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4 de julho de 2010

FIGURAS DA VILA 23

José PRACANA Martins


antes


O Zé Pracana, como os amigos o conhecem, companheiro de muitos Bardinos, nos tempos da adolescência, tornou-se uma autêntica enciclopédia do Fado, a verdadeira.

Duas histórias esclarecedoras:


- o primeiro Fado foi editado pela Casa Chinesa em 1904 (dixit);

- os característicos cachecol e boné, imagem de marca do Alfredo Marceneiro, foram ‘inventados’ para o Alfredo Duarte Júnior, seu filho, mas por ter gostado, ele apropriou-se dos ‘enfeites (idem).


Esteve no “Câmara Clara”, segunda-feira dia 21 de Junho passado, a propósito da Candidatura Portuguesa do Fado a Património da Humanidade. Debitou conhecimentos, historietas, desfilou os nomes que mais o marcaram, um sem fim de detalhes que, talvez, mais ninguém ligado ao Fado poderá suplantar.


Açoriano, reza a sua biografia, cedo veio para Paço de Arcos, animando o pessoal no seu jeito trocista e brincalhão. Nesta matéria, fez parelha única com o Zé Arrobas. Frequentou com a maioria de nós o Liceu Nacional de Oeiras, onde foi activo participante nas ‘guerras’ Paço de Arcos/Oeiras.


Não referem, decerto por desconhecimento, mas já nesses tempos era um imitador extraordinário. Tudo imitava. O que nos dava mais gáudio era, ouvi-lo imitar os discursos dos políticos – Salazar, Américo Tomás, Marcelo Caetano, etc. Mas quem ele preferia era a Amália e o Marceneiro, de quem viria a tornar-se grande amigo (de ambos).



Também não refere a biografia, (http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/126844.html onde se pode ouvir uma belíssima imitação do Alfredo Marceneiro), que os primeiros contactos com o Fado (maior) foram nesta Vila com o Cavalo Malandro e o Fernando “Galo”, com quem acompanhou durante um tempo.



Falou dos nomes que lhe são mais caros: Alfredo Marceneiro (a arte fadista na sua essência), grande amigo e companheiro tal como João Braga (a melhor dicção), Conde de Sabrosa, Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Carlos Ramos, Manuel de Almeida, os guitarristas Armandinho – seu mestre - e Martinho d’Assunção e Carvalhinho habituais acompanhantes de Alfredo Marceneiro, e também dos incontornáveis Toni de Matos, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Teresa Tarouca.



depois



“Os Bardinos” querem prestar homenagem ao amigo e companheiro doutros tempos, deixando aqui 4 fados que caracterizam, aleatoriamente e em nossa opinião, o seu percurso:

‘Lenda das Rosas’, que ele cantava para lembrar Marceneiro, o qual gostava particularmente deste fado;





‘Pelas Ruas da Cidade’ em memória de todos os muitos amigos (como costuma dizer) que com ele calcorrearam as ruas e becos da grande Lisboa;





‘Campino’
, porque gostava de ‘fugir’ para outros estilos, ou antes, dos temas mais tradicionais;







‘Um Fadista Já Cansado’, que se enquadra na perfeição com o Zé Pracana, e que pensamos ser o seu fado predilecto;





Muito mais haveria a dizer deste Paçoarquense adoptado. Nunca esqueceu a terra que o marcou no crescimento adolescente. Tive oportunidade de com ele conversar em Macau quando aí acompanhou o falecido Carlos Zel, em 1997, para uma série de espectáculos no afamado Clube Militar, e posso testemunhar que a sua memória desta Vila estava bem viva, perguntando por todos que por aqui com ele conviveram. Mas este não é o espaço nem o momento.


Como diria Vinícius De Moraes ‘SARAVÁ’ Zé.

__________________



Terminamos com os versos da ‘Lenda das Rosas’, para consumo dos fadistas amadores (atenção Rafael e Sampaio):

Lenda das Rosas
Linhares Barbosa / Popular "Fado das Horas"
Repertório de José Pracana


Na mesma campa nasceram
Duas roseiras a par
Conforme o vento as movia
Iam-se as rosas beijar

Deu uma, rosas vermelhas
Desse vermelho que os sábios
Dizem ser a cor dos lábios
Onde o amor põe centelhas
Da outra, gentis parelhas
De rosas brancas vieram
Só nisso diferentes eram
Nada mais as diferençou
A mesma seiva as criou
Na mesma campa nasceram

Dizem contos magoados
Que aquele triste coval
Fora leito nupcial
De dois jovens namorados
Que no amor contrariados
Ali se foram finar
E continuaram a amar
Lá no além, todavia
E por isso ali havia
Duas roseiras a par

A lenda simples singela
Conta mais, que as rosas brancas
Eram as mãos puras francas
Da desditosa donzela
E ao querer beijar as mãos dela
Como na vida o fazia
A boca dele se abria
Em rosas de rubra cor
E segredavam o amor
Conforme o vento as movia

Quando as crianças passavam
Junto à linda sepultura
Toda a gente afirma e jura
Que as rosas brancas coravam
E as vermelhas se fechavam
Para ninguém lhes tocar
Mas que alta noite, ao luar
Entre um séquito de goivos
Tal qual os lábios dos noivos
Iam-se as rosas beijar.





