde realizou-se uma pomposa procissão, vendo-se as ruas do trajecto absolutamente apinhadas de gente.




Virtuosíssimos andores, com belas imagens, desfilaram perante uma massa compacta de povo, e uma enorme quantidade de crianças, representando anjos e figuras bíblicas, seguiam no cortejo.

Ao passar o Palio, sob o qual seguia o prior da freguesia com o Santíssimo, toda aquela gente se ajoelhou, o mesmo sucedendo à passagem da imagem do Senhor Jesus dos Navegantes.

A noite houve o tradicional arraial, com feéricas iluminações e música pela banda dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, estando a festa animadíssima e sendo grande a concorrência às diversas barracas de quermesse.

Hoje efectua-se a festividade ao Mártir S. Sebastião, havendo também arraial com mais atractivos".




No Diário de Notícias de 2.a feira de 8 de Setembro de 1929 é enunciado que:

Em Paço de Arcos realizam-se hoje as Festividades em Louvor do Senhor Jesus dos Navegantes

"Hoje e amanhã efectuam-se na risonha praia, que é Paço de Arcos, as festas ao Senhor Jesus dos Navegantes e ao Mártir S. Sebastião. A celebração propriamente religiosa será assim cumprida:

Dia 8, às 13 horas, missa solene, por musica, orando o rev. Governo; às 17 horas, procissão, com 5 andores, percorrendo as ruas já indicadas, seguida da banda do Patronato D. Nuno Alvares Pereira, da freguesia de São Vicente de Fora; bodo aos pobres.

Dia 9, às 12 e meia horas, festa ao mártir São Sebastião, com missa por musica e sermão pelo rev. Governo.

A capela achar-se-á ricamente ornamentada.

Além deste culto religioso, as festividades compôr-se-ão de um característico arraial, no Largo do Conde de Alcáçovas, com barracas de tômbola e sortes, musica, recinto para dança, iluminações, etc...




O produto da quermesse reverterá a favor de uma das escolas da vila. Devido às senhoras que promovem as festas e às valiosas prendas que figuram no bazar, é de esperar que ela tenha farta concorrência e recolha boa receita.

Para o transporte de hoje à Parede, haverá comboios especiais".

Todas as comemorações atrás referidas não incluíam a bênção dos barcos, que só passou a ter efectividade a partir de 1939, tendo em 28 de Agosto de 1955 a comitiva parado junto ao muro da Margina! de onde foi lançada a bênção às embarcações, continuando esta cerimónia a decorrer, no meio da maior unção e respeito, até aos dias de hoje, unicamente com excepção do ano de 1974 em que as cerimónias religiosas não se efectuaram na totalidade, embora a procissão tenha saído para a rua... mas sem padre!






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


3 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 05

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES

No Diário de Noticias de 2.a feira, 1 de Setembro de 1900, refere-se:

"(...) o cortejo do círio da Nossa Senhora do Cabo, que partiu da Ajuda, em Lisboa, pelas 11 horas da manhã, (...) "com cyclistas, entre os quaes se viam algumas senhoras; 4 soldados de lanceiros 2; carro dos foguetes que se queimaram durante o trajecto; Charanga de lanceiros 2; piquete de cavallaria, comandado pelo Sr. Tenente Valentim; os três juizes com os cavalos ajaezados à antiga portugueza, empunhando o estandarte o Sr. Segurado; grupo de cavalleiros; três anjos a cavaIo, acompanhados por creados da casa real e ladeados de praças de cavallaria 4; Charanga de cavallaria 4; Berlinda da casa real puxada a duas parelhas; conduzindo a Santa, levando à estrubeira dois creados de libré; força de lanceiros; Carroagem conduzindo o reverendo prior de Cascaes padre Caetano Baptista, e seu acolyto; seguiam-se mais de cem trens de diversos feitos, conduzindo gente de todas as classes sociais, vários cyclistas e cavalleiros que não quizeram tomar lugar na frente.




Alguns carros e bicycletas iam lindamente enfeitados.

(...) O cortejo seguiu sem interrupção até Paço d'Arcos onde chegou à 1 hora da tarde.

Atreavessou a povoação que estava em festa também, e achando-se ali a banda dos marinheiros, esta formou e escutou o hymno nacional até à passagem do benzido cortejo, subindo ao ar numerosos foguetes".

