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18 de fevereiro de 2010

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 11


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Indústria



A actividade industrial desta vila foi, desde os tempos antigos, bastante considerável. Além de ser uma povoação de canteiros e pescadores, fazia a exploração de importantes pedreiras. Grande parte das cantarias empregadas nas obras de construção do Terreiro do Paço, obra grandiosa que se ficou devendo ao grande estadista Marquês de Pombal, o reedificador de Lisboa, foram extraídas do seu solo.

As imensas pedreiras que existem, desde a Ribeira da Lage até às margens do Jamor, são as provas imorredoiras desse facto. Mais tarde, foram também extraídas delas as cantarias com que Herrent construiu o famoso porto de Lisboa. Estas importantes pedreiras têm dado, através dos séculos, grande movimento industrial e comercial à terra.

No perímetro da freguesia existem as seguintes indústrias:

Fábrica "Couraça"


No extremo poente da vila de Paço de Arcos, nos terrenos que ficam entre a antiga estrada nacional n.º 11, hoje Rua Costa Pinto, e a linha férrea, está instalada uma fábrica de matérias-primas aromáticas, pertencente à Organização Portuguesa de Perfumarias «Couraça» e que é, não só a primeira que se montou em Portugal, como, em muitos dos seus aspectos, única no País. É, também, a mais importante de Portugal e uma das mais importantes da península.

Esta fábrica começou por funcionar num barracão que existe ao norte da linha férrea, conhecido por barracão da Vilalonga, onde foi instalada, em Outubro de 1928, pelos Srs. Hildebrando e Ismael de Borja Reis Teixeira, ao tempo gerentes da Organização «Couraça», com o fim de produzirem glicerina, pois que esta importante matéria-prima não se produzia, então, em Portugal e a organização, de que eram gerentes, consumia grandes quantidades para o fabrico dos seus dentífricos.

Começou por ser uma fábrica de sabão e glicerina, que, mais propriamente, se deveria intitular fábrica-Iaboratório e não simplesmente fábrica, uma vez que não se passou de experiências, embora de certo vulto.

Após diligências várias, a indústria da glicerina foi vendida à Companhia União Fabril e procedeu-se à primeira montagem da indústria das matérias-primas aromáticas.

Entretanto, deu-se o falecimento do Sr. Hildebrando Teixeira e a fábrica continuou girando sob o nome individual de Ismael Teixeira, tendo-se, então, dissolvido a firma Reis Teixeira (Irmãos), Limitada.

Em fins de 1938 deu-se a fábrica como montada e começaram os fabricos de óleos essenciais, os primeiros que se fizeram em Portugal. Logo nos princípios de 1939 foi iniciada a sua exportação para a Holanda e França.



Dentro de pouco tempo estavam conquistados mercados difíceis, como os Estados Unidos da América, Inglaterra, Checoslováquia, Palestina, Egipto, Brasil, etc.

Vista a dificuldade de abastecimento de óleo de eucalipto da Austrália, país principal produtor deste óleo, desenvolveu-se ao máximo o seu fabrico e, graças a esses esforços e à montagem de postos volantes de distilação e um grande posto fixo no Alentejo, a fábrica de Paço de Arcos conseguiu, com as suas exportações, fazer com que Portugal passasse de País não produtor para o segundo lugar dos países produtores de óleo de eucalipto em todo o mundo, lugar que, cremos, ainda hoje ocupa.

Graças às exportações das matérias-primas aromáticas produzidas em Paço de Arcos e às fábricas a elas ligadas, Portugal, hoje, quase que equilibra a sua balança comercial no ramo de perfumarias, devendo-se salientar que com esta indústria muito veio beneficiar a economia local e nacional.

De plantas sem valor algum, senão para camas de gado, extraem-se hoje produtos de real valor. Na apanha dessas plantas empregam-se centenas de portugueses, que desta actividade tiram o sustento próprio e o da família; essas plantas são classificadas por botânicos portugueses (estes manifestaram a sua surpresa e confessaram ser a primeira vez que uma entidade particular recorria aos serviços de botânicos).

O transporte emprega pessoal condutor e carregador português; o seu tratamento na fábrica é feito por portugueses, assim como portugueses são os técnicos que dirigem todo o trabalho e fazem as análises e controles químicos, e até o pessoal de escritório promove as vendas e trata das expedições.

A par disto, a totalidade do capital investido e que soma hoje milhares de contos só na fábrica de Paço de Arcos, é totalmente português. Trata-se, pois, de uma indústria 100 por cento portuguesa e cujos produtos são na sua quase totalidade (mais de 91 por cento) exportados para o estrangeiro. Os restantes 10 por cento são quase integralmente absorvidos pela Organização «Couraça» para os seus vários produtos de perfumaria e para os óleos compostos com que se perfumam mais de 50 por cento dos artigos de perfumaria que se vendem no Império Português.

Hoje, esta indústria é a mais importante de Paço de Arcos e veio empregar muitos filhos desta terra e fixar nela outros que de longes terras vieram. Além disso, a manipulação de tão grandes massas odoríferas, enche a vila de Paço de Arcos de um aroma agradabilíssimo, dando-lhe um ambiente e uma salubridade que nenhuma outra terra portuguesa tem.