Este ‘parlapié’ foi feito sob recomendação do Bardino Nortadas.








Saudades de Mil Lembranças





Homenagem a Marceneiro








Nota - Fotos e videos retirados da net, a cujos autores deixam aqui, Os Bardinos, os respectivos agradecimentos.



Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


2 de maio de 2010

PERGUNTAR NÃO OFENDE!

3 PERGUNTAS 3


1
O meu tio Norman (inglês verdadeiramente ‘cockney’) diria “long time ago”, mas eu, sendo Português, apenas direi que há muito ‘bué da’ tempo se ouve falar dum tal Museu do Hóquei em Patins de Paço de Arcos.

Pelo que se percebe (aparentemente) é só conversa da treta.

Em nossa modesta opinião, se há Clube de Hóquei em Patins no mundo que mereça um Museu que eternize os inúmeros feitos (galácticos, como agora se evidencia) dos seus atletas, só pode ser o de Paço de Arcos. Penso que ninguém duvida.

Então porquê toda esta trama? Há mais de uma década (só?) que se fala neste desiderato, haverá espólio espalhado pela Vila em risco de se perder, haverão vontades desmorecidas, terão havido grupos mais ou menos organizados (mandatados?) para desenvolver o assunto, sem resultado.

A matéria é, para nós, de interesse Nacional, ou mais. A Câmara Municipal de Oeiras não se sente motivada? A Junta de Freguesia de Paço de Arcos não está interessada? O Clube Desportivo de Paço de Arcos está-se nas ‘tintas’? Existem seguramente diversos organismos públicos e governamentais (outros quiçá), na disposição de colaborar se propriamente abordados.

Que raio de inércia é esta? Os históricos estão a desaparecer. A vocação será de homenagens póstumas, coisa que o valha?

Não nos obriguem a fazer comparações com outros desenvolvimentos públicos. Poderíamos chegar a conclusões inconvenientes.



2
Por falar em espólios; não haverá por aí espólio do Patrão Lopes?

Tudo indica que, no mínimo os seus descendentes terão ‘herdado’ objectos , cartas, utensílios, etc., (há muito mais, seguramente) que devidamente tratados e apresentados poderiam constituir importante marco na história daqueles que arriscavam a vida em favor de outros, e, suprema glória, desinteressadamente. Aqueles de quem o Poeta dizia “...que da lei da morte se vão libertando...”, porque se eterniza a sua memória.

Seria um orgulho para Paço de Arcos ter uma “mostra”, um Museu, uma Casa de... Chamem-lhe o que quiserem, mas façam-no. Organização simples e barata, espacinho mínimo.

É fundamental tecermos loas a quem as merece, sobretudo quando são nossos conterrâneos, indígenas deste burgo magnífico, único, à beira-mar plantado.



Foto e texto extraído do Blog "Dias Que Voam".
3
O Auditório José de Castro já sabemos onde está planeado. Mal, em nossa opinião. Com mal foi terem levado o Auditório Eunice Munõz (embora igualmente mal planeado) para a Freguesia de Oeiras; porquê?

Teremos que “ver” o plano real, a implantação, o resultado, para podermos aquilatar seriamente, mas à partida (justificadamente, pelo espaço e localização) já nos merece um certo cepticismo.

O que esperamos é que o imenso espólio do nosso amigo José de Castro, espalhado, quase que pelos quatro cantos do mundo, possa vir a integrar espaço condizente no Auditório, que não espaço adormecido ou moribundo.

Ou outro Museu, porque não?



Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.



25 de abril de 2010

PAÇO DE ARCOS DE LUTO

Inteiro, verdadeiro, real.

O Paulo Brás deixou-nos.

Melhor companheiro, gentio mais simpático, personagem mais elegante, indígena mais estimado, idolatrado sem encómios outros que não a sua atitude e postura com as gentes desta terra, ricos, pobres e nem por isso, não há, não haverá.

O Paulo exempta qualquer prestação; não há clubites, partidites, cores ou emblemas, única e exclusivamente o amor pelo próximo (inteiro, verdadeiro, real).