"A chegada a Carcavellos foi à 1,50 minutos (...).




E a estas, muitas festas se foram seguindo, todas de fraternidade e solidariedade, em que o espirito religioso acompanha o profano, não podendo deixar de notar, no entanto, que os pescadores - núcleo inicial dos festejos, personificados pelo Patrão Lopes e seus descendentes - foram desalojados das suas antigas posições de destaque, mantendo somente o privilégio da condução do Senhor aos ombros - o que hoje é feito pelos bombeiros - e da liberdade de bailar ao ar livre, pois os actos "nobres" das festas, por exemplo as cavalhadas, eram "disputadas por distintos cavalheiros que vestiam caprichosamente e montavam fugazes cavalos, sendo os juizes fidalgos locais e pessoas gradas em vilegiatura".

No ano de 1903 foi construída especialmente uma praça de touros de madeira, com capacidade para 2000 lugares, tendo-se realizado uma garraiada a 17 de Setembro, logo seguida de uma corrida de touros a 4 de Outubro e outras a 16 e 18 do mesmo mês. Nelas brilharam os cavaleiros D. José de Mascarenhas, José Luís Bento e Fernando Ricardo Pereira (conhecido por Fernando de Oeiras), voltando-se a fazer uma corrida em 23 de Setembro de 1907, com 8 garraios.

A praça situava-se junto à estação da C.P.

Posterior e mais recentemente, também se fizeram corridas em Paço de Arcos na zona das Fontaínhas, com destaque para o cavaleiro Emídio Pinto aqui nascido e aqui residente.

Nas festividades de 1901 a 1908 as cerimónias religiosas e as demonstrações públicas de alegria compreendiam a missa, procissão, bênção de medalhas e bodo, na parte religiosa e na parte profana as cavalhadas, touradas, corridas de saco e de fitas, e subida de pau ensebado, sendo introduzido em 1904 provas de rio, como sejam um jogo de water-polo e corridas de barricas, que infelizmente não se realizaram por falta de alguns campeões. No entanto, a equipa do Sr. Taylor montou algumas barricas, o que deu lugar a divertidas situações, portando-se todos os desportistas de forma admirável segundo relato da Illustração Portugueza de 19/9.

"...Na praia muita gente. Os barcos embandeirados percorriam o rio, soavam risadas, ao sol alegre as faces resplandeciam e os hurras soavam por essa magnífica tarde luminosa.

O arraial e a quermesse duravam três dias - 9, 10 e 11 de Setembro - tendo Paço de Arcos recebido inúmeros forasteiros".




Em 1906, os devotos dos anos anteriores não colaboraram na realização dos festejos, pelo que estes não tiveram o brilho habitual, devendo-se a sua efectuação ao empenho de uma pequena comissão.

Durante a pregação, o oficiante verberou a falta de comparência dos homens do mar, que apenas estavam representados pelo patrão do salva-vidas, o que confirma a desmotivação a que atrás nos referimos.

Com o advento da República as festas religiosas foram interrompidas, como citámos, encontrando-se apenas noticias de provas náuticas, feira franca e concertos musicais formados pelos bombeiros em 1912, voltando a efectuar-se em 30 de Setembro de 1928, dois dias após a entrega do uso e administração da Capela à Corporação Fabriqueira do Senhor Jesus dos Navegantes.

Após missa solene celebrada de manhã, distribuiu-se da parte da tarde um bodo a 50 pobres, saindo a procissão com os quatro andores habituais - São Sebastião, Nossa Senhora da Bonança, Menino Jesus e Senhor Jesus dos Navegantes - mais os de Santa Teresinha e Nossa Senhora de Fátima. No dia seguinte decorreu a festa de São Sebastião.

A 8 e 9 de Setembro de 1928 o trajecto percorrido pela procissão foi ampliado até ao forte da Gíribita, no limite nascente de Paço de Arcos passando no regresso pelo monumento do Patrão Lopes.







Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


1 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 04

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


"...De anno para anno augmentam em brilhantismo as festas ao Senhor Jesus dos Navegantes o que demonstra a crescente importância de Paço d'Arcos.

Já não ha duvida que as que vão realisar-se nos dias 29 e 30 de Setembro e 1 de Outubro hão de ser excepcionalmente brilhantes quantas até hoje se teem feito, em bom gosto, riqueza e solemnidade.

