16 de dezembro de 2009

FIGURAS DA VILA 21

CARLOS BONVALOT
PINTOR (1918-1934)

Carlos Bonvalot fixou residência em Cascais em 1918, mas só na última fase da sua vida se identificou mais profundamente com a terra, a partir do centro afectivo que foi a sua casa em Bem Lembrados, local do qual nos deixou registo de imagens sempre felizes, como sejam da casa em si mesma, do quintal, dos interiores, locais pontuados com a forte presença de figuras de mulheres e crianças.


Mesa de chá no jardim - Bem Lembrados, Cascais (1933)
Óleo s/ tela - Colecção Particular




Mulher e filhos do pintor (1932)
Óleo s/ cartão - Colecção particular



A Filha do Pintor (1930)
Óleo s/ tela - Colecção de José Carlos Bonvalot Bigio



A sua mulher, os filhos, a mãe são personagens que povoam os seus quadros, transmitindo uma forte presença feminina, graciosa e perfumada à sua pintura, tratando as manchas coloridas como formas plenas de carácter.


A Mesa do Chá (1925)
Óleo s/ tela - Colecção particular




Susana Bonvalot - Mulher do artista com coelho (N. dat.)
Óleo s/ tela - Colecção de José Carlos Bonvalot Bigio



Outra casa foi objecto da pintura de Carlos Bonvalot: o Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, do qual foi conservador desde 1932. Os quadros realizados captam a silhueta das arquitecturas exóticas, a capela de S. Sebastião mas, sobretudo, a beleza da vegetação primaveril.


Torreão do Museu Condes de Castro Guimarães (N. dat.)
Óleo s/ cartão - Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães



Bonvalot deixou-nos outros registos da doçura da luz azul dos verões de Cascais. Em trabalhos sobre o Forte do Jacinto e a Boca do Inferno, dá-se a união do azul do mar com os castanhos dos rochedos ocres da costa, num encontro singular entre proximidade e lonjura.


Farol de Santa Marta (N. dat.)
Óleo s/ cartão - Colecção Maria Teresa Bonvalot



Pintou também outros locais de Cascais, como esquinas de ruas na vila velha, a vegetação dos arredores a caminho do Guincho ou as aldeias do interior.


Senhora com uma criança numa rua de Cascais (c. 1932)
Óleo s/ tela - Colecção Maria Teresa Bonvalot




Rua de Cascais (1930)
Aguarela s/ papel colado em cartão - Colecção particular



Bonvalot pintou a Praia dos Pescadores em Cascais, num registo cosmopolita que consiste numa mistura hábil entre as funções antigas da praia - a preparação e a chegada da faina da pesca - e a sua recente vocação de palco da vivência estival burguesa.

Carlos Bonvalot tinha como projecto transpor para a pintura essa intensidade vivencial, não havendo documentação, no entanto, que nos elucide sobre a sua dimensão. Há alguns retratos isolados de pescadores e três retratos de grupo, dos quais sobressai "A Lota", de grandes dimensões e datado de 1933, e que foi enviado ao salão da SNBA desse ano, o último em que o artista participou.


A lota (1933)
Óleo s/ tela - Colecção particular



Tio Domingos (N. dat.)
Óleo s/ tela - Colecção Maria Teresa Bonvalot



No património artístico do concelho de Cascais, há ainda que referir o importante contributo de Carlos Bonvalot na nova decoração da Igreja de Santo António do Estoril, concretizada ao longo da década de 1920.


2º Projecto de decoração para o tecto
da Igreja de Santo António do Estoril (1928)
Aguarela s/ papel - Colecção de Maria Teresa Bonvalot




Estudo para a decoração do motivo central do tecto
para a Igreja de Santo António do Estoril (c. 1927)

Óleo s/ tela - Colecção particular



Podemos imaginar o gosto que o artista dedicou a esta encomenda, de algum modo complementar do trabalho de restauro que realizou sobre as pinturas do Mestre da Lourinhã, na Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Cascais.