O Paulo é irreptível.

A emoção tolhe-nos a palavra, outra, a merecida. Sabemos que compreendes.

Que dizer? Choramos-te.

À mãe enlutada tão inesperadamente, o nosso fraco consolo amigo.




Colaboração de Os Bardinos.


15 de fevereiro de 2010

FIGURAS DA VILA 22

Gente realmente muito importante
de Paço de Arcos



Aqui temos alguma da verdadeira nata desta nossa terra.


O JER e a EUNICE


Gente da cultura. Da verdadeira cultura Nacional (não a outra, a encomendada), e mesmo da internacional, porque como em muitos outros casos, quiçá esquecidos (?), a estatura desta nossa gente não receia comparações, pelo contrário. Sem apoios nem patrocínios, conseguem, invariavelmente, mais e melhor. Só para os eleitos.

Modestos e simpáticos. Não se dá por nenhum deles, apesar de estarem sempre em movimento pela Vila e em contacto com as suas gentes.

Um hino ao bom comportamento, ao respeito pelo próximo, um exemplo para os mais novos. Já se vai vendo pouco. Mas é isso que os une.

Gerações bem diferentes, separam-nos mais de três décadas, beberam a mesma cultura bem portuguesa, dando-nos ânimo para continuar a pugnar, aos nossos modestos níveis, contra esta moderna (?) tendência umbiguista, que muito se preocupa com o dinheiro no bolso, o reconhecimento daqueles que os querem explorar, sem olhar á volta, sem ver (sequer) o essencial.

Aceitamos. Não há muito disse, e repito, são apenas tempos diferentes, nem melhores nem piores, apenas diferentes, e estou seguro que as nossas crianças (que me parecem no bom caminho) saberão ‘dar a volta ao texto’, obviamente com a nossa (indispensável) ajuda.




Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


FIGURAS DA VILA 22 (I)

O JER


De sua ‘graça’, José Eduardo Rocha, ‘alfacinha’ de gema, nasceu em Lisboa em 1961.

Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, expôs pintura, desenho e ilustração desde 1981. Realizou individuais (p. ex. SNBA 1986) e participou em colectivas (p. ex. Novos-Novos 1984, Gulbenkian 1987, Tendências 1991, Salão Lisboa 1998, Ilustração Portuguesa 2002 e 2004, Imagens Projectadas # Instalações 2005), bienais nacionais e internacionais (p. ex. Tessalónica/Grécia 1986, Vila Nova de Cerveira 1984 e 1988, Valência/Espanha 1992, Bienal da Maia 2001, Luzboa 2006), feiras de arte e festivais (p. ex. Expo 98, Expo Hannover 2000, Festival Músicas do Mundo 2006).

Concebeu cenografias e figurinos para o Ballet Gulbenkian (1983) e vários grupos de teatro. Realizou trabalhos gráficos (p. ex. Jazz em Agosto/Gulbenkian 1987, Lisboa 1900 (1988)) e filmes de animação (RTP 1989); publicou regularmente (de 1981 a 2001) ilustração e banda desenhada em jornais e revistas (p. ex. Sete, O Jornal, JL, Semanário, Máxima, Rua Sésamo, Ler, Expresso, Independente, Público) e ainda em discos, livros, programas, catálogos, cartazes, postais e CD-ROM.

Estudou música particularmente e frequentou cursos e seminários de composição, no Conservatório Nacional de Lisboa e na Fundação Gulbenkian, com Iannis Xenakis, Cândido Lima e Emanuel Nunes. Na Escola Superior de Música de Lisboa, frequentou o curso de Composição, tendo estudado com António Pinho Vargas e Christopher Bochmann, entre outros. Frequentou o Mestrado em Ciências Musicais (Musicologia Histórica), na FSCH (Universidade Nova de Lisboa).

Durante os anos 90, intensificou o seu percurso simultaneamente plástico, dramatúrgico e musical.

Fundador e director do Ensemble JER – Os Plásticos de Lisboa, um grupo de artistas/músicos formado para interpretar um reportório para instrumentos de plástico (toy instruments), realizou, desde 1990, mais de 100 espectáculos (p. ex. CCB, Mosteiro dos Jerónimos, Culturgest, Cineteatro Monumental, Teatro Maria Matos, Teatro Rivoli, Expo 98, Sé de Lisboa, Expo Hannover 2000, Teatro Nacional de S. João, Teatro Nacional D. Maria II). O reportório do Ensemble, bastante variado (de Dufay à actualidade), inclui também obras que novos compositores dedicaram à panóplia de instrumentos específica do grupo. O Ensemble JER participou ainda em diversas gravações para teatro, cinema, rádio, televisão e disco.