Nem o contrario se deveria esperar desde que a patrociná-las appareceram os nomes prestigiosos dos srs. Condes de S. Januário e de Porto Covo.

Todo Paço d'Arcos se prepara para receber condignamente os seus milhares de visitantes e cada qual á porfia procura um novo attractivo ou offerece mais um elemento para o bom êxito de tão deslumbrantes festejos.

Não se poupam esforços, não se conhecem fadigas, não se accusam desalentos; todos trabalham para o mesmo fim, com ardor, com firmeza, com dedicação.

Assim as festas projectadas serão o "clou" da actual epocha balnear, que tão animada tem decorrido.

A commissão procurou e conseguiu organisar o seu programma de forma que desde a primeira hora de festa até á ultima as attracções se succedam sem interrupção.




O programma, que em seguida publicamos, não é official, mas só será alterado no sentido de lhe ser introduzido mais algum attractivo.

Dia 28. - Procissão, conduzindo d'Oeiras para Paço d'Arcos a imagem de Nossa Senhora da Atalaya; ladainha á entrada da imagem na ermida do Senhor Jesus dos Navegantes.

Dia 29. - Bodo a 50 pobres.

As maquinas passarão em desfile ante um jury de senhoras que conferirá o prémio da commissão uma riquíssima fita bordada á byciclette melhor iluminada e adornada havendo mais dois prémios offerecidos pelo Velo-Club.

Durante a entrega dos prémios toda a Avenida Marquez de Pombal será illuminada a fogos de Bengala o que deve produzir um effeito phantastico.

Pensa-se em organísar uma grande "marche-aux-flambeaux", que acompanhará o Velo Club desde a entrada da povoação até á Avenida Marquez de Pombal.

Dia 1. - Exercicio do pessoal e material do Instituto de Soccorros a Náufragos; simulação de um naufrágio, saída do salva-vidas.

Festa ao martyr S. Sebastião.

Torneio de fitas expressamente pintadas e bordadas pelas senhoras da colónia balnear; corridas de púcaros e de saccos; subida ao mastro de "cocagne", no topo do qual será collocado um valioso prémio; continuação do arraial; musica da Armada Real; ascensão de balões luminosos; fogo do ar e um excellente fogo preso fabricado por um dos primeiros pyrotechnicos de Lisboa.

É, como se vê, um programma írressistive! e que ha-de chamar a Paço de Arcos extraordinária concorrência.

Até hontem tinham-se recebido para o bazar 1694 prendas, esperando-se ainda muitas outras.

A commissão roga a todas as pessoas a quem enviou circulares pedindo prendas, e de quem não teve ainda a honra de receber resposta, o favor, que muito agradece, de o fazerem até ao dia 23 do corrente.

Lista das pessoas que enviaram prendas:

Condessa de S. Januário, D. Julteta da Cunha e Oliveira, D. Maria Pereira de Sampaio, D. Anna ...".




Possivelmente as festas do ano de 1900 foram das mais esplendorosas, talvez pela coincidência da passagem por Paço de Arcos do Círio de Nossa Senhora da Atalaia, vindo de Oeiras, da festa da Nossa Senhora das Mercês, seu orago, sendo o seu trajecto feito por Paço de Arcos, de onde embarcava para Aldeia Galega (hoje Montijo) numa fragata expressamente fretada, e do Círio da Nossa Senhora do Cabo, que a paróquia de Cascais iria receber em Carcavelos, após partida da freguesia lisboeta da Ajuda.

O primeiro dia da festa caiu a 28 de Setembro, tendo sido conduzida processionalmente a primeira imagem da igreja matriz de Oeiras, Igreja da Nossa Senhora da Purificarão até à nossa ermida, sendo no dia seguinte distribuído um bodo cru a 50 pobres: "carne, arroz, toucinho, chouriço, pão e dez reis em dinheiro".

A 30, depois de rezada missa solene, a grande instrumental, com bênção de medalhas, ao começo da tarde, deu entrada o Círio da Nossa Senhora do Cabo, após o que se organizou a procissão com as irmandades do Santíssimo, do Mártir São Sebastião e Nossa Senhora das Dores que acompanharam as imagens do Senhor Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Bonança e do Menino Jesus, decorrendo a l de Outubro a festa em louvor de São Sebastião.

