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1 de março de 2010

RECORDAÇÕES

A minha rua …………………
(em Paço de Arcos, claro)


A minha rua (Dionísio dos Santos Matias) sempre foi o centro de todas as coisas.

E, para não pensarem que só estou a ‘puxar a brasa à minha sardinha’, vou-vos ‘bombardear’ com nomes e coisas, há muito esquecidas (ou, mais propriamente, adormecidas), e que fui rebuscando, até no travesseiro.

Mesmo que a memória já não seja (nem pouco mais ou menos) o que era, há coisas que com um pouco de trabalho mental se conseguem repescar.

Vou começar por pedir antecipadamente desculpa àqueles que, porventura, fiquem esquecidos nesta minha ‘aventura’, nomes omitidos ou dados trocados, mas far-me-ão o obséquio (e esta, hem?) de perceber que aqui o escriba já tem alguns neurónios a falhar.


Numa qualquer ‘bailação’, com a Isa (falecida ainda menina),
a Vanda Santos filha do Aníbal Santos, (lembram-se das miniaturas
de barcos?) e a Fernanda Aires; à esquerda seria o meu irmão
Carlos com a Lisete (atrevida), prima da Vanda.



O nº 7.


Eu morava no número 7, mesmo ao lado da escola, tendo pelo meio a entrada para as traseiras, onde, à época, existia uma oficina de automóveis (generalista, como se usava então). Nesse prédio morava eu e os meus dois irmãos, o Carlos (há muito falecido) e o Rui.


Vanda Santos, vizinha dos Arrobas e namorada do Carlos,
Carlos e Fernanda Aires


Viviam também o Zé Jacinto (que se intitulava a si próprio ‘o mais feio do planeta’;de resto era assim que ele abordava as miúdas, espantando-as) e a irmã, Isabel, o Luís Torres, mais conhecido na terra pelo Luís “merda” (também já falecido), e o José João Trindade, que faleceu recentemente.


Naquele terreiro traseiro fizeram-se grandes jogatinas de futebol.



O nº 12.


O prédio em frente, nº 12, tinha o Zé Manel Rodrigues e seu mano, o ‘terrível’ Alfredinho que nunca hesitou em correr o pessoal à pedrada, logo que o chateassem, incluindo o irmão que algumas vezes foi avistado a ‘esgalhar’ rua abaixo tentando ser mais rápido que as pedras ou beneficiar da distância para comprometer a pontaria do Alfredo, que, diga-se, era notável.


O nº 14.


Ao lado, no número 14, tínhamos o Manel Domingos, tanto quanto julgo saber já falecido, e o Rufino, e tenho uma vaga ideia que haveria um terceiro irmão, Fernando? Estarei enganado? Sei que eram filhos da Dª. Adelina que tinha uma loja de revistas/jornais e retrosaria (?) na Praceta.


A loja da Dª. Adelina era ali.


O Manel Domingos foi meu particular companheiro em grandes pescarias feitas no paredão ao lado da doca. Havia uma saída de esgoto aí a 5/6 metros da doca, que estava sempre pejada de peixe-rei. Sentávamo-nos aí, com uns anzóis minúsculos na linha, balde (oferta do TIDE) de 5 litros ao lado, e só saíamos quando os baldes estivessem cheios.


O nº 10.


Do lado contrário, no número 10, morava a famosa (entre a rapaziada) Ana Maria Formiga, cuja janela (rés-do-chão, naturalmente) era um alvo bem requisitado por alguma rapaziada, curiosamente ninguém da rua, tendo sido sorrateiramente galgada de quando em vez ao lusco-fusco.

Neste prédio morava também, no outro rés-do-chão o Coronel Osório que tinha duas filhas e um filho, cujos nomes também já me fugiram, excepção feita à mais nova, que se chamava Manuela. A curiosidade era que ao sábado, infalivelmente, o Coronel limpava o pó, e vinha à janela sacudir o pano, para nosso gáudio, putos ‘xaropes’.

No terceiro andar morou durante muito tempo um almirante da Marinha de Guerra, que chegou a ser Ministro da Marinha durante bastantes anos. A curiosidade é que o casal, não tendo descendência, tinha uma estranha prática em algumas tardes de sábado e todas as manhãs de domingo, e que consistia em trazer as revistas e os jornais e ficarem instalados no carro, à porta de casa, pondo a leitura em dia. Coisas!!!!!