Actual Formação do Ensemble JER

José Eduardo Rocha (JER)
Concertino, 1ª melódicas soprano & alto Hohner,
1º, 2º e 4º violinos Chicco, clarina 12 Hohner,
melódica Antonelli e corneta de plástico I.

Nuno Morão
Obbligato, 2ª melódica soprano Hohner, orgão Antonelli,
Wind Mill Whistle, claxoneto I, apito-comboio Acme I,
flauta allegro Hohner, flauta de êmbolo, Tune Town Violin,
clarina 8 Hohner, 3º violino Chicco, clarinete & trompete Bontempi,
corneta de plástico II e percussões (metalofone, bass drum,
mini steelpan, sinos rústicos, bombo Reig & wind chimes chineses).


Susana Ribeiro

Ripieno I, Piano, apito-comboio de plástico I,
vibratones, Blast Blocks & wind chimes chineses.

Vasco Lourenço

Ripieno II, Piano, orgão Bontempi, apito-comboio de plástico II,
vibratones & Killer Klave.


Paulo Guia
Continuum, Clarinete em Si bemol, claxoneto II,
cymbal, apito-comboio acme II & apito-comboio Osul,
clarinete baixo em Si bemol & maestro em Clapping Music.



Como compositor, é autor de mais de 60 obras originais e mais de 60 arranjos e transcrições, de entre um reportório para instrumentos de plástico, peças de teatro musical (ópera) e obras para diversas formações.

Em 1992 foi duplamente premiado - Teatro na Década/CPAI - pelo seu espectáculo A Saga da Formiga que foi apresentado em Portugal e Espanha. Das suas criações destacam-se: Futebol (1995-97), Volkswagner (1996-2000), Sinfonia Náutica (encomendada pela Expo 98), Viagens na Minha Terra (1999-2000), Missas do Homem Armado (1999-2000), Sr. Dr. Fausto (2001), Cozido à Portuguesa (2006), a ópera Os Fugitivos (com libreto de Rui Zink), uma encomenda do Teatro da Trindade para a temporada de 2003/04 (que foi transmitida pela RTP 2, em 2004, 2005 e 2006), e Piccola Sinfonia Pimba, escrita para a OrquestrUtopica, estreada no 30º Festival do Estoril (2004).



Além disso, criou e dirigiu música original para espectáculos de teatro, workshops, audiovisuais e outros eventos. No teatro, colaborou musicalmente com o grupo Persona, em O Paraíso (Miguel Torga) e Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente), em 1991; com Jorge Silva Melo e os Artistas Unidos nos espectáculos O Fim (JSM), Prometeu (JSM), Coriolano (Shakespeare) e Fatzer (Brecht), de 1996 a 1998; e com Manuel Wiborg em Uma Laranja Mecânica (Burgess), em 2006.

No cinema, fez música para os filmes Luz Submersa (2001) e O Rapaz do Trapézio Voador (2002) de Fernando Matos Silva; e para a série de animação (Animanostra 2007). Em 2003 gravou para a Universal a sua peça Eu Quero SerPrelúdios & Fugas sobre o nome de Carlos Paredes, integrada no duplo CD Movimentos Perpétuos – Música Para Carlos Paredes.



Como musicógrafo, escreveu o anexo 14 Anotações sobre Música Contemporânea Portuguesa, incluído na 4ª edição da “História da Música Portuguesa” de João de Freitas Branco (Europa-América 2005).

Foi membro de júris e tem realizado conferências em diversas instituições. Em bienais de jovens criadores dos países do mediterrâneo, representou Portugal nas áreas da banda desenhada, teatro e música. Foi apoiado pelo CPAI (1992 e 1995), e subsidiado pela SEC (1986) e pelo IPAE (1999).

Foi docente de Figurinos e Música no Chapitô (1992/93); e desde 1998 na ESTGAD (actualmente ESAD – Escola Superior de Artes & Design/Caldas da Rainha), leccionando Artes Plásticas, Desenho, Ilustração & BD, Artes Sonoras, Música & Ritmo, Expressão Musical, Formas Visuais & Sonoras e Encenação I. No âmbito das disciplinas musicais e performativas tem formado diversos grupos - o Estgad Varèse, Gamelão da Estgad, Harém Vocal, Treatro, Ensemblesad, Bem Vindo (duo de pianistas)



- e tem organizado diversos eventos escolares e públicos, como a ópera Sr. Dr. Fausto (2001), o concerto Obras de Vanguarda do Século Passado (2002), os mini festivais: Encontros Esad de Música Contemporânea (2003), Festa da Música (2004) e Edifício da Música (2005). Em 2006 encenou - no Teatro da Rainha - as peças Os Dois Minetos (Plauto) e Tristes Trópicos (G. Mendonça), esta última em estreia absoluta, com o grupo “Treatro” (2º ano do curso de Teatro).