A acompanhar toda esta religiosidade, tão grata ao coração das gentes de Paço de Arcos, decorreram igualmente os festejos civis, que foram deslumbrantes segundo relatos da imprensa da época, trazendo até nós a fina flor da aristocracia.




As iluminações foram feéricas, tendo sido armado um coreto provisório - o definitivo seria inaugurado um ano depois - onde a banda da armada real tocou até à meia-noite, tendo as vistosas ornamentações estado a cargo de um técnico da Sociedade de Geografia de Lisboa.

A Avenida Marquês de Pombal estava iluminada com palmas de vinte lumes e nas ruas os bicos de gás foram substituídos por focos incandescentes.

A ermida, aluminada por um renque de gás, apresentava na fronteira duas estrelas luminosas e as iniciais do patrono da festa: Senhor Jesus dos Navegantes - SJN.

Já nesse tempo se vendiam rifas, só que eram mais "personalizadas" pois davam-se ao luxo de serem "versejadas", o que dava a possibilidade de um galanteio do ofertante à sua amada, a par de doces e magníficos brindes.

Na barraca do bazar podiam-se admirar quatro painéis com as armas de todas as cidades do reino, bem como uma representação cintilante do astro-rei.

E, para emprestar ainda um maior entusiasmo aos circunstantes, o Velo-Clube fez um desfile de bicicletas enfeitadas e iluminadas, proporcionando ao melhor participante uma riquíssima fita bordada, havendo ainda mais dois prémios oferecidos pelo clube organizador.
"Paço de Arcos vestiu-se de galas para receber os forasteiros".






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 03

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Festejos ao Senhor Jesus dos Navegantes

"Vem-se aproximando o tempo em que é mister pensar a serio na installação da commissão, que o anno passado, em obediência a antigos usos, foi nomeada para n'este epocha ter a espinhosa missão de realisar os tradiccionaes festejos ao Senhor Jesus dos Navegantes. É de notar que estes festejos não são, entre nós, apenas uma simples festa religiosa, mas também um meio de proporcionar aos banhistas alguns dias de divertimentos e de animar a vida económica de Paço d'Arcos.

Impõe-se a sua realisação não só pelos benéficos resultados que d'ella resultam, mas também porque devido á publicidade dada pela imprensa periódica com a narração dos festejos se torna conhecida esta excellente estancia balnear, attrahindo por consequência grande numero de visitantes n'esse dia, e despertando a outros o desejo de aqui virem veranear.



Ponham-se de parte pequenas divergências, removam-se quasquer difficuldades, dotem-se os que tentam levar a empreza a cabo com a paciência evangélica e teremos o prazer de ver coroados de bom êxito os esforços dos emprehendedores de tal tarefa. Nada de desanimos, não demos ouvidos aos que dizem que taes festas não são precisas, e que sem ellas os banhistas para aqui vêem do mesmo modo, a estes apontemos-lhe o exemplo da cidade de Lisboa, que por intermédio da sua camara vae realisar grandes festejos com o fim de ali chamar concorrência e animar a vida de modo a proporcionarmos aos que aqui vêem n'esta epocha o maior numero de commodidades, e de divertimentos, elles irão procurar outras praias de banhos, que rivalisam com a nossa o que aqui por inércia e desleixo lhes não porporcionarmos.

Imaginem o que aconteceria se a concorrência de banhistas derivasse para outra parte: o commercio teria que fechar as suas lojas, os proprietários ficariam com a suas casas por alugar, e a classe pobre não teria onde applicar a sua actividade que n'esta epocha lhe dá com o que se sustenta no inverno.

É preciso, pois, que os proprietários e commerciantes, ricos e pobres, que todos conforme os seus haveres e na proporção das suas transacções commerciaes concorram sem reluctancia para a realisação de taes festas, pois que uns mais, outros menos todos teem a lucrar directa ou indirectamente com a realisação d'ellas.

Installe-se a commissão, que na colónia balnear encontrará preciosa coadjuvação e protecção, organisem-se regatas, corridas velocipedicas e pedestres, exercícios pela corporação dos bombeiros voluntários, isto além do costumado arraial e da festa religiosa; dê-se a este programma toda a publicidade e nós teremos a satisfação de offerecer aos nossos banhistas e á enorme concorrência de visitantes uma festa digna d'elles e da nossa terra".