Quer seja alfazema, tomilho, eucalipto ou rosmaninho que se distile na fábrica, o seu aroma é tão largamente espalhado, que os marítimos, mesmo de olhos vendados, saberiam que estavam em frente de Paço de Arcos, principalmente quando o vento sopra do norte, o que acontece nesta região na maior parte do ano. A situação da fábrica ao norte da vila mais facilita esta acção perfumística, que denuncia a localização de Paço de Arcos.





(Outras Fábricas)

- Importantes oficinas de construção de máquinas de moagem, de Eduardo Gomes. Constroem carros e carroças. Fazem reparações em motores de explosão, máquinas a vapor, motos, cabeças para moinhos e bombas para poços, guindastes, etc. É nesta oficina que se fabricam os carros que o Socorro Social tem distribuído pelos pobres do País.
Tem serralharia mecânica e civil, carpintaria de moagens e de carrousseries, ferraria e bate-chapas, zincagem e estanhagem eléctrica, etc.

- A Selecção Apícola, de José B. de Campos Pereira, única no seu género em todo o País, tem a sua sede nesta vila, onde mantém uma manufactura de colmeias móveis e todos os utensílios apícolas, alguns dos quais, modelos da sua autoria, patenteados e aprovados pelo Posto Central de Fomento Apícola, do Ministério da Economia. Foi nomeado delegado da Comissão Regional de Apicultura, em virtude dos seus profundos conhecimentos da especialidade.

- Fábrica de Mosaicos, da firma F. B. Mendonça, Limitada.

- Fábrica de Serração de Madeiras, de Júlio Vitorino Assis & Irmão.

- Fábrica de Bolos, de Manuel Pinhanços, onde se fabricam os afamados «cacetes» e outros doces regionais.

- Fábrica de Refrigerantes.

Está em construção uma fábrica de esmalte, de Freire Gravador.

Paço de Arcos é, pois, um importante centro industrial.





Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.





Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



28 de janeiro de 2010

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 10


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Associações de recreio

Clube Desportivo de Paço de Arcos
- campeão nacional de oquei em patins -


Um grupo de rapazes de Paço de Arcos, aproveitando-se da existência de um rink de patinagem, resolveu, em Agosto de 1938, formar um clube de oquei em patins.

Para realizarem o seu desiderato quotizaram-se entre si e fizeram uma subscrição, que, graças ao bairrismo desta gente, rendeu o suficiente para a criação do clube.


Passado pouco tempo ajustaram-se dois encontros com o Rádio Clube Português. Estes dois desafios tiveram o condão de não só entusiasmar os habitantes da vila, mas também de aliar ao grupo inicial outros rapazes. O Paço de Arcos Oquei Clube era uma realidade.


A equipa que, pela 1ª vez representou o P.A.H.C.
oficialmente, em 11 de Junho de 1939.
Da esq. para a dt.:
Manuel Pórcio, Fernando Pires Moreira, José da Mata Raposo,
Leocádio Pórcio e Manuel Gomes.



Em 1939, as equipas, orientadas por Artur Gomes, começaram a disputar o campeonato de Lisboa.

E, foi assim que em 1940 conseguiu um honroso 2." lugar no campeonato de Lisboa, ficando à frente de equipas categorizadas e experimentadas como o Sporting e o Benfica.


Em 1941 ganhou a Taça de Honra. Em 1942 obteve o título de campeão de Portugal.

No ano seguinte, 1943, ganhou a Taça de Honra e o campeonato de Lisboa.

Depois, de vitória em vitória, o Paço de Arcos Oquei Clube caminhou firme e rapidamente até alcançar a posição que hoje desfruta da melhor equipa portuguesa de oquei em patins.



A equipa que ganhou o 1º título oficial para o P.A.H.C.
De pé da esq. para adt.: José Raposo, Manuel Gomes, Carlos Vieira
e Artur Gomes (treinador). Em baixo: Jesus Correia,
Emídio Pinto e António Henriques.



Em 1944 fundiu-se com outros clubes e tomou a designação de Clube Desportivo de Paço de Arcos.

Neste ano ganhou a Taça de Honra, Campeonato de Portugal, Campeonato de Lisboa (1." e 2." categorias) e Torneio de Abertura. Obteve todos estes títulos numa só época.


A segunda categoria deste clube conseguiu ganhar o Campeonato de Lisboa (2ª. categoria) nos anos de 1942, 1943, 1944 e 1946.

O resultado mais expressivo em encontros oficiais de primeiras categoria verificou-se contra o Cascais (20-0).

No ano de 1945 ganhou apenas o Campeonato de Portugal.

Compondo-se apenas de elementos de Paço de Arcos, as suas equipas contam os melhores jogadores do País, tais como os internacionais Jesus Correia e seu primo Correia dos Santos, que são, indubitavelmente, os melhores avançados portugueses de todos os tempos.


1947 - Campeão Nacional
De pé, da esq. para a dt.: Jesus Correia, Emídio Pinto
e José Raposo. Em baixo, pela mesma ordem:
Manuel Gomes, Correia dos Santos e António Henriques.