O nº 16.


Subindo na rua, podíamos encontrar o filho da professora Marcela, Rui, no número 16.


O nº 11.


O Hélder (ilustre Bardino) no 11, o Mendonça no 9. Também a Ida Teresa, mais tarde, veio para aqui morar no número 11.


O nº 9.


E três moças cujos nomes me desapareceram completamente, as duas filhas do Trindade no número 18, uma das quais andava frequentemente com a Emília Cochicho.


O nº 18.


E a filha da padeira que morava no 15, na esquina no topo da rua, e que acompanhava com regularidade a Fernanda Nisa.


O nº 13, do Palitó e o nº 15.


A Fernanda, filha da Nisa, dono do cinema, o tal Cine-teatro referido pelo Bardino Sampaio na sua historieta, foi protagonista de uns quantos episódios brincalhões, quase sempre na rua Luciano Cordeiro, a caminho da estação. Ela era rechonchuda e vaidosa, e muito dada a piropos da rapaziada.

Os “maraus”, geralmente capitaneados pelo Zé Arrobas, o ‘Daducha’ e/ou Zé Pracana, quando ela ia a caminho (ou de regresso) para apanhar o comboio para ir para o Liceu de Oeiras, com os livros debaixo do braço, como todos fazíamos, entretinham-se a atirar os livros ao chão, para quando ela se baixava para os apanhar, dar-lhe umas palmadinhas no traseiro.

Nunca percebemos exactamente se ela achava graça ou não, porque a sua reacção era, digamos que mista.



O nº 6.


Para o lado contrário, no sentido descendente, nos prédios fronteiros ao Jardim de Infância (creche, na altura), tínhamos diversos ilustres habitantes, a saber: o Gilinho, o João Dourado e irmão no número 6.


O nº 4.


O Zé Gomes e o Ni, o Élio e a Gina Raposo (mulher do Tojica), todos no número 4, o Zé Pracana, os gémeos Morazo e a Ana Maria Rato, no número 2.


O nº 2.


Também me dizem que o Manuel (Marmelada? Lima?), do Pavilhão Jardim moraria nesta rua, seria, provavelmente, no prédio número 4. Não sei, é possível. Mas, se assim for, ele tinha um filho, que terá que ser acrescentado às contas.

Assim, ‘de sopetão’, já contei 36. E ainda não saí da ‘minha’ rua.


A Rua José Oliveira Raposo.


Mas nas ‘franjas’ haviam uns quantos que se juntavam habitualmente. O Celestino (um dos vários filhos do Joaquim Coutinho, julgo que o mais velho) e a sua vizinha Fernanda Nisa, ambos moradores na Rua Luciano Cordeiro, o Nortadas, na José Oliveira Raposo, etc.


A Praceta.


Por falar em vizinha, tínhamos na adjacente Praceta um (quase) sem número de companheiros. Só Rato Rosa eram três. O Zé Rafael, o Castro, o Rui Pinhão, o “Camané”, o Rui , Mário e a irmã (de que me escapa o nome) Monteiros, Mário Moura, Toni “Suiço”, a Elsa, os três irmãos Beatriz, Rosário e Beto, Teresinha Melo Oliveira (que pôs o Toni “Suiço” no telhado a cantar loas à menina), a Anabela e o irmão (outro nome fora).


Fernanda Aires.


A Fernanda Aires, com quem acabei por me casar, depois de a ‘gamar’ ao hoje, emérito Bardino “Nicha”, também morador na Praceta (para que conste somos os três grandes amigos, e nunca houve zangas – gente civilizada).




















Eu e a Fernanda Aires.