In "O Echo", de 3 de Setembro de 1900.




Paço D'Arcos

"A commissão nomeada para levar a effeito as festividades ao Senhor Jesus dos Navegantes não tem descansado um só momento, no intuito de revestir de desusado brilho as festas que hão de realisar-se nos dias 29 e 30 deste méz e 1 de outubro.

A commisão procurou nos últimos domingos em suas casas os juizes da festa srs. condes de Porto Covo e de S, Januário, sendo recebida por suas ex. a com a fina distincção de verdadeiros fidalgos.

Em casa dos drs. Carlos Luz, José Ferrão Castello Branco, conselheiro Luciano Cordeiro, Martin, Polleri e Bento Otero encontrou a commissão o mesmo affectuoso acolhimento.

A subscripção aberta para occorrer ás despezas dos festejos excedeu toda a espectativa, concorrendo para ella indistinctamente a colónia balnear e os habitantes de Paço d'Arcos.

De Lisboa já se receberam numerosas prendas para o bazar, o qual apresentará um aspecto decorativo essencialmente artístico e que ha de produzir sensação pela novidade e bom gosto.

Sabemos que algumas phylarmonicas do concelho, desejando dar uma prova de estima a Paço d'Arcos, virão aqui assistir aos festejos.

Começamos hoje a publicar os nomes das pessoas que tão gentilmente responderam ao apello da commissão enviando prendas para o bazar:

Exm.a sr.a D. Cândida Victoria Sousa Serrão, D. Julieta da Cunha e Oliveira, D. Anna Lúcia Adelaide de Oliveira, D. Felicidade Barata, D. Maria da Encarnação Macedo, D. Elisa Franco de Castro Pinheiro Chagas, D. Augusta da Silva Ferreira, e os srs. Alexandre Sá da Bandeira, Eugênio Alfredo de Souza, dr. Castro Freire e Marques & Duarte".

In "O Echo", de 18 de Setembro de 1900.







Colaboração do Bardino Vitor Martinez.




31 de agosto de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 02

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


De 27 de Agosto a 5 de Setembro deste ano, mais uma vez decorreram as festas de Paço de Arcos, que, como é sabido por todos, têm como patrono o Senhor Jesus dos Navegantes, uma tradição mantida ao longo dos anos e que tem origem no longínquo ano de 1873, mantendo-se até aos nossos dias com excepção do hiato que decorreu de Outubro de 1910 a Outubro de 1928, oscilando a sua duração entre dois e quinze dias.

Várias hipóteses se põem sobre a origem do culto do Senhor Jesus dos Navegantes, mas a mais plausível é a aventada por Jorge Miranda de que seria originado em Ílhavo, terra de pescadores e onde o orago era o mesmo. Ao emigrarem para terras mais a sul, como muito bem observa a Dra. Maria Micaela Soares, a nossa terra "foi a pátria de grande número de pescadores que se fixaram em Paço de Arcos" e que eram de enorme devoção ao Senhor Jesus dos Navegantes, pois "no Natal e nos fins de Agosto" se deslocavam à sua terra para "tomar parte na procissão do Senhor Jesus dos Navegantes, cuja imagem se venerava na Igreja paroquial de Ílhavo".

Segundo Victor Ribeiro "a primeira ermida de que há registo terá sido mandada edificar por D. Maria Clara de Meneses, proprietária da Quinta dos Arcos, conforme escritura de 27/10/1670, sabendo já pelo padre Armando Duarte que a sua propri¬etária era, em 1698, Dona Teresa Eufrásia de Meneses".

Em 1712 o padre António Carvalho da Costa refere-se já à existência da "Ermida do Bom Jesus dos Mareantes", quando Paço de Arcos teria cerca de centena e meia de habitantes (35 vizinhos), notícia que é confirmada a 10 de Setembro de 1873 no Diário Illustrado, que dá nota da sua reconstrução, referindo que, "reabriu em Paço d'Arcos, a ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, e d'ora em diante haverá ali missa aos domingos e dias santos".

Lá diz também que "no primeiro domingo do mês seguinte celebra-se a festividade de S. Sebastião com grande arraial".

O Diário Illustrado de 24 de Setembro de 1873 descreve, circunstanciadamente, as grandes festividades que empolgam a população e os inúmeros visitantes.