Em Maio de 1916 o Clube deslocou se a Espanha onde disputou quatro jogos, todos com resultados vitoriosos e as suas exibições foram de tal maneira convincentes, que a imprensa espanhola não lhe regateou aplausos, tendo classificado os jogadores do Clube Desportivo de Paço de Arcos como «verdadeiros mestres do oquei em patins».

Para o extraordinário sucesso desta modalidade de desporto em Paço de Arcos contribuíram, além do espírito desportista e bairrismo dos jogadores, muitas pessoas, destacando-se Domingos Silva e Leonel Costa como treinadores dedicados e proficientes.

A primeira categoria de oquei em patins do Clube Desportivo de Paço de Arcos, que jogou em Espanha, onde obteve quatro vitórias e que em Portugal já ganhou cerca de setenta taças, é constituída pelos seguintes jogadores: Emídio Pinto (capitão do grupo), António Henriques, Manuel Gomes, Jesus Correia, Correia dos Santos e José Raposo (suplente).

Segunda categoria: António Aguiar Valente, Armindo Neves, Rogério Maia, João Trindade e José Raposo.

Finalmente, a terceira categoria compõe-se de: Manuel Antunes, Horácio Matias, António do Carmo, Carlos Ramos e Rui Lince.

Paço de Arcos criou nome em todo o País e no estrangeiro, principalmente na Espanha e na Suíça, por triunfos conseguidos pelo seu grupo de oquei em patins, que é hoje, como acima fica dito, a melhor equipa portuguesa desta actividade desportiva.

O Clube Desportivo de Paço de Arcos tem as seguintes secções: atletismo, basquetebol, futebol, ginástica, natação, oquei e patinagem, remo, ténis, tiro e vela.


A juventude radiosa de Paço de Arcos voltou-se para o mar. E hoje já tem muitos e bons velejadores. Voltaram de novo as regatas e provas de natação.




Regatas de Paço de Arcos


Este mapa é a cópia fiel dos que a Real Associação Naval usava nas regatas de Paço de Arcos em 1852 1853, 1854, 1855, 1056. etc., das quais o Sr. Conde das Alcáçovas era a alma e os Srs. Abei Powell Dagge, L. F. Moser e D. Garland os seus mais devotados colaboradores.


Aspecto de regatas realizadas em Paço de Arcos.

Mais tarde é que outros nomes se evidenciaram em colaboração com estes, tais como: os Srs. Visconde da Carreira, Francisco Soares Franco, Marquês de Fronteira, Frederico F. Pinto Basto, José Lourenço da Luz, Duque da Terceira, Marquês de Ficalho, Marquês das Minas, Conde de Farrobo, Barão de Lazarim e tantos outros.


Outro aspecto de regatas realizadas em Paço de Arcos.


A Real Associação Naval, fundada em 1856, foi o único clube naval fundado por decreto régio, por proposta do Sr. Visconde de Atouguia e representação do Sr. Conde das Alcáçovas a Sua Magestade.




Orfeão de Paço de Arcos

Grupo do antigo Orfeão de Paço de Arcos.

Em princípios do ano de 1929, alguns entusiastas da música coral, residentes em Paço de Arcos, pensaram em organizar um orfeão e para a sua direcção artística convidaram o maestro Gustavo de Lacerda que, da melhor vontade e desinteressadamente, acedeu àquele pedido.

Organizado o grupo, à medida que se intensificavam os ensaios, aumentava o entusiasmo e também o número de orfeonistas, até que em 15 de Outubro do mesmo ano o Orfeão fez a sua apresentação no Cine-Teatro desta vila, em espectáculo completo, com duas partes preenchidas pelo Orfeão e uma de solos de canto, piano e violino, desempenhada por orfeonistas.

O sucesso foi retumbante, o que deu em resultado o grupo aumentar, sendo agregados os naipes femininos, que mais realce vieram dar com a frescura das suas vozes.


Instalou-se a sede no Casino Vitória e criaram-se aulas de solfejo, piano e violino, regidas pelas professoras D. Dália de Lacerda, D. Maria Isabel de Sales Baptista e maestro Gustavo de Lacerda. Os seus resultados em breve se manifestaram pela criação de uma pequena orquestra de salão, que tomou parte em vários espectáculos.

Também foi organizado um grupo teatral, sendo desempenhadas algumas peças musicadas, como as operetas Gheisa, Ceifeiras do Alentejo. Serranos, etc., e algumas comédias.

Além de muitos concertos realizados em Paço de Arcos, o Orfeão também se fez ouvir, sempre com muito agrado, em Cascais, Torres Vedras, Queluz, Dafundo e Lisboa num concerto oferecido aos ceguinhos do Asilo-Escola António Feliciano de Castilho.


Cine-Teatro de Paço de Arcos



Entre os vários artistas que colaboraram nos concertos do Orfeão de Paço de Arcos, contaram-se a cantora D.Isabel Bergstom, o saudoso tenor José Rosa, o tenor Almeida Cruz e a pianista D. Dália de Lacerda.