Adoração do Reis Magos (Séc. XVI) Atribuído a Álvares Pires
Óleo s/ madeira - Igreja de Nossa Senhora da Assunção, Cascais



Essa circulação laboriosa entre o estudo e a salvaguarda do passado e a elaboração de obras capazes de continuarem os seus valores, é uma metáfora pertinente dos seus mais íntimos desígnios de artista. Mas deles fez parte também, a celebração pictórica do tempo que lhe foi dado viver, gentes e paisagens comuns em quem procurou insuflar sentimentos de eternidade.


Carlos Bonvalot no seu atelier




Nota - Os textos e as reproduções aqui inseridas encontram-se no catálogo da exposição "Cascais de Carlos Bonvalot", de onde foram reproduzidos e adaptados com a devida vénia e que agradecemos.



No início: Auto-retrato (1913)
Óleo s/ cartão - Colecção particular






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


FIGURAS DA VILA 20

CARLOS BONVALOT
PINTOR (1918-1934)

Carlos Bonvalot, natural de Paço de Arcos, onde nasceu a 24 de Julho de 1893, no seio de uma família com fortes interesses culturais e artísticos, desde cedo mostrou inclinação e aptidões para o exercício da actividade artística.


Aluno brilhante, matriculo-se apenas com quatorze anos, na Academia de Belas-Artes de Lisboa, que frequentou entre 1907 e 1916, tendo aqui terminado o Curso Geral de Desenho e, em 1916, o Curso Especial de Pintura. Entretanto realizou também o Curso de Anatomia Artística, ministrado na Faculdade de Medicina de Lisboa, por Henrique de Vilhena.


Pensamento Melancólico (1915)
Óleo s/ tela - Museu do Chiado, Lisboa


No decurso desta longa e exigente formação, Bonvalot obteve as mais elevadas classificações que lhe granjearam os habituais prémios pecuniários, tendo começado a expor na Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA) em 1913, quando ainda era estudante. O júri distinguiu com o "Diploma de Medalha de 3ª Classe", tendo nos anos seguintes sido expositor assíduo deste certame e nunca deixou de ser premiado.


Pavões - Parque em Monceau (1920)
Guache s/ papel - Museu Grão Vasco


Depois de participar na Primeira Guerra Mundial, servindo no exército português em França, o seu currículo foi enriquecido com a obtenção do 1º lugar no Concurso para Pensionista do "Legado Valmor", que lhe permitiu frequentar, em Paris, a escola Superior de Belas-Artes e o atelier de F. Cormon, consagrado pintor de História.

Foi ainda na qualidade de bolseiro que Bonvalot viajou por França, Suíça e Itália, encontrando-se em Roma em 1920-21, onde estudou técnicas de restauro de pintura antiga.


Esfinge (1918)
Óleo s/ tela - Museu da Cidade, Lisboa


Depois de regressar a Portugal, Carlos Bonvalot encontrou o seu particular lugar na cena portuguesa, dividindo o seu gosto pela pintura com o estudo e a prática da conservação de objectos artísticos. Neste contexto, logo em 1923, inicia o delicado trabalho sobre as tábuas quinhentistas da Igreja Matriz de Cascais.

João Couto, conservador do Museu Nacional de Arte Antiga e depois seu director, foi o primeiro a compreender as raras qualidades de Bonvalot, no campo da conservação e restauro da pintura antiga, e por isso, o convidou para dirigir a Oficina de Restauro daquele museu, em 1934,. Infelizmente, o artista faleceu antes de ocupar esse prestigiado lugar.


Carlos Bonvalot
(Paço de Arcos, 1893 - Cascais, 1934)





Nota - Os textos e as reproduções aqui inseridas encontram-se no catálogo da exposição "Cascais de Carlos Bonvalot", de onde foram reproduzidos e adaptados com a devida vénia e que agradecemos.



No início: Auto-retrato (1913)
Óleo s/ cartão - Colecção particular






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


TAMBÉM SOMOS NOTÍCIA!