A procissão, levando à frente a recém-adquirida imagem de São Sebastião {de nível artístico inferior ao da que costumava sair da capela dos Condes de Alcáçovas), era seguida pelo andor da Senhora das Ondas, pequena e bela imagem então oferecida à povoação.


"Alguns anjinhos precediam o andor espalhando flores e seguia-os o Sr. Forjaz Júnior, representando o seu pae.

Depois das irmandades da Senhora das Dores, de Laveiras, da Senhora da Atalaia e de Oeiras, levando a bandeira o senhor Silveira, novo secretário da Câmara Municipal, indo debaixo do andor, uma senhora com vestido de penitente. Seguia-se a irmandade do Senhor Jesus dos Navegantes, com o respectivo andor, que era também precedido de anjos e acompanhado pelo patrão Joaquim Lopes.


Levava pela mão seu neto, mimosamente vestido de anjinho.

Acompanhava a procissão a banda marcial dos homens do mar vestidos de branco. Fechava o préstito a irmandade do Santíssimo levando a umbela o filho do conselheiro Lourenço da Luz, indo à sua direita o Sr. Administrador do concelho e em seguida uma banda militar.


Era grande a concorrência do povo. Viam-se nas janelas e varandas famílias a banhos, sobressaindo as varandas dos palacetes dos Srs. Condes das Alcáçovas e ministro da Bélgica, em que se achavam as principais damas e os mais distintos cavalheiros de Paço de Arcos e de Oeiras. EI-Rei o Sr. D. Fernando e o Sr. Infante estiveram nos jardins do Sr. Bessone.


À noite houve brilhante arraial, com iluminação, músicas, fogueiras, queimando-se às onze horas excelente fogo-de-artifício.

Reinou o mais completo socego e apesar de grande numero de carruagens e omnibus crusarem na estrada em que se deu o arraial, notou-se a melhor ordem".


Todas as cerimónias, de carácter vincadamente religioso, evoluíram, a pouco e pouco, aliando à religiosidade, em perfeita conciliação, o aspecto profano.

In "O Echo", de 17 de Agosto de 1900.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 01


Já começaram com grande animação as Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, mantendo uma tradição com mais de cem anos.

Aproveitando esta ocasião, e tendo-nos chegado às mãos uma publicação da CMO, dedicada à história local do concelho de Oeiras, onde são referidas, com algum pormenor, as festas da nossa vila, desde a sua génese até aos nossos dias, considerámos que podíamos aproveitar esta oportunidade para publicar aqui uma série de textos de vários autores, de referência às nossas festividades.

Deixamos, desde já aqui, os nossos agradecimentos aos diversos autores dos textos e que passamos a enumerar:

Câmara Municipal de Oeiras, pela edição da publicação do livro intitulado "III/IV Encontros de História Local do Concelho de Oeiras" (ed. 2000)

A Voz de Paço de Arcos

O Echo

Illustração O Século

Diário de Notícias

COELHO, José, História do CDPA

CAVACO, Carminda, A Costa do Estoril

ARCHER, Maria e Gonta, Branca de, Memórias da Linha de Cascais

CORDEIRO, Raul

Associação Naval de Lisboa

Administração do Porto de Lisboa

SOUSA, João de e S., Ramalho

Lisboa, O Tejo e a Navegação, Câmara Municipal de Lisboa

FONSECA, Quirino da, Os Portugueses no Mar

Tradição Oral

Ilustração Portuguesa

PERES, Alberto e Carrasco, Estevão, Barcos do Tejo



A todos eles o nosso obrigado.

Os textos serão publicados durante esta semana em que decorrem as festas, sendo o último texto publicado no próximo Domingo, dia do encerramento das festividades.



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


9 de setembro de 2009

AS FESTAS 03


ACABARAM AS FESTAS DE 2009. VIVAM AS FESTAS DE 2010!!!

É verdade! Normalmente tudo tem um fim e as Festas da nossa vila não fugiram a esse destino. Acabaram no Domingo passado onze minutos depois da meia-noite, após um espectáculo de fogo de artifício, que, como é hábito, as encerrou!