O Hernâni e a irmã (outro nome à vida), a Elisa e o Agostinho, filhos da Hélia cabeleireira, a “Maria Joaquina” (sem ofensa, apenas palavreado da época), e recordo-me vagamente de uma tal de Emília, que morou (talvez pouco tempo) no terceiro andar, do prédio imediatamente à esquerda do ‘Picadilly’, e que tinha o hábito de nos provocar descendo à rua apenas com uma gabardina vestida, exibindo-se depois para a ‘maralha’. Outros dois amigos de algumas brincadeiras, cujos nomes também se ‘eclipsaram’, eram os filhos (2) duma senhora que era professora no Liceu Nacional de Oeiras, um dos quais morreu em São Tomé, atacado por um crocodilo. Os Arrobas, Fernando e , não morando, exactamente na Praceta, também podem, e devem, ser considerados gente de lá.

E assim já fizemos subir o número para 70, vagamente recordáveis!?!?!?!?!?!

Antes de avançar, deixo aqui um desafio:


Quem consegue identificar o garboso
rapazinho do meio?



Das inúmeras ‘aventuras’ e tropelias do Luís Torres, certamente que todos se lembrarão dumas quantas, por isso, e porque seria difícil, ou fastidioso, até, percorre-las, apenas vou contar uma que é exemplificativa; um dia, ou antes, uma noite, saiu de casa dizendo à mulher, Manuela que muito teve que lhe aturar, que ia ao clube beber café e por lá ficar a dar à língua como habitualmente. Não apareceu. Três dias depois telefona-lhe de Bruxelas; tinha arranjado emprego, coisa que nunca teve, pois vivia às custas da mulher, a fritar batatas numa feira dos arredores. E a Manuela não se zangou; arre!!!!

Para quem já não se recorda, o Zé Jacinto é um rapaz magro, ainda hoje, que veio de Almeirim, porque o pai, ex-agricultor, tinha arranjado vida mais estável em Lisboa. Em rapazito tinha participado em umas quantas vacadas, como toureiro para o que, diziam, tinha muito jeito. Ele e o João ‘Santarém’ Fernandes, também oriundo de Almeirim (ou talvez Santarém) que tinha vindo na mesma época, tinham grande “afición” (será assim?).

Passavam horas a descrever as mais diversas peripécias para nosso gozo e aprendizagem, era a época de glória máxima dum tal “El Cordobés” (melhor toureiro de todos os tempos?) sempre encostados ao murete da Yolanda, café de referência (não é, Nortadas?).


Era aqui a Yolanda, do sr. Joaquim.



Por falar em vacadas, que tal esta? Onde reconheço
um tal de Vítor Montenegro, será “Nicha”?


Mas esta zona testemunhou muito outras diatribes, conversas, discussões, etc., sobretudo de cariz político (pré ou pró, como queiram).

No grupo que incluía estes dois, comigo, o Carlos Abrantes “Camané”, sempre, e, por vezes, o Castro e/ou o ‘Juca’ que morava por cima da linha, perto da estação, a discussão ‘arrancava’ sempre com o Jean Lartéguy em tema. Foi um escritor de cariz (e atitude) fortemente político que escreveu uma saga que se iniciou com Os Centuriões, e continuou com Os Pretorianos e Os Mercenários, e que nos inspirou para tanta análise crítica.



Jean Lartéguy.


Do ‘Juca’ (João Pereira de sua graça) poucos se lembrarão, mas muitos ainda hoje se recordarão duma senhora (hoje perto dos 80 anos) que, seja às compras seja passeando-se, leva sempre um papagaio ao ombro. É a mãe do ‘Juca’.

Quem morava na minha rua era o ‘Palitó’, casa de família no número 13, que era o nosso barbeiro de referência.


O nº 8.


Mas também morava, já falecido entretanto, no rés-do-chão de esquina do numero 8, em descida para a Praceta, um radioamador conhecido em todo o mundo, cujo nome nunca consegui saber.

Lembro-me do personagem, raramente avistado, que era casado com a senhora que na rua chamávamos a ‘feia-boa’, mulher bem composta e muito elegante.


Considerando que este arrazoado já vai longo e querendo poupar a vossa paciência, vou terminar com um apontamento exótico, ou surrealista, se quiserem.

No rés-do-chão ao lado da casa dos meus pais (número 9), portanto com quintais vizinhos, morou algum tempo um casal que primava pelas atitudes estranhas, invulgares. Mas o que nos marcou durante uns quantos verões, foi a aberração (não sei que outra coisa posso chamar) de irem para a praia com um galo pela trela.