Tem o JER em particular, como também o seu Grupo um extensíssimo reportório, que seria impraticável, sequer enumerar neste Blog.

Apreciem por vós a competência, escondida diria eu, desta personagem que nos honra com a sua vizinhança.

Ainda recentemente deu um espectáculo em Paço de Arcos; vejam abaixo a apresentação e deliciem-se.












Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


FIGURAS DA VILA 22 (II)

EUNICE


Eunice do Carmo Muñoz nasceu em 1928.

Considerada por muitos como a melhor actriz portuguesa de sempre.

Só podia fazer muito calor no dia em que Mimi Muñoz deu à luz Eunice. A casa da avó que a viu nascer ficava no ponto em que o Alentejo toca Espanha - na Amareleja (Moura), a terra mais quente de Portugal. Foi no dia 30 de Julho de 1928. Ali nasceram e dali partiram várias gerações de artistas. A sua avó, Augusta do Carmo, considerada a Palmira Bastos do teatro de província, percorria o País na companhia do marido com quem criara a Troupe Carmo. Mimi, a sua mãe, seguira a tradição e iniciara nova aventura na companhia do marido Hernâni, que descendia de famosos artistas do Circo Cardinali.

Aos 5 anos, contrariada, Eunice já pisava os palcos. Ainda pensava poder fugir. “No início da sua vida, o teatro era como uma maldição”, lembra o historiador Vítor Pavão dos Santos. Mas foi a experiência ganha nestes primeiros tempos que lhe permitiu, aos 13 anos, conseguir o primeiro papel no teatro profissional. Dava início à sua colaboração com a companhia de teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, a maior e mais conceituada daqueles tempos.

Eunice estreou-se em 1941, na peça Vendaval, de Virgínia Vitorino, no Teatro Nacional D. Maria II. O seu talento é de imediato reconhecido, e admirado por Palmira Bastos, Raul de Carvalho, João Villaret ou pela própria Amélia Rey Colaço, o que lhe permite uma rápida integração na Companhia. Em 1943 contracena com Palmira Bastos em Riquezas da Sua Avó, uma comédia espanhola aportuguesada por Ascensão Barbosa, José Galhardo e Alberto Barbosa, ao que se segue, no ano seguinte, Labirinto, de Manuel Pressler. No Verão desse ano protagoniza a opereta João Ratão, ao lado de Estêvão Amarante. Continuou a coleccionar sucessos, ao lado de Maria Lalande e Irene Isidro (Raparigas Modernas, de Leandro Torrado), sendo ainda dirigida por Maria Matos em A Portuguesa, de Carlos Vale. Já aluna do Conservatório Nacional de Teatro celebriza-se em A Casta Susana, de Georg Okonkowikski. Termina o Conservatório, com 18 valores. Populariza-se no palco do Teatro Variedades, com Vasco Santana e Mirita Casimiro na peça Chuva de Filhos, de Margaret Mayo.



Em 1946 dá-se a sua estreia no cinema, aparecendo no filme de Leitão de Barros, Camões. Por esta interpretação, Eunice ganha o prémio do SNI - Secretariado Nacional de Informação, para a melhor actriz cinematográfica do ano. Um Homem do Ribatejo (1946), de Henrique Campos e Os Vizinhos do Rés-do-Chão (1947), de Alejandro Perla, são os trabalhos que se seguem.

Em 1948 regressa ao Teatro Nacional para protagonizar Outono em Flor, de Júlio Dantas. Seguidamente Espada de Fogo, de Carlos Selvagem, encenado por Palmira Bastos, é um êxito retumbante.

Trabalha novamente no cinema, protagonizando A Morgadinha dos Canaviais, de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari (1949), adaptado do romance homónimo de Júlio Dinis. Participa ainda num filme de Henrique Campos.

Volta aos palcos em 1950, com a comédia Ninotchka, de Melchior Lengyel, contracenando com Igrejas Caeiro, Maria Matos e Vasco Santana. Em 1951 ingressa na Companhia do Teatro Ginásio, dirigida por António Pedro. Dessa época salienta-se A Loja da Esquina, de Edward Percy.

Passa pelo Teatro da Trindade e retira-se por quatro anos da actividade teatral, para exclamação dos jornais, dos críticos e do público. A sua reaparição dá-se em Joana D' Arc, de Jean Anouilh, no palco do Teatro Avenida. Multidões perfilam-se pela Avenida da Liberdade, desejosas de obter um bilhete para ver Eunice, que a crítica aclama como genial.