Só que não era hábito, pelo menos desde que me conheço e me lembre, haver um fogo de artifício tão pífio, pois a tradição manda que o fogo seja o ponto alto das Festas e este ano, pelo menos na minha modesta opinião, não o foi. Começou muito tímido, tornou-se algo repetitivo e muito modesto, falhou nalguns momentos com algumas pausas demasiado prolongadas e só teve, verdade seja dita, um final com algum espectáculo, embora algo breve.

Os fogos de que me lembro, e recordando o do ano passado que foi espectacular, o fogo começava normalmente com uma entrada com algum espectáculo, depois abrandava um pouco, tinha a meio novamente um fogo mais espectacular e após um período mais pausado vinha o final em clímax, com todo aquele fogo a cair sobre nós, num espectáculo grandioso de luzes, cores e som!!! Este ano não foi bem assim e foi pena!!! Aliás as palmas no final reflectiram um pouco isso, pois foram muito breves e pouco convencidas.

Estará Oeiras a temer que o fogo de artifício nas Festas do Concelho fique a perder para Paço de Arcos??!! Não quero pensar que assim seja, pois só teremos todos a ganhar se eles forem os dois bons e espectaculares!!!

Quanto às Festas propriamente ditas foram como se esperavam, nem melhores nem piores e para quem teve de passar uma semana inteira no recinto da feira o que custou mais a aguentar foi o vento, que não deu tréguas praticamente durante esse período de tempo.

À laia de balanço deixamos aqui dois ou três apontamentos que achámos que poderiam melhorar, no sentido de, por sua vez, melhorar também o nível geral das Festas:

1 - Os espectáculos no palco do ringue foram muito fraquinhos, excepção feita aos espectáculos dos Corvos e do Marco Quelhas, com a consequente baixa de público no recinto da feira, com as consequentes queixas dos feirantes. Ainda por cima os dias de melhor qualidade ocorreram ao fim de semana, dias já de si propícios a que haja mais gente. Deveria ser uma das facetas a ter em conta, (eu sei, eu sei, os euros contam muito, mas às vezes é uma questão de estratégia), e não querendo ter artistas de ponta todos os dias, aqueles de cartazes mais fortes além dos fins de semana também poderiam ser colocados em dias da semana mais "mortos", de modo a chamar mais público ao recinto da feira, com as vantagens para todos que daí viriam.

2 - Em conversa com várias pessoas já referi mais de uma vez a problemática circulação de trânsito que se faz à volta do recinto da feira!! Para quando fechar, a partir de determinada hora (19.00/20.00 horas) até às 24.00 horas, o acesso à Rua Cândido dos Reis, Praça 5 de Outubro, Av. Marquês de Pombal e Travessa do Forte de S. Pedro, limitando o acesso neste período de tempo aos moradores e aos feirantes. É que a malta anda ali às voltas, às voltas, à procura de um lugar para estacionar e claro que não encontra, atrapalhando o trânsito de maneira caótica e pondo em risco os próprios peões que se dirigem ou circulam na feira.

3 - Já agora uma pergunta: porque é que durante todo o período das Festas, um dos considerados "ex-libris" da nossa vila, o Geiser, esteve sempre de luz apagada??!! Responda quem souber que a quem eu perguntei ninguém me soube responder, inclusive o próprio Presidente da Junta de Freguesia!!! É uma pena estes pormenores falharem!!!

4 - Propôs o Presidente da CMO, dr. Isaltino Morais, no seu discurso de encerramento das Festas, que para o ano a Festas se prolonguem até à Rua Costa Pinto, envolvendo assim também a nossa via principal nos festejos, com as consequências que daí advêm para o comércio e para as pessoas. Animação de rua e outras actividades poderão levar as Festas também a um local tão emblemático de Paço de Arcos como é a Rua Costa Pinto. Agora é preciso que as pessoas e principalmente o comércio da zona colaborem mais um bocadinho que, como se pode ver pela folha de Donativos que vinha incluída no Programa das Festas, a sua contribuição é praticamente residual e se querem ter proveitos também terão de "colaborar" mais um qualquer coisa!!!

E por aqui me fico, que a prosa já vai longa!!!

Que as próximas Festas do Senhor Jesus dos Navegantes sejam ainda melhor que as deste ano é o que desejo sinceramente, como paço-arcuense que me prezo e que para o ano lá estejamos a festejar todos com muita alegria e animação!!!


Colaboração do Bardino Vitor Martinez