Das inúmeras conversas que fui ouvindo, retive duas “explicações”. Uma seria a recorrente que explica a necessidade de ser diferente, pois que toda a gente leva o cãozinho, e assim eles levavam o galo.

Outra mais rebuscada, que se sustentava no facto de (de vez em quando) o Maestro (na época pianista e compositor) António Vitorino de Almeida levar o seu burro para a praia (creio que Carcavelos), logo um galo seria mais simpático e igualmente ‘inovador’. Feitios!!!!!!!!!!!!!



E agora digam lá se a minha rua não era o centro do mundo Paçoarquense.

Por tudo isto, não entendo como é que outra Bardinada, ou Paçoarquense mais distraído, não deita do bestunto para fora coisas semelhantes.

Preguiça ao mais alto nível; ineptos, sanguessugas, trogloditas, palhaços, desqualificados mentais, ‘xonés’, trafulhas, levianos, hematozoários, patetas, estronços, retardados.


E não digo mais por vergonha.

Mas deixo-vos aqui dois poemas bem conhecidos e, em minha opinião, adequados ao tema.


Menino do Rio

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te...
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te...
O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção
Como um beijo...
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te...
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te...
O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...

Caetano Veloso




Os putos

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais á solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

José Carlos Ary dos Santos






Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


RECORDAR É VIVER

ADIVINHA

Três Paçoarquenses, então bem conhecidos da e na ‘praça’, pelos idos de 1969, agarraram na trouxa, meia dúzia de tostões, que a vida não era para brincadeiras, e debandaram todo um verão para a ilha de Armona, mesmo em frente da cidade que também celebrizou um Homem de raro carácter, bem querido desta nossa Vila de Paço de Arcos, Patrão Joaquim Lopes.

Por lá andaram, arregimentando umas moedas, sobretudo à custa das turistas estrangeiras, e daqueles que não conseguiam ‘engatá-las’ e recorriam aos serviços dos especialistas. Muito treino.
















Quem consegue identificá-los?





Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


7 de fevereiro de 2010

RECORDAR É VIVER

Pois é. Recordar é viver e foi isso que outro dia, ou outra noite, para ser mais rigoroso, tornei a (re)viver os meus tempos de meninice, quando, andando a fazer zapping por alguns blogs aqui na net, dei de caras com um bloco extraordinário, rigoroso, minucioso e outras coisas acabadas em "oso", tal o seu conteúdo me fez vibrar.

Desde já quero deixar aqui a minha recomendação sincera para que todos aqueles que gostem de recordar a sua infância e se ela tiver decorrido nos chamados anos 50/60/70, que visitem o blog "SANTA NOSTALGIA", pois ali encontrarão largos momentos de puro prazer ao revisitar tantas memórias.

Uma dessas memórias que me fez (re)viver esses anos, foi uma referência ao "Cartão Brinde Popular", que desde esses tempos idos dos anos 60 nunca mais tinha visto em qualquer lado.

Com a devida vénia ao blog "Santa Nostalgia", gostaria de deixar aqui reproduzido essa mesma referência, tal e qual a podem encontrar nesse blog.

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Cartão Brinde Popular - Qual o jogador preferido?



No final dos anos 60 e princípios de 70, recordo-me da existência de um jogo de sorte, chamado de "Cartão Brinde Popular", que estava disponível tanto nas mercearias, tascas e quitanda da aldeia, como também era adquirido e despachado por alguns dos rapazes mais velhos da escola, que assim ganhavam uns tostões.

O jogo consistia num cartão com as dimensões aproximadas de 190 x 140 mm, revestido num dos lados por papel de cor. Havia de várias cores. No papel colorido eram estampados os nomes de jogadores de futebol das principais equipas do campeonato nacional, ou seja, o Benfica, o Sporting, o FC do Porto e o Belenenses, por serem os mais populares e que a malta coleccionava nos saudosos cromos de caramelos.