Tanto no teatro como no cinema, os êxitos sucederam-se ininterruptamente, alternados com o casamento e o nascimento da primeira filha. No entanto, com apenas 23 anos de idade e 10 de carreira, decide parar. Eunice “sem medo” abandona o palco e vai trabalhar para a loja de cortiças da Rua da Escola Politécnica, fundada pelo conhecido “Mr.” Cork.

Em 1957, depois da peça A Desconhecida, de Pirandello ingressa juntamente com Maria Lalande, Isabel de Castro, Maria José, Ruy de Carvalho, Fernando Curado Ribeiro e Fernando Gusmão no Teatro Nacional Popular, sob a direcção de Ribeirinho, onde interpreta Shakespeare (Noite de Reis), Júlio Dantas (Um Serão Nas Laranjeiras) e Luiz Francisco Rebello (Pássaros das Asas Cortadas), entre outros autores.

Já nos anos 1960, passa para a comédia na Companhia de Teatro Alegre, ao Parque Mayer, ao lado de nomes como António Silva ou Henrique Santana. No Teatro Monumental fez O Milagre de Anna Sullivan, de William Gibson (Prémio de Melhor Actriz do SNI ex-aequo com Laura Alves - 1963).


No filme "O Trigo e o Joio", de Manuel de Guimarães,
com Igrejas Caeiro (1965).


Aparece então com regularidade na televisão, em peças repetidas por desejo expresso do público, como O Pomar das Cerejeiras, de Anton Tchekov; A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho; Recompensa, de Ramada Curto; Os Anjos Não Dormem, de Armando Vieira Pinto; ou séries, como Cenas da Vida de Uma Actriz, doze episódios de Costa Ferreira, ao lado de sua mãe, Mimi Muñoz.

Regressa à comédia, contracenando com Virgílio Teixeira e Igrejas Caeiro em Mary-Mary no Teatro Variedades. Em 1965 Raul Solnado funda a Companhia Portuguesa de Comediantes (CPC), no recém inaugurado Teatro Villaret. Eunice recebe o maior salário, até aqui nunca pago a uma actriz dramática: 30 contos mensais. A peça de estreia é O Homem Que Fazia Chover, de Richard Nash, encenado por Alain Oulman. Seguiram-se interpretações de Tennessee Williams e Bernardo Santareno.


"As Raposas", de Lillian Hellman,
com Maria Lalande (1966).


Regressa ao Teatro Variedades e ao Teatro Experimental de Cascais onde protagoniza Fedra, de Jean Racine em 1967.

Em 1970 funda, com José de Castro, a Companhia Somos Dois, com a qual faz uma longa tournée por Angola e Moçambique, dirigida por Francisco Russo em Dois Num Baloiço, de William Gibson. Estreia-se na encenação com A Voz Humana, de Jean Cocteau.



Em 1971 volta ao palco do Teatro da Trindade (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), ao lado de João Perry para fazer O Duelo, de Bernardo Santareno. No mesmo ano integra uma nova formação artística no Teatro São Luís onde interpreta José Régio. Com a proibição pela censura, a poucas horas da estreia, de A Mãe, de Stanislaw Wiktiewicz, em que Eunice era a protagonista, o director da companhia, Luiz Francisco Rebello, demite-se e cessa a actividade desse conjunto prometedor.

Dedica-se, então, à divulgação de poetas que ama, quer em disco, quer em recitais, dando voz a Florbela Espanca ou António Nobre, voltando ao teatro para interpretar As Criadas, Jean Genet, juntamente com Glicínia Quartin e Lurdes Norberto, na encenação do argentino Victor Garcia, no Teatro Experimental de Cascais.

Faz uma longa tournée por África na companhia de Carlos Avilez, onde se contam as peças Fedra, de Jean Racine, e A Maluquinha de Arroios, de André Brun.

O silêncio de Eunice volta a instalar-se depois de 25 de Abril de 1974. Só regressa ao Teatro Nacional quatro anos depois, integrada na companhia do reaberto Teatro Nacional D. Maria II, onde viverá êxitos enormes, interpretando peças de Donald Coburn, John Murray, Bertolt Brecht, Hermann Broch, Athol Fuggard, Eurípedes, entre outros, trabalhando com encenadores como João Perry, João Lourenço ou Filipe La Féria em Passa por Mim no Rossio (1992).

Já na década de 90, aparece em filmes e telenovelas, como “A Banqueira do Povo” que deixa marcas indeléveis. Vítor Pavão dos Santos não hesita em dizer que foi “uma das grandes interpretações que se viu na televisão em Portugal, se não a maior”.