“Os Bardinos” com uma lágrima
no olho e um sorriso
ao canto da boca



No começo do novo ano O Bardino e companheiro Fernando Sampaio vai partir para Angola, a fim de ministrar formação na sua área de especialidade a pessoal da TAAG a convite da correspondente administração, e por um período de tempo exagerado para nós, que ficamos privados da sua companhia, talvez curto para outros.

Far-nos-á falta a sua boa disposição e a sua clarividência, por isso ficamos com uma lágrima no olho.



Volta depressa.




Por outro lado, o super Bardino ‘Nicha’ da Silva, foi recentemente eleito (por quase unanimidade e sem votos contra) para presidir, no próximo mandato, á Mesa da Assembleia Geral da Junta de Freguesia de Paço de Arcos. É uma honra para este nosso companheiro, também o reconhecimento da sua competência, e da sua qualidade e imparcialidade em matéria de relações humanas.



É, também, e naturalmente, uma honra para a Bardinada; daí ficarmos com um sorriso ao canto da boca.



Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


PARA MEDITAR! (OUTRA VEZ!!!)


O tema já por aqui passou ainda não há muito tempo, mas como achamos que vale a pena voltar ao assunto e a peça do nosso amigo bardino Fernando reigosa merece-o, voltamos hoje mais uma vez às notícias publicadas no Boletim da CMO, OEIRAS ACTUAL, do mês de Outubro passado, sobre os investimentos em diversas obras no concelho de Oeiras, realizados pela Câmara de Oeiras.

Aqui fica pois o texto:

Onde anda Paço de Arcos??

(Nem me atrevo a fazer comentários, não vá ofender os pergaminhos de alguém; sei lá. Julgue você, que tem paciência e curiosidade para me estar a acompanhar.)


Transcrições do Boletim Municipal, OEIRAS ACTUAL, de Outubro.


Investimento ascende a um milhão de Euros

OEIRAS FINANCIA OBRAS DE EQUIPAMENTOS RELIGIOSOS

...a atribuição em 2009, de um subsídio no valor de 200 000 € à Fábrica Igreja Paroquial de Cristo Rei de Algés. O valor total da comparticipação da Autarquia será de 500 000 €, a atribuir de forma faseada, efectivando-se em 2009 no valor de 200 000 €, correspondendo a 40% da comparticipação, ficando por liquidar os remanescentes 60%, no valor de 300 000 €, durante o ano de 2010.

...aprovado... o Contrato de Comparticipação Financeira a firmar entre o Município e a Fábrica da Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Dores, no qual é estabelecida uma comparticipação no valor de 375 000 €, destinada a viabilizar a construção de capelas mortuárias e salas de apoio pedagógico em Laveira-Caxias. O montante será disponibilizado em duas fases: 90 000 € no ano de 2009 e 285 000 € no ano de 2010.

...À Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro de Barcarena foi atribuído um subsídio no montante de 109 644 € para...terceira atribuição de subsídio disponibilizada... montante global é de 300 000 €, o qual é pago na totalidade pela Câmara...

...deliberado efectuar o pagamento de 39 745,55 e à Fábrica da Igreja do Senhor Jesus dos Navegantes de Paço de Arcos... empreitada de recuperação do exterior daquela Igreja cujo valor total da obra é de 130 000 €.

...abertura do Gabinete de Atendimento do Bairro do Pátio dos Cavaleiros , na Outurela. Representando um investimento municipal na ordem dos 213 000 € .

...deste Gabinete de atendimento permanente na zona de Carnaxide ...cujo investimento ascendeu, na globalidade, a mais de 490 000 €.

...Parque Infantil da Quinta da Politeira, em Leceia, ...tendo representado um investimento municipal na ordem dos 23 000 €.

...construção de 88 fogos destinados a venda e arrendamento.... Correspondendo a um investimento de 6 000 000 € ...O empreendimento CDH de Leceia ocupará um terreno...

...dos arranjos exteriores do Pavilhão Desportivo e Recreativo dos Leões de Porto Salvo... um investimento municipal de 120 000 €, ...