Efémera foi a vida do Orfeão. Em quatro anos de existência, colheu fartos aplausos nas suas noites de glória. A dispersão de alguns dos seus melhores elementos, a falta de tacto administrativo de outros, foi a sua ruína. E foi pena que se extinguisse, porque Paço de Arcos podia orgu¬lhar-se de ter um dos melhores agrupamentos corais de todo o País.




Casino de Paço de Arcos


Na Avenida Marquês de Pombal encontra-se um edifício que tem uma larga varanda envidraçada e na qual se lê a seguinte legenda: «Clube Desportivo de Paço de Arcos».

É aqui que está instalado o clube que deu brado no seu tempo Foi inaugurado, no dia 9 de Setembro de 1875, sob a presidência do Sr. Marquês de Fronteira. Houve baile muito concorrido e pomposo.


Brilhantes festas ali se realizaram com a assistência da alta aristocracia veraneante e, algumas vezes, tiveram a presença da família real e dos próprios soberanos.

Era, nesse tempo, iluminado a gás.

Os pares dançavam ao compasso das valsas, mazurcas ou polcas, executadas por um pianista, que atendia os pedidos da assistência. As noites de domingos e quintas-feiras eram de gala e, então, havia quarteto.


As senhoras paramentavam-se a preceito, sendo considerado de muito bom gosto, nessa época, vestirem-se de claro — saia de lã e blusa de seda. Diz Maria Archer que «neste clube se murmurava de tudo — dos vestidos, dos namoros, das relações, dos parentescos, do que era e do que queria parecer.

Ao som das valsas enforcavam-se reputações. Vespeiro de disputas, que só o perpassar de gerações acalmou definitivamente».


É neste edifício que, actualmente, está instalado o Clube Desportivo de Paço de Arcos.






Tauromaquia — O Cavaleiro Fernando Ricardo Pereira


Em Julho de 1901 saiu, em número único, O cavaleiro — jornal dedicado ao exímio cavaleiro Fernando Ricardo Pereira pelos seus amigos de Oeiras e Paço de Arcos.

Transcrevemos do referido jornal o seguinte: «constituem as touradas na Península o divertimento nacional por excelência aquele que, dentre todos, nos faz vibrar a alma por um estranho estímulo em que à recordação de brilhantes lutas passadas se alia a ideia dum espectáculo grandioso de luta entre força inteligente e educada e a força selvagem e mil vezes superior da fera que deante de nada recua, que de nada se teme! Compraz-se o homem em mostrar que, débil do corpo mas forte de engenho lhe é fácil iludir força bem superior. Hoje em dia, era de civilização e progresso, parece que mais do que nunca se procura pôr em prática o velho aforismo romano — mens sana in corpore sano - e por toda a parte o Sport recebe enorme incentivo. Lá fora o exercício físico é considerado por todos como cousa necessária à saúde e portanto à vida. O divertimento nacional, aquele que mais fundamente impressiona o sentimento popular e mais comoção lhe dá é a tourada. Das nossas especialidades tauromáquicas uma ressai e se salienta dentre todas as outras pela sua dificuldade e pelo seu brilhantismo: é o toureio a cavalo. É talvez o ramo mais completo e difícil da arte de tourear; com muita soma de justiça nos podemos vangloriar dessa especialidade pertencer genuinamente à lide portuguesa».

Fernando Ricardo Pereira foi um dos que se dedicou a essa difícil arte.

Este exímio cavaleiro se não foi uma notabilidade na tauromaquia nacional foi, na verdade, um dos cavaleiros mais arrojados e um dos que mais procurou variar o trabalho sem nunca deixar de observar os preceitos da arte.

Logo na tarde em que fez a sua estreia como amador, em uma corrida promovida por sua própria iniciativa, na extinta Praça da Cruz Quebrada, a 19 de Junho de 1892, Ricardo Pereira poude evidenciar-se em toureiro elegante e valente.

Em uma tourada realizada na Praça de Vila Franca, na tarde de 13 de Junho de 1893, o seu trabalho foi de tal ordem que, achando-se Alfredo Tinoco num camarote assistindo à corrida, recebeu Fernando Pereira daquele insigne cavaleiro a maior honra a que até então podia aspirar: Tinoco desceu á arena e abraçando-o efusivamente aconselhou-o a prosseguir na carreira tão brilhantemente encetada!

As palavras daquele chorado toureiro, uma das maiores celebridades tauromáquicas, parece terem encontrado eco no ânimo de Fernando, porque demonstrando nas primeiras corridas em que entrou, aliar à sua natural propensão uma serenidade e sangue frio notáveis, em breve conseguiu trocar o nome de amador pelo de artista, recebendo a alternativa das mãos de Manuel Mourisca, o glorioso mestre dos nossos cavaleiros, na corrida efectuada no Campo Pequeno em 21 de Abril de 189í.

De então para cá, Fernando deu as mais irrefutáveis provas do seu valor, evidenciando de ano para ano dotes artísticos que nem a todos é lícito conquistar.