Aparecerá também em vários filmes, tendo uma interpretação antológica, em Manhã Submersa, de Lauro António (1980) e Tempos Difíceis, de João Botelho (1987).



Em 1991, celebram-se os seus 50 anos de Teatro, com uma exposição no Museu Nacional do Teatro, sendo Eunice condecorada, em cena aberta, no palco do Teatro Nacional, pelo Presidente da República, Mário Soares, quando invocava, de forma magistral, a figura de Estêvão Amarante, na revista homenagem, de Filipe La Féria.

A Maçon, escrito pela romancista Lídia Jorge propositadamente para Eunice, vai a cena em 1997 no palco do Teatro Nacional.

A Casa do Lago (2001), de Ernest Thompson, encenado por La Féria, foi a cena no Politeama em 2001.

Em 2006 representou pela primeira vez na casa a que deu nome, o Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, com a peça Miss Daisy, encenada por Celso Cleto.

Em 2007 co-protagoniza com Diogo Infante Dúvida, de John Patrick Shanley, sob a direcção de Ana Luísa Guimarães no Teatro Maria Matos. Em Maio de 2008 é agraciada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência.



Em 2009 regressa ao Teatro Nacional D. Maria II (sala Garret) com a peça O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, sob a encenação de Diogo Infante, e a música de João Gil, com um exigente monólogo baseado nas memórias da autora que depois de visitar a filha, internada com uma infecção generalizada, perde o marido durante o jantar, vítima de um ataque cardíaco.



Avassaladora.




Galardoada várias vezes ao longo da vida, não conseguiu fugir ao chamamento do teatro que lhe corria no sangue, apesar de algumas paragens pelo caminho. Conquistou o País com a humildade que se percebe nos grandes. “Eunice é uma actriz que ultrapassa o que é ser actriz”, diz o insuspeito historiador Vítor Pavão dos Santos.







Ao JER e à EUNICE, o nosso MUITO OBRIGADO, por serem o que são e por nos darem o prazer da vizinhança.






Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


29 de janeiro de 2010

ADEUS VILAVERDE!


Armando Lopes Vilaverde


Nasceu em 1929.

Desportista ecléctico, representou o CDPA em natação, futebol e hóquei em patins.

Já praticava futebol, quando começou a jogar hóquei, em 1946, no difícil posto de guarda redes.

Cedo se impôs à admiração dos técnicos e do público, pelo que a sua ascensão se processou em ritmo certo e acelerado.

Em 1951, ainda alinhava na 3a Categoria, foi seleccionado para representar a cidade de Lisboa no encontro com a selecção de Antuérpia (Bélgica), como suplente do "grande" Emídio Pinto. Jogou os últimos 7 minutos, não falseando a confiança nele depositada. Ao tempo, o caso foi sucesso e deu brado. Fora encontrado o sucessor do titular incontestado.



Foi Campeão Regional de Lisboa na 3ª Categoria em 1948/49/51; Campeão de Reservas em 1950 e 1951; Campeão da 1ª. Categoria em 1955; Campeão Nacional em 1955; Vencedor do Torneio Internacional de Lisboa em 1956; Campeão da Europa em 1956; Campeão do Mundo em 1956.



Treinou a famosa equipa do CDPA em hóquei em patins que em 1973 foi campeã em Infantis, donde sairiam António Fernandes, Alexandre Serra, Miguel Almas, António Rocha e Carlos Coelho, todos eles, pouco depois, seniores de nomeada, a maior parte internacionais.

Em natação, fez umas coisas engraçadas, especialmente em provas no rio. Em 16 de Agosto de 1950, na prova Caxias-Paço de Arcos, contribuiu para o excelente 4° lugar, o melhor de sempre que CDPA alcançou, formando equipa com José Alfaia e José Carvalho Pereira.

Em futebol foi guarda-redes titular, mas algumas vezes houve necessidade de alinhar lugares da frente.

Possui a Medalha de Ouro de Mérito e Dedicação do CDPA e a Medalha "Prémio Patrão Lopes" da área de Desporto da Junta de Freguesia de Paço de Arcos, que lhe foi concedida em 1995.



Armando Lopes Vilaverde deixou-nos hoje!



"OBRIGADO VILAVERDE"
Os Bardinos




Texto e fotos adaptados do livro"História do Clube Desportivo de Paço de Arcos", de José Coelho.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


16 de dezembro de 2009

FIGURAS DA VILA 21

CARLOS BONVALOT
PINTOR (1918-1934)

Carlos Bonvalot fixou residência em Cascais em 1918, mas só na última fase da sua vida se identificou mais profundamente com a terra, a partir do centro afectivo que foi a sua casa em Bem Lembrados, local do qual nos deixou registo de imagens sempre felizes, como sejam da casa em si mesma, do quintal, dos interiores, locais pontuados com a forte presença de figuras de mulheres e crianças.