...serão construídos os futuros Complexos Desportivos de Carnaxide – Serra de Carnaxide e Porto Salvo... serão edificados três campos de Rugby, bancadas, zona de balneários, ginásio, três campos sintéticos de futebol e respectivas zonas de apoio a jogadores e público e parques de estacionamento. Trata-se de um investimento da Câmara Municipal de Oeiras na ordem dos 8 750 000 €.

Em Porto Salvo...vocacionados para o futebol de 11 e ... Futebol de 7. Esta obra está orçada em 5 800 000 €.

...trabalhos de construção de um caminho pedonal e muro de suporte no Bairro da Pedreira Italiana, em Caxias. Representando um investimento municipal de 260 000 €...

...execução de novas infra-estruturas, ...totalizando um investimento de 390 000 €.

A população de Caxias tem à disposição...Posto de Atendimento Médico e de Enfermagem.... a Câmara Municipal de Oeiras apoiou a Junta de Freguesia de Caxias... atribuição de uma comparticipação financeira no valor de 21 814 €...

Autarquia investiu 180 000 € nas obras realizadas no Polidesportivo de Valejas.

Autarquia investiu 525 000 € no polidesportivo e arranjos da Escola EB2+3 de São Julião da Barra.

A Câmara Municipal de Oeiras investiu 660 000 € na construção do novo Parque Urbano de Queijas.

...conclusão das obras de reabilitação do edifício sede do Grupo Musical 1º de Dezembro. ...Os trabalhos representaram um investimento na ordem dos 315 000 €, suportados, na sua totalidade, pela Câmara Municipal de Oeiras, ... (Queijas)

...Contrato de Comparticipação Financeira entre o Município e o Centro Paroquial Social Nossa Senhora do Cabo... prevê a atribuição em 2009 , de um subsídio no valor de 59 835,80 €, e de outros dois, em 2010 e 2011, no valor de 359 015,04 € e de 179 507,56 € respectivamente, perfazendo um total de 598 358,40 €. (Linda-a-Velha).

...a atribuição de de um subsídio no valor de 2 500 € ao Centro Social e Paroquial de Barcarena...
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Estava eu já a pensar em concluir este meu ‘arrazoado’, quando, fazendo um ‘break’ para descomprimir e sossegar as costas, me pus a ‘passar os olhos’ pela “A Bola” de hoje, e qual é o meu terramotorial espanto, quando leio o que passo a transcrever (sopa no mel para a colheita supra):

... “ESTADO IGNORA GALA DOS CEM ANOS DO C.O.P.”

Um jantar de gala para mais de mil pessoas, agendado para depois de amanhã, em Oeiras, nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, e que contará...

Até aqui fico satisfeitérrimo. Mas quando chego ao último parágrafo, aí lá vem o síndroma (que não mania da perseguição) mais uma vez.

ONDE ANDA PAÇO DE ARCOS???

É que, ‘a bota não diz com a perdigota’, e passo a transcrever sem mais moengas:

...jantar que, devido ás dificuldades financeiras com que o Comité Olímpico de Portugal vive, irá ser suportado em parte pela autarquia de Oeiras, presidida por Isaltino de Morais.

Estará tudo certo, mas então se em 31 643 672,4 € (25 milhões?????), o colectivo autárquico só consegue ‘descobrir’ 130 mil € para lavar a cara ao frontespício da Igreja, em benefício da “Vila mais charmosa de Portugal” (ou seja 004%), ainda vai substituir-se ao Estado Português no apoio (mais que merecido) a Instituições que, duma maneira ou doutra, projectam o nome do País???

Ou será que já estou gagá, e não percebo ‘ponta de um corno’ desta ‘balhana’ toda. Quiçá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Já agora:

Preciso, como do pão para a boca, que alguém suficientemente inteligente, me explique como se eu fosse muito estúpido (que se calhar sou), que estória é esta das “Fábricas das Igrejas”.

SOCORRO!!!! m’ispilica.

Já agora aproveitando o interesse de (eventuais) iluminados, atrevo-me, apesar do ridículo a que me possa sujeitar, a pedir que me esclareçam, se para tal houver capacidade, como é que é que uma autarquia que tem que dar a mãozinha a uma instituição de carácter Nacional. Cadê o estado?! (letra pequena, claro).