Ao Exmo. Sr. Fernando Ricardo Pereira, distinto amador tauromáquico, pela ocasião do seu debute na Praça do Campo Pequeno, em 29 de Outubro de 1093:

Aqui n'esta arena onde a arte se apruma,
Nivelam-se artistas de sumo primor:
As provas do génio que em ti predomina,
Te elevam à glória de um bom lidador.


Era pena então ficar-se
Envolvido em densas trevas
Esse génio, em que te elevas,
Justo foi aqui mostrar-se.

Destemido cavaleiro,
Qual artista consumado.
És glória dos conterrâneos,
Que sem favor te hão louvado.

Prossegue, não canses, que exímios toureiros,
Já citam teu nome de excelso amador!
Aceita estes versos, não são lisongeiros,
Pois só me inspirou teu denodo e valor!
B. H. C.

Paço de Arcos teve durante muitos anos uma bela praça de touros.

Filipe Taylor foi no seu tempo um dos melhores forcados e atletas do País.


Dr. João Moreira Rato, embora novo na arte de tourear, é presentemente, pelo seu valor e muito já evidentemente demonstrado, um cavaleiro popular e querido dos amadores de touradas.





Filipe Taylor —O atleta de maior popularidade no seu tempo

Filipe Taylor

Vive nesta vila uma figura veneranda que foi no último quartel do século XIX o primeiro atleta português em pesos e alteres.

Embora de origem britânica, Filipe Taylor, foi sempre e continua sendo um bom português, tendo começado a sua vida desportiva como ciclista, em que fez na sua bicicleta percursos notáveis.

Como atleta, o seu trabalho era realmente de valor.


Pondo uma barra especial conhecida por «barra do Filipão» que pesava 90 quilos, ao dispor do público, antes do espectáculo para alguém a levantar, que nunca ninguém conseguiu, era depois quando ele a erguia num braço só, o motivo para uma apoteose popular.

Em 1896, toda a gente de Lisboa conhecia o homem das forças do Real Ginásio Clube Português.

Como moço de forcados amador, nas praças do Campo Pequeno e Algés e em diferentes da província, ele distinguiu-se sempre e foi sempre alvo de estrepitosas ovações.



Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



21 de janeiro de 2010

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 09


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Associações de Beneficência


Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários

Paço de Arcos orgulha-se de contar com uma corporação composta de 41 homens decididos, soldados da Paz, que têm por lema “dar a vida por vida do seu semelhante”.

A sua fundação data de 30 de Outubro de 1893.

Foi considerada de utilidade pública e possui a Ordem de Benemerência, condecoração oferecida em 1940 pela Associação Comercial do Concelho de Oeiras e a Medalha de Ouro do Instituto de Socorros a Náufragos, concedida em 17 de Abril de 1933 por Sua Excelência o Senhor Ministro da Marinha, Almirante Magalhães Correia.



José de Oliveira Raposo,
comandante fundador dos BVPA.


O primeiro comandante fundador da Corporação foi o Sr. José de Oliveira Raposo. Depois, em 1927, foi seu comandante o Sr. Carlos Vieira Ramos, que se dedicou com todo o entusiasmo à reorganização e comando desta benemérita Corporação de Bombeiros.

Foi eleito presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, que representou em vários congressos não só no nosso País como no estrangeiro, bem como na coroação do Rei de Inglaterra, Jorge VI.

O seu actual 1º comandante é o Exmo. Sr. José de Jesus Teixeira Júnior, que é presentemente um dos comandantes mais competentes do País.

Representou os bombeiros portugueses no Congresso Internacional do Fogo, realizado em Paris em 1937, sendo nomeado em Dezembro, delegado do Comité Technique International de Prevention et Extinction du Feu.

O corpo activo compõe-se de:

Serviço de Incêndios;
Serviço de saúde;
Socorros a náufragos.


Serviços de incêndios

Têm-se revelado homens decididos e competentes, sob o ponto de vista técnico, em diversos incêndios de vulto, tais como o ocorrido em Dafundo, na residência do Sr. Blech em 1904, e no Palácio de Queluz, em que foram louvados pelo Sr. Governador Civil de Lisboa e nas inundações de 27 de Novembro de 1937, em Laveiras, Caxias e Lagoal, onde salvaram várias pessoa e os seus bens.


Serviço de saúde

Tem um posto instalado no quartel, onde tem prestado assistência a muitas pessoas vítimas de acidentes de viação e às classes pobres da vila.


Socorros a náufragos

Como tripulantes do salva-vidas, têm prestado óptimos serviços no salvamento das embarcações em perigo de naufrágio, tendo-se distinguido pelos seus feitos o saudoso 2º comandante Joaquim Pereira dos Santos e o chefe de secção Francisco José de Carvalho.



A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos teve uma banda de música da qual foi regente o grande maestro Raúl Portela e director da banda João Roquete Trindade. Foi pena que se extinguisse, porque esta vila podia orgulhar-se de que tinha uma das melhores bandas de música do país.



Instituições desta natureza merecem todo o nosso carinho e nunca é de mais salientar o seu lema “vida por vida” para que os habitantes de Paço de Arcos continuem a dispensar-lhe o seu auxílio moral e material.