Os cartões que aqui se reproduzem são dos anos 60 e a equipa do Benfica é constituída por jogadores como José Henriques, Humberto, Jaime Graça, José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões. O Sporting apresentava Damas, Pedro Gomes, José Carlos, Hilário, Morais e Marinho, entre outros, enquanto que o FC do Porto era representado por Américo, Bernardo da Velha, Valdemar, Atraca, Pinto, Djalma e Nóbrega, entre outros mais. No Belenenses pontuavam o J.Pereira, o Rodrigues, Abdul, Vicente, Pelezinho e Lira, entre outros colegas.

Por baixo de cada nome era indicada uma quantia em centavos de escudo. Este valor era oculto por um papel circular, também colorido. O objectivo consistia em escolher o jogador da nossa preferência, como uma espécie de aposta. Uma vez escolhido o jogador era descolado o papel circular e o apostador tinha que pagar ao dono do cartão o valor ali indicado. Por sua vez no respectivo espaço era anotado com lápis o nome do apostador. Quando todo o cartão estivesse jogado, perante o maior número de interessados, era recortada a zona central, onde tinha um ponto de interrogação, debaixo do qual estava um papel colado com o nome do jogador da sorte. Ao apostador que assim lograsse ter escolhido o jogador surpresa, era atribuído um "chorudo" prémio, também em dinheiro, parte da receita total do cartão, normalmente 25 tostões ou até mesmo 5 escudos, o que na época era uma pequena fortuna. Tudo dependia do valor total de cada aposta.


Estes cartões eram produzidos por fábricas da especialidade, normalmente ligadas à venda de brindes, que também vendiam os famosos cartazes de furos. No entanto, alguns rapazes mais expeditos, produziam eles próprios os seus cartões e vendiam-nos pela classe. Normalmente eram feitos com cartão e com o papel colorido aproveitado de alguns sacos de ração de gado, que normalmente apresentavam umas largas faixas coloridas, mostrando-se adequados para o efeito. O meu irmão mais velho era um exímio fabricante destes cartões e conseguia ganhar uns valentes tostões, que assim davam para adquirir umas lambarices aos Domingos na tasca do lugar ou numa das várias romarias da região.

Claro que nesta situação, o fabricante sabia qual o jogador surpresa pelo que, por vezes, quando o resto da malta apostadora descobria ou desconfiava de batota ou favorecimento de alguém, ao qual era desde logo revelado sorrateiramente o jogador surpresa, aí havia batatada da brava, ou seja, porrada de "criar bicho". Portanto nessa altura já era complicado ser-se "empresário" do jogo.


Cromos de caramelos de alguns dos jogadores indicados no Cartão Brinde Popular:













Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


24 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 08

PAÇO DE ARCOS
ANTIQUÍSSIMO

Algures, no ‘tempo da outra senhora’, como eles diziam, uma Paçoarquense desgostosa do amor da sua vida, decidiu escrever um postal de desabafo ao seu ‘mais que tudo’.

O que lhe ia na alma era muito e o espaço para prosa pouco. Assim resolveu escrever da esquerda para a direita e de baixo par cima.

Não perceberam? Olhem mais para baixo que vão concordar comigo.



Também tentei decifrar o texto. Muito complicado.

Imagino mesmo que o objecto de tanto fervor, o tal de Mário, não deve ter conseguido perceber patavina, isto se sequer tentou.

É que eu até de lupa me empenhei, com fracos resultados e muito tempo gasto.



Meu querido Mário,

Preciso saber sem falta se já não queres saber de mim ou que se está passando entre nós dá a entender que já não te importas comigo. Hontem domingo foi um dia de tristeza pois este passar ????????? nunca teres tempo de saber de mim. Não porque eu me importe de tu te divertires nem tenho nada com isso, mas custa-me bastante que me desprezes desta forma. Sempre és muito ingrato. Não sei como te peça para cá vires um bocadinho. Já estás melhor? Logo que possas escreve-me ???????? estimo muito e tenho sofrido bastante com o teu desprezo.

Sempre tua,
Maria


PS – Só por curiosidade; alguém me alvitra uma data?




Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.



CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 07

PAÇO DE ARCOS – 1946

Dá-se um rebuçado por cada puto identificado.
Uma dica. Era uma turma da professora Marcela, na foto.
Sei identificar dois ou três, mas não digo.




Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.



23 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 06


Postal Ilustrado





Colaboração do Bardino Vitor Martinez.