Colaboração do bardino Fernando Reigosa.


15 de dezembro de 2009

O PALÁCIO DOS ARCOS - PARA MEDITAR


Ao ver a foto acima, que reproduz uma notícia publicada no Jornal da Região - Oeiras na passada semana, estranha a relação que se possa fazer com o "processo" do Palácio dos Arcos, na nossa vila.

Pois essa relação não é assim tão distante como parece, e para não ser demasiado exaustivo naquilo que aqui poderíamos deixar escrito sobre este assunto, ou seja, a recuperação e aproveitamento do Palácio dos Arcos, apenas deixamos aqui esta frase:

Em Paço de Arcos discute-se muito e obra NADA!!! Os outros discutem muito menos e fazem obra!!!

Enquanto em Paço de Arcos os velhos do Restelo não passarem à história, continuaremos a ver as outras freguesias a fazerem obra e nós por cá continuaremos a ver o Palácio dos Arcos a cair aos bocados!!

E podem ter a certeza:

QUALQUER DIA CAI MESMO, e depois nem palácio, nem hotel, nem jardim, nem museu!!!

Em seu lugar ficará NADA!!!


Para meditar!



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


ANIVERSÁRIO DA FREGUESIA DE PAÇO DE ARCOS

PAÇO DE ARCOS FAZ 83 ANOS


A vila de Paço de Arcos celebrou no passado dia 7 de Dezembro, o 83º aniversário da criação da sua Freguesia.

Demos aqui, a seu tempo, o programa das comemorações que tiveram lugar nesse dia tão festivo para a nossa vila.

Depois do Torneio de Veteranos em Hóquei em Patins e da inauguração da Exposição da Escola de Artes Decorativas do Bugio, decorreu a Sessão Solene comemorativa do aniversário, que teve lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia, com a presença de larga assistência.

A sessão abriu com um pequeno discurso do Presidente da Assembleia de Freguesia de Paço de Arcos, o companheiro bardino António Dias da Silva, ou seja, o bardino "Nicha", que num pequeno discurso, algo emocionado, colocou alguma emofividade no início da sessão, dizendo a determinada altura: "Ser homenageado é um privilégio e tem um sabor especial, porque Paço de Arcos é uma vila que tem tido, ao longo da sua história, pessoas importantes em várias áreas da sociedade".

Por indicação das várias forças políticas, foram homenageados com a Medalha Grau Ouro da Freguesia de Paço de Arcos o Grupo Recreativo e Cultural dos Amigos do Alto do Mocho, o sr. Abel Marques de Sousa, antigo Comandante dos BVPA, o sr. Luís Finote, que fez parte do anterior executivo na área da Acção Social, o sr. Carlos Ataíde, o anterior Presidente da Assembleia de Freguesia e o sr. Francisco Abrunhosa, do anterior executivo da Junta de Freguesia e Presidente da Comissão de Festas de Nosso Senhor Jesus dos Navegantes durante alguns anos.



Seguiu-se um momento cultural, com a intervenção do Clube de Poetas de Paço de Arcos e os Jograis do Paço, com a colaboração de um actor de teatro.



O Presidente da Junta de Freguesia de Paço de Arcos, que tomou a palavra a seguir, destacou as dificuldades dos eleitos da freguesia, mencionando que "o problema está nos meios. Não nos falta o que fazer, mas como o fazer". Um discurso objectivo e incisivo e que mereceu um apoio pleno da assembleia presente.



Fechou a sessão o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dr. Paulo Vistas, em representação do Presidente Isaltino Morais, que referiu que "Paço de Arcos quer o melhor, bons restaurantes, turismo com capacidade económica, coesão social e desenvolvimento económico", realçando "a matriz cultural única da freguesia", referindo ainda que se vai "dar início à construção do Centro Cultural José de Castro, que a população tanto anseia".

Aqui deixamos, nós o Grupo Tertúlico Os Bardinos, um grande PARABÉNS A VOCÊ, para a vila de Paço de Arcos!


Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


7 de dezembro de 2009

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 06

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Armas - Bandeira - Selo


Parecer acerca das armas, bandeira e selo da freguesia de Paço de Arcos, elaborado pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, e aprovado em reunião de 20 de Dezembro de 1935:

Vila de Paço de Arcos, concelho de Lisboa, distrito de Lisboa.

Parecer apresentado por Afonso de Dornelas à Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 20 de Dezembro de 1935.

A Junta de Freguesia de Paço de Arcos solicitou da Associação dos Arqueólogos Portugueses que lhe fossem estudadas as suas armas para poder ter o seu selo e a sua bandeira.

Esta antiga povoação foi elevada à categoria de vila em 9 de Dezembro de 1926, por decreto-lei nº. 12:783, em atenção ao seu importante desenvolvimento. A principal importância desta vila vem da sua bela praia balnear, considerada uma das melhores das proximidades de Lisboa.

O seu nome é devido ao mais antigo palácio ali construído, que tem dois torreões, entre os quais está um terraço sustido na frente por três arcos. O mar forma, em frente de Paço de Arcos, uma vasta enseada, o que torna a sua praia preferida por muitas famílias de Lisboa e de outros pontos próximos.

Foi em Paço de Arcos que estabeleceu residência e constituiu família o célebre Patrão Joaquim Lopes, salvador dos náufragos da barra de Lisboa, que nasceu em Olhão em 1800. Em 1820 entrou como remador para a falua do Bugio e iniciou então uma vida heróica e notabilíssima, salvando tripulações inteiras de navios portugueses, ingleses, franceses e espanhóis, pelo que foi condecorado, mais do que uma vez, por cada um dos Governos respectivos. Em 1866, foi-lhe dada, por distinção, a graduação de segundo tenente de marinha. Morreu com 90 anos, em Paço de Arcos, em 1890, tendo feito nesta vila toda a sua brilhantíssima carreira, tendo criado uma verdadeira escola de heroicidade, pois teve muitos e bons discípulos, e ainda hoje os seus exemplos fazem dos pescadores de Paço de Arcos valentes lutadores do mar.

Vejamos, pois, com estes elementos, como devem ser ordenadas as armas, bandeira e selo de Paço de Arcos:

Armas - De prata, com uma âncora de vermelho, carregada por um coração de ouro no cruzamento do cepo e acompanhada por dois golfinhos de negro realçados de ouro, que se afrontam em contra chefe, assentes num mar ondado de cinco faixas, três de verde e duas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Paço de Arcos", de negro.

Bandeira - Esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Junta de Freguesia de Paço de Arcos".

Como os principais esmaltes das armas são o ouro e o vermelho, a bandeira é amarela (que corresponde ao ouro) e vermelha. Quando destinada a cortejos ou outras cerimónias, a bandeira é de seda e bordada, devendo medir um metro quadrado. Quando é para arvorar, é de filele e terá dimensões julgadas necessárias, podendo neste caso dispensar as armas.

A prata, indicada para o campo das armas, é o metal que, na Heráldica, significa humildade e riqueza.

O vermelho da âncora simboliza vitórias, guerras, força, audácia e vida.

O ouro do coração e do realce dos golfinhos, é o metal que simboliza a Terra e significa firmeza, obediência e honestidade.

O verde das faixas representativas do Mar, é o esmalte que significa fé e esperança.

A âncora, além de simbolizar a vida do mar, simboliza também a esperança com que os heróis de Paço de Arcos seguiam, com risco da própria vida, para salvar a dos outros.

O coração de ouro simboliza este sentimento humanitário que tanto tem salientado os naturais desta Vila.

Os golfinhos, reis do mar, indicam a vida atribulada dos Pescadores.

O mar indica a importância da praia local.

E assim ficará bem simbolizada a história, a vida e a índole dos naturais de Paço de Arcos.


Palácio dos Arcos - Pintura de Elisiário Carvalho.





Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


6 de dezembro de 2009

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 05

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PAÇO DE ARCOS
A Vila Mais Perfumada de Portugal

...