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Associação de Socorros Mútuos

Esta benemérita Associação foi fundada, no dia 5 de Abril de 1893, pelos saudosos Joaquim Moreira Rato, Celestino José Ferreira, Carlos Vieira Ramos, Tomás Vieira Ramos, José de Oliveira Raposo e pelo único sobrevivente Sr. José Moreira Rato.

Casa dos Rapazes

Tem, pois, cinquenta e três anos de existência. Está instalada no Largo do Conde das Alcáçovas, 1, que podia, justamente, chamar-se largo da caridade, visto que nele se situam, além da Associação de Socorros Mútuos, o Lactário, a Casa dos Rapazes e a Casa dos Raparigas, as Conferências da Sociedade de S. Vicente de Paulo, o Apostolado da Oração e organismos da Acção Católica.

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O Lactário

Esta instituição de beneficência criada, em Maio de 1941, pelas Senhoras D. Fernanda Silva, D. Elisabeth de Almeida, D. Elisa Monteiro e D. Angelina Barata, está instalada no edifício do Núcleo de Instrução e Beneficência, que cedeu uma das suas salas para o consultório médico que começou a funcionar em Junho do ano acima mencionado.

Foram os membros da direcção do Núcleo, José Moreira Rato e Vergílio Almeida, nomeados seus representantes junto da comissão dirigente do Lactário, que lhe deram a sua valiosa colaboração.

A comissão dirigente tem sido auxiliada por um grupo de meninas que têm sido incansáveis, ajudando o serviço médico e visitando as crianças protegidas pelo Lactário, que fornece às crianças leite, farinha, medicamentos, roupa e calçado.

Em 1945 dispendeu 17.772$. O número dos sócios inscritos em 1945 é apenas de 171, com uma quotização de 7.524$50. Foram protegidas 155 crianças até Setembro de 1946. O número de consultas em 1945, foi de 760; pensos, 73;injecções, 194, vacinados, 44.

Sem o valioso auxílio dos distintos clínicos Drª. D. Josefina Casqueiro Ramos e Dr. Anselmo de Oliveira, o Lactário não poderia existir. O serviço médico, graciosamente mantido pelo Sr. Dr. Oliveira e Dra. Josefina, merece os melhores elogios.

O primeiro médico do Lactário foi o Dr. Anselmo de Oliveira que ainda hoje presta os seus serviços coadjuvando a Exma. Sra. Dra. D. Josefina Casqueiro Ramos, que há três anos tem a direcção clínica do Lactário com uma dedicação digna dos maiores louvores. São os verdadeiros sócios beneméritos desta instituição que merece o carinho e o auxílio moral e material do povo de Paço de Arcos.

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Conferências de S. Vicente de Paulo

Das associações de beneficência, aquela que merece todo o nosso auxílio e todo o nosso carinho é a Sociedade de S. Vicente de Paulo.

As Conferências de Nossa Senhora da Bonança e do Senhor Jesus dos Navegantes, fundadas em 30 de Junho de 1941 e agregadas a 9 de Junho de 1942, procuram, dentro dos preceitos da Sociedade de S. Vicente de Paulo, levar certo conforto moral e material a alguns pobres de Paço de Arcos.

As suas despesas são de algumas dezenas de escudos por semana, sendo as suas receitas constituídas pelas quotas dos sócios subscritores, pelo produto das colectas dos confrades e pelo peditório feito todos os domingos e dias santificados, no fim da missa paroquial, à porta da Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes.

O Sr. Dr. Borges de Castro, distinto advogado em Mondim de Basto, que durante algum tempo viveu em Paço de Arcos, foi o confrade fundador destas conferências, tendo presidido à sua sessão inaugural, Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Manuel Trindade Salgueiro, venerando Bispo de Helenópole.

A alma das referidas conferências foi, incontestavelmente, a primeira vice-presidente da conferência feminina, D. Leonor Faria Gomes.

O primeiro presidente da conferência masculina desta vila, foi o Sr. Dr. António da Costa Cabral, nosso ex-ministro plenipotenciário em Berlim. S. Exª. Ainda hoje se digna honrar a dita conferência, mantendo-se no mesmo cargo. Os restantes membros da direcção são os Srs. Coronel Campos e Sousa e Francisco Abreu, vice-presidentes; João Freitas, tesoureiro; Octávio Campos e Sousa, secretário.


A primeira presidente da conferência feminina desta vila foi a Exma. Sra. D. Joana Monteiro Pais.

A mesa actual é constituída pelas Exmas. Sras. D. Maria de Oliveira Monteiro, presidente; D. Carlota Morato Campos e Sousa, vice-presidente; D. Isaura Celeste Domingues Tavares, secretária; D. Clarice da Conceição Ganchas Gabriel, tesoureira.


Esta conferência está florescentissima, podendo mesmo considerar-se modelar, para o que tem decididamente contribuído a acção verdadeiramente apostólica da alma de elite da sua actual presidente.



Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.


Fotos dos BVPA extraídas do site da AHBVPA.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez
.


28 de dezembro de 2009

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 08

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FIGURAS ILUSTRES QUE VIVERAM
EM PAÇO DE ARCOS




LUCIANO CORDEIRO


Nomes ilustres na vida política e literária portuguesa, nomes de homens que se distinguiram pelo seu talento e pelo seu heroísmo habitaram, por períodos mais ou menos longos, a vila adormecida à beira do Tejo.