Mesa de chá no jardim - Bem Lembrados, Cascais (1933)
Óleo s/ tela - Colecção Particular




Mulher e filhos do pintor (1932)
Óleo s/ cartão - Colecção particular



A Filha do Pintor (1930)
Óleo s/ tela - Colecção de José Carlos Bonvalot Bigio



A sua mulher, os filhos, a mãe são personagens que povoam os seus quadros, transmitindo uma forte presença feminina, graciosa e perfumada à sua pintura, tratando as manchas coloridas como formas plenas de carácter.


A Mesa do Chá (1925)
Óleo s/ tela - Colecção particular




Susana Bonvalot - Mulher do artista com coelho (N. dat.)
Óleo s/ tela - Colecção de José Carlos Bonvalot Bigio



Outra casa foi objecto da pintura de Carlos Bonvalot: o Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, do qual foi conservador desde 1932. Os quadros realizados captam a silhueta das arquitecturas exóticas, a capela de S. Sebastião mas, sobretudo, a beleza da vegetação primaveril.


Torreão do Museu Condes de Castro Guimarães (N. dat.)
Óleo s/ cartão - Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães



Bonvalot deixou-nos outros registos da doçura da luz azul dos verões de Cascais. Em trabalhos sobre o Forte do Jacinto e a Boca do Inferno, dá-se a união do azul do mar com os castanhos dos rochedos ocres da costa, num encontro singular entre proximidade e lonjura.


Farol de Santa Marta (N. dat.)
Óleo s/ cartão - Colecção Maria Teresa Bonvalot



Pintou também outros locais de Cascais, como esquinas de ruas na vila velha, a vegetação dos arredores a caminho do Guincho ou as aldeias do interior.


Senhora com uma criança numa rua de Cascais (c. 1932)
Óleo s/ tela - Colecção Maria Teresa Bonvalot




Rua de Cascais (1930)
Aguarela s/ papel colado em cartão - Colecção particular



Bonvalot pintou a Praia dos Pescadores em Cascais, num registo cosmopolita que consiste numa mistura hábil entre as funções antigas da praia - a preparação e a chegada da faina da pesca - e a sua recente vocação de palco da vivência estival burguesa.

Carlos Bonvalot tinha como projecto transpor para a pintura essa intensidade vivencial, não havendo documentação, no entanto, que nos elucide sobre a sua dimensão. Há alguns retratos isolados de pescadores e três retratos de grupo, dos quais sobressai "A Lota", de grandes dimensões e datado de 1933, e que foi enviado ao salão da SNBA desse ano, o último em que o artista participou.


A lota (1933)
Óleo s/ tela - Colecção particular



Tio Domingos (N. dat.)
Óleo s/ tela - Colecção Maria Teresa Bonvalot



No património artístico do concelho de Cascais, há ainda que referir o importante contributo de Carlos Bonvalot na nova decoração da Igreja de Santo António do Estoril, concretizada ao longo da década de 1920.


2º Projecto de decoração para o tecto
da Igreja de Santo António do Estoril (1928)
Aguarela s/ papel - Colecção de Maria Teresa Bonvalot




Estudo para a decoração do motivo central do tecto
para a Igreja de Santo António do Estoril (c. 1927)

Óleo s/ tela - Colecção particular



Podemos imaginar o gosto que o artista dedicou a esta encomenda, de algum modo complementar do trabalho de restauro que realizou sobre as pinturas do Mestre da Lourinhã, na Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Cascais.


Adoração do Reis Magos (Séc. XVI) Atribuído a Álvares Pires
Óleo s/ madeira - Igreja de Nossa Senhora da Assunção, Cascais



Essa circulação laboriosa entre o estudo e a salvaguarda do passado e a elaboração de obras capazes de continuarem os seus valores, é uma metáfora pertinente dos seus mais íntimos desígnios de artista. Mas deles fez parte também, a celebração pictórica do tempo que lhe foi dado viver, gentes e paisagens comuns em quem procurou insuflar sentimentos de eternidade.


Carlos Bonvalot no seu atelier




Nota - Os textos e as reproduções aqui inseridas encontram-se no catálogo da exposição "Cascais de Carlos Bonvalot", de onde foram reproduzidos e adaptados com a devida vénia e que agradecemos.



No início: Auto-retrato (1913)
Óleo s/ cartão - Colecção particular






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.