O Governo da República, reconhecendo o desenvolvimento de Paço de Arcos como estância balnear, o seu valor comercial e industrial, prestou-lhe a justiça de elevar a povoação à categoria de vila e sede de freguesia por decreto-lei nº. 12:783, de 7 de Dezembro de 1926, a seguir transcrito:

Atendendo à representação apresentada por alguns cidadãos eleitores da freguesia de Oeiras, do concelho do mesmo nome, para que seja criada uma nova freguesia denominada Paço de Arcos, com sede na mesma povoação;

Considerando que a aludida povoação pelo incremento que tem tomado, quer como estância balnear, quer como centro comercial, é digna de ser distinguida com aquela denominação e ainda com o título de vila;

Tendo em conta as informações oficiais a que se procedeu:

Em nome da Nação, o Governo da República Portuguesa decreta, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1º. - É criada a freguesia de Paço de Arcos, constituída pelas localidades de Paço de Arcos, Lagoal, Caxias, Cartuxa, Gibalta, Laveiras, Murganhal, Terrugem de Baixo, Terrugem de Cima, Fonte de Maio e Espargueira, com sede na povoação de Paço de Arcos.


Artigo 2º. - A delimitação da nova freguesia, desmembrada da de Oeiras, começa pelo lado sul na praia denominada do Inglês Morto, pela Rigueira do Espargal à estrada nacional nº. 67, na passagem de nível do caminho de ferro de Cascais na Espargueira, seguindo pelo poente e norte em linha curva à Rigueira de Arcos, na estrada nacional de Paço de Arcos ao Cacém, seguindo ainda pelo lado do norte ao Murganhal, onde limita com a freguesia de Barcarena, compreendendo as localidades da Espargueira, Alto de Feixe a Feixe, Fonte de Maio, Terrugem de Cima, Terrugem de Baixo, Cartuxa, Laveiras e Murganhal. Daqui vai limitar pelo nascente até à Gibalta com a freguesia de Carnaxide, servindo de delimitação pela parte marginal a estrada nacional nº 67, de Gibalta à passagem de nível do caminho de ferro na Espargueira, compreendendo as povoações de Gibalta, Caxias, Lagoal e Paço de Arcos, indo terminar à praia do Inglês Morto, ponto de partida.


Artigo 3º. - A sede da freguesia a que se referem os artigos anteriores, Paço de Arcos, é elevada à categoria de vila.


Artigo 4º. - Fica revogada a legislação em contrário.

Paços do Governo da República, em 7 de Dezembro de 1926.





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Programa dos Festejos Comemorativos da
Elevação Desta Povoação à Categoria de
Vila e Sede de Freguesia

Domingo, 26 de Dezembro de 1926


Alvorada com salva de morteiro.

Às 8 HORAS - Visita da Comissão acompanhada da Banda dos Bombeiros Voluntários, às várias povoações da nova freguesia.

Às 13 HORAS - Cortejo em que tomaram parte as autoridades civis, militares, associações locais, escolas oficiais e a Banda dos Bombeiros Voluntários para o descerramento da lápide comemorativa, que ficou colocada no Palácio dos Arcos.

Às 15 HORAS - Houve sessão solene, no Cine-Teatro, em que tomaram parte vários oradores com a assistência do elemento oficial.

DE TARDE E À NOITE - Concerto musical pela Banda dos Bombeiros Voluntários, e, às 22.30 horas, queimou-se um vistoso fogo de artificio, fornecido pelos conceituados pirotécnicos Pedro José de Sousa & Cª.






Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


5 de dezembro de 2009

MEMÓRIAS DA BARDINAGEM 11


A bardinagem vai recordar hoje aqui, e isto em termos estritamente musicais, alguns momentos que marcaram a vida artística musical do nosso país e por consequência a nossa vivência aqui em Paço de Arcos.

Quem não seguiu a par e passo e quem não esperou com alguma ansiedade que chegasse todos os anos, a partir de 1964, o Festival da Canção e o Festival da Eurovisão, onde todos os anos tínhamos a grande esperança de não ficar no último lugar??!!!

Pois aqui fica, para já, a recordação desses tempos pioneiros da televisão e da música no nosso país e que hoje são recordados com alguma emoção!!!