D. ANTÃO MARTINS HOMEM - Viveu, no Palácio dos Arcos, em 1490.

D. TERESA EUFRÁSIA DE MENESES - Instituidora do morgadio em Paço de Arcos, viveu em 1698 no Palácio dos Arcos e cedeu o terreno para a construção da capela do Senhor Jesus dos Navegantes.

D. JORGE HENRIQUES PEREIRA DE FARIA - 8º Senhor das Alcáçovas, de Reguengo de Alcalá e de Figueiró da Granja, veador da Rainha D. Maria Sofia de Neubourg, encarregado por D. Pedro II da educação dos infantes D. António e D. Manuel, foi o primeiro dos Alcáçovas que habitou o Palácio dos Arcos.

VISCONDE DE BESSONE, TOMÁS MARIA BESSONE - Rico comerciante da praça de Lisboa, Visconde de Bessone, desde 22 de Outubro de 1870, mandou edificar o palacete da Quinta do Relógio, onde viveu durante muitos anos.

D. CAROLINA CORONADO - Célebre poetisa espanhola e senhora de sociedade que recebeu durante muito tempo no seu palacete cor de rosa a visita dos grandes escritores portugueses, Fialho de Almeida, Júlio de Castilho e Sousa Viterbo.

HORÁCIO JUSTAS PERRY - Encarregado de negócios dos Estados Unidos em Madrid, casado com a grande poetisa Carolina Coronado, comprou a Quinta do Relógio ao Visconde de Bessone e nela viveu bastante tempo.

A CÉLEBRE FAMÍLIA MENESES - Que habitou na Quinta da Terrugem, onde deram festas encantadoras no seu palacete de tradição secular. Convidavam para estas festas a nobreza da região, em especial a Condessa da Torre, toda a família Meneses, os Saldanhas, a Viscondessa do Torrão, a Viscondessa de Barcelinhos, a Baronesa de Salvaterra de Magos, a Viscondessa de Andaluz, Mascarenhas, Lencastres, etc.

D. JORGE DE MENESES - Que evitava a corte e amava a vida da lavoura e da caça, era casado com D. Leonor Clara de Portugal, que era conhecida na corte e em toda a cidade de Lisboa por a "Flor da Murta", foi amante do Rei D. João V, o Magnânimo. D. Jorge de Meneses viveu cinco anos entre os muros da Quinta da Terrugem, lavrando, cavando, educando os filhos, indiferente à "glória" da Flor da Murta.

OS MARQUESES DA FRONTEIRA, OS VISCONDES DE CORUCHE, MARQUESES DE POMARES E CONDE DE PORTO COVO - Tinham nesta localidade as suas belas moradias. Não faltou portanto a fidalguia. "Altas personagens de real e elevada jerarquia vieram com a sua presença enobrecer e aumentar o brilhantismo do sítio já de si tão alegre e distinto".

LUCIANO CORDEIRO - Distinto escritor que no verão de 1895 escreveu em Paço de Arcos o livro intitulado "Como se perdeu Ormuz".

JAIME ARTUR DA COSTA PINTO - Pela sua influência, quer como deputado, quer como presidente da Câmara, conseguiu importantes obras, entre outras, a ampliação e conclusão da Avenida Marquês de Pombal e a abertura da Avenida Patrão Joaquim Lopes. Paço de Arcos prestou-lhe na devida oportunidade as homenagens de gratidão de que se tornou digno e ainda hoje a sua memória é evocada com merecida saudade.

LINO DA ASSUNÇÃO - Orador de mérito que proferiu um belo discurso sobre a vida heróica do Patrão Lopes, na sessão solene, realizada em 21 de Agosto de 1896, para a inauguração do retrato do herói na Estação de Socorros a Náufragos.

E tantos outros de difícil enumeração.

Entre os homens que viveram em Paço de Arcos e que mais se distinguiram pelo seu heroísmo ergue-se, como estrela de primeira grandeza, a figura legendária do benemérito Patrão Joaquim Lopes.





Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 07

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FIGURAS ILUSTRES NASCIDAS
NA VILA DE PAÇO DE ARCOS


Paço de Arcos teve e tem alguns filhos ilustres.


CONDE DE PAÇO DE ARCOS

Nasceu nesta localidade em 14 de Dezembro de 1834, tendo aqui aprendido as primeiras letras. Oficial distinto da nossa Marinha de Guerra, desempenhou o lugar de Governador de Macau. Mais tarde foi nomeado Governador Civil de Lisboa. Foi deputado e par do reino. Em 1891, nomeado nosso Ministro Plenipotenciário no Brasil, ali teve recepção brilhante pela colónia portuguesa.



PEDRO CORREIA DA SILVA ( Irmão do Conde de Paço de Arcos)

Nasceu, também, nesta povoação. Foi um jornalista distinto, fundador de vários jornais, devendo-lhe como editor a publicidade de várias e importantes obras.



CONDE DE S. JANUÁRIO

Foi outro varão ilustre que nasceu em Paço de Arcos, no dia 31 de Março de 1829. Militar distinto, foi, como seu primo, o Conde de Paço de Arcos, Governador de Macau e Timor. Alistou-se no partido progressista e exerceu as funções de Governador Civil do Porto e Braga. Também sobraçou, em épocas diferentes, por mais de uma vez, as pastas da Marinha e da Guerra. Foi nomeado nosso Ministro Plenipotenciário na China.



CARLOS BONVALOT

Pintor ilustre e aluno laureado das Academias de Belas Artes, de Lisboa e de Paris. Em muitos museus do País há belos trabalhos, que revelam o seu verdadeiro génio artístico. Morreu novo, quando ainda havia muito a esperar da sua vocação para a arte que abraçara. É obra sua a pintura dos quadros que ornamentam o tecto da igreja de Santo António do Estoril.



CARLOS VIEIRA RAMOS

Comissário dos Serviços de Emigração e autor de vários livros sobre essa especialidade. Nos fins da sua vida dedicou-se, com todo o entusiasmo, à reorganização e comando da benemérita Corporação dos Bombeiros Portugueses, que representou em vários congressos, não só no nosso País, como no estrangeiro.





Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


7 de dezembro de 2009

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 06

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Armas - Bandeira - Selo


Parecer acerca das armas, bandeira e selo da freguesia de Paço de Arcos, elaborado pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, e aprovado em reunião de 20 de Dezembro de 1935:

Vila de Paço de Arcos, concelho de Lisboa, distrito de Lisboa.

Parecer apresentado por Afonso de Dornelas à Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 20 de Dezembro de 1935.

A Junta de Freguesia de Paço de Arcos solicitou da Associação dos Arqueólogos Portugueses que lhe fossem estudadas as suas armas para poder ter o seu selo e a sua bandeira.

Esta antiga povoação foi elevada à categoria de vila em 9 de Dezembro de 1926, por decreto-lei nº. 12:783, em atenção ao seu importante desenvolvimento. A principal importância desta vila vem da sua bela praia balnear, considerada uma das melhores das proximidades de Lisboa.

O seu nome é devido ao mais antigo palácio ali construído, que tem dois torreões, entre os quais está um terraço sustido na frente por três arcos. O mar forma, em frente de Paço de Arcos, uma vasta enseada, o que torna a sua praia preferida por muitas famílias de Lisboa e de outros pontos próximos.

Foi em Paço de Arcos que estabeleceu residência e constituiu família o célebre Patrão Joaquim Lopes, salvador dos náufragos da barra de Lisboa, que nasceu em Olhão em 1800. Em 1820 entrou como remador para a falua do Bugio e iniciou então uma vida heróica e notabilíssima, salvando tripulações inteiras de navios portugueses, ingleses, franceses e espanhóis, pelo que foi condecorado, mais do que uma vez, por cada um dos Governos respectivos. Em 1866, foi-lhe dada, por distinção, a graduação de segundo tenente de marinha. Morreu com 90 anos, em Paço de Arcos, em 1890, tendo feito nesta vila toda a sua brilhantíssima carreira, tendo criado uma verdadeira escola de heroicidade, pois teve muitos e bons discípulos, e ainda hoje os seus exemplos fazem dos pescadores de Paço de Arcos valentes lutadores do mar.

Vejamos, pois, com estes elementos, como devem ser ordenadas as armas, bandeira e selo de Paço de Arcos:

Armas - De prata, com uma âncora de vermelho, carregada por um coração de ouro no cruzamento do cepo e acompanhada por dois golfinhos de negro realçados de ouro, que se afrontam em contra chefe, assentes num mar ondado de cinco faixas, três de verde e duas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Paço de Arcos", de negro.

Bandeira - Esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Junta de Freguesia de Paço de Arcos".

Como os principais esmaltes das armas são o ouro e o vermelho, a bandeira é amarela (que corresponde ao ouro) e vermelha. Quando destinada a cortejos ou outras cerimónias, a bandeira é de seda e bordada, devendo medir um metro quadrado. Quando é para arvorar, é de filele e terá dimensões julgadas necessárias, podendo neste caso dispensar as armas.

A prata, indicada para o campo das armas, é o metal que, na Heráldica, significa humildade e riqueza.

O vermelho da âncora simboliza vitórias, guerras, força, audácia e vida.

O ouro do coração e do realce dos golfinhos, é o metal que simboliza a Terra e significa firmeza, obediência e honestidade.

O verde das faixas representativas do Mar, é o esmalte que significa fé e esperança.

A âncora, além de simbolizar a vida do mar, simboliza também a esperança com que os heróis de Paço de Arcos seguiam, com risco da própria vida, para salvar a dos outros.

O coração de ouro simboliza este sentimento humanitário que tanto tem salientado os naturais desta Vila.

Os golfinhos, reis do mar, indicam a vida atribulada dos Pescadores.

O mar indica a importância da praia local.

E assim ficará bem simbolizada a história, a vida e a índole dos naturais de Paço de Arcos.


Palácio dos Arcos - Pintura de Elisiário Carvalho.





Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.