António Calvário - Oração (1964)




Simone de Oliveira - Sol de Inverno (1965)



Madalena Iglésias - Ele e Ela (1966)




Eduardo Nascimento - O V
ento Mudou (1967)



Carlos Mendes - Verão (1968)




Simone de Oliveira - Desfolhada (1969)




Sérgio Borges - Onde Vais Rio Que Eu Canto (1970)




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


ANIVERSÁRIO DA FREGUESIA

83º. ANIVERSÁRIO DA J.F.P.A.

Vai passar na nossa freguesia de Paço de Arcos, "A Vila Mais Charmosa de Portugal", mais um aniversário, o 83º., da sua criação.

Juntamos o Programa das Comemorações levadas a cabo pela Junta de Freguesia.

Vamos todos comparecer!!!


Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


2 de dezembro de 2009

MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 04

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O Comércio


Paço de Arcos, foi, desde remotos tempos, um centro bastante comercial. Na época pombalina, havia já grandes armazéns de fruta, que vinha do concelho de Colares, para, depois ser vendida e transportada por via marítima, para a cidade de Lisboa.

Em 1846, existiam nesta localidade grandes depósitos de azeite para consumo dos faróis da barra.

Actualmente é uma importante praça comercial. Os seus numerosos estabelecimentos, encontram-se absolutamente providos de tudo quanto é necessário à vida moderna, desde os artigos mais simples às afamadas especialidades.

Os preços, confrontados com os de Lisboa, nada diferem. Os estabelecimentos que merecem uma referência especial, são os seguintes:



A casa de José B. de Campos Pereira, é um estabelecimento no género dos pequenos bazares britânicos, com variado sortido de artigos escolhidos, onde predominam os bons livros e revistas, as perfumarias nacionais e estrangeiras, os bibelots e objectos para brindes, os brinquedos e jogos, as louças regionais, os artigos de menage, a papelaria, etc. Tem uma clientela escolhida e, durante a época balnear, é ponto de reunião de algumas famílias mais aristocráticas que têm os seus solares nesta vila.



O Fanqueiro de Paço de Arcos, de Abreu & França, Limitada, é o maior estabelecimento de lã e algodão.

A Rua Costa Pinto é a mais comercial da vila. Nela fica situada a "A Marítima", de Adriano Cardoso. É uma das melhores frutarias e confeitarias de Paço de Arcos. O proprietário desta importante casa comercial é um dos mais jovens comerciantes da Costa do Sol, que tem imposto o seu nome à consideração de todos, mercê do seu porfiado esforço e alto espírito de iniciativa.



Farmácia Mar, situada na Rua Costa Pinto, 184 a 186. É seu proprietário e director-técnico o farmacêutico Daniel Trindade Brás. No seu laboratório fazem-se análises clínicas.



A Sapataria Palmax é a mais moderna da vila.

A Barbearia de Lino Guerreiro é a mais moderna barbearia da vila de Paço de Arcos.

A Barbearia de José Albuquerque é a mais popular desta encantadora freguesia.



Na Rua Costa Pinto, 126, fica situada a Drogaria Central, de António da Silva Tecelão & Cª., sucessor de Benigno Francisco. Esta drogaria tem ferragens, vidros, louças de esmalte, artigos de papelaria e utilidades, perfumarias e águas minerais e medicinais.

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Doces regionais
Delícias - Mimosos - Cacetes de Paço de Arcos


Paço de Arcos, para não fugir à regra e à tradição das vilas portuguesas, tem as suas especialidades em doçarias caseiras.

São produtos de fabricação muito antiga, sabendo-se que os últimos, hoje chamados "cacetes", eram manipulados em regime particular, com formato e designação diferente, por uma família nobre, que aqui residiu, cuja receita chegou à posse do fundador da ainda existente Casa Bonvalot.



Há perto de meio século que Manuel Pinhanços a comercializou, não só, dando-lhes formato adequado que ainda hoje se mantém, mas também a actual designação, pois a antiga era a de "Palitos de Paço de Arcos".




Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.