23 de janeiro de 2010

ENGARRAFAMENTOS


Não são engarafamentos de água ou de vinho, não senhor!!

São engarrafamentos de trânsito, dos quais a nossa vila é um dos maiores produtores nacionais, pelo menos no local mostrados pelas fotos que juntamos, junto à igreja e ao Pingo Doce.

Para quando uma racionalização eficaz e competente da circulação automóvel em Paço de Arcos, sem estes constrangimentos, que atingem o seu pico máximo neste local, quando os camiões do Pingo Doce aparecem para descarregar??!!

A bagunça é então completa e ninguém parece interessado em por cobro a esta(s) situação(ões)!!!



Dá a ideia de que "quanto pior, melhor!!!" e quem se trama é quem quer passar por ali sem ter nada a ver com assunto!!!

Daqui deixamos o apelo de que já é tempo de uma vez por todas se resolver o problema da circulação automóvel em Paço de Arcos!!!

À consideração de quem de direito.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


UMA ESPÉCIE DE MAMARRACHO


Depois da inauguração do Passeio Marítimo, no troço Paço de Arcos-Santo Amaro de Oeiras, podia ter sido parque de estacionamento para servir a praia de Paço de Arcos, pelo menos durante a passada época balnear, e não foi.



Uma fúria desatinada encheu, à custa de dezenas de camiões, o espaço com algumas toneladas de terra, para uma obra que parou aí: depois de se colocar a terra, "néripi prá obra"!!!



Diz-se que é para um "hotel de charme" (sic), uma piscina, e para...., etc., etc., etc.!!!

Mas como é costume com as obras que para Paço de Arcos são projectadas, é mais do mesmo:






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


OS CACETES




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 06


Postal Ilustrado





Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 05


BONS TEMPOS!!!




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


RECORDAR É VIVER

Escola Primária da Fonte de Maio


Edifício do Mercado


Aqui ficam duas fotos com alguns anitos já, de dois locais com alguma importância na vida da nossa vila: a Escola Primária da Fonte de Maio e o Edifício do Mercado.

Para recordar como eram!!!



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


BEM INFORMADOS


É com alguma satisfação que verificamos que a modernização da nossa vila, no que diz respeito à informação fornecida à comunidade, está em marcha.

Marcha algo lenta, mas também não se pode ter tudo de uma vez, não é??!!

Um placard electrónico foi montado num dos locais mais concorridos da nossa vila, fornecendo informação vária, de interesse geral, não só de actividades da freguesia como do próprio concelho de Oeiras.

Só esperamos que não aconteça como é hábito por cá neste país, que é à primeira avaria, que irá suceder naturalmente, não deixe de funcionar e transformar-se em mais um "mamarracho"!!!

Esperemos que não e só desejamos longa vida a este singular meio de informação.



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


COMBUS vs SATU

COMBUS
=
SATU


...e não se podem rentabilizar estes transportes colocando-os ao serviço da comunidade onde se inserem e para a qual foram concebidos???!!!




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



21 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 04


...à vela desde o séc.XIX


Já aqui foi mostrado num post recente, um cartaz-programa a anunciar a realização de Regatas em Paço de Arcos no ano de 1856, patrocinadas pelo rei D. Pedro V e organizadas pela Real Associação Naval.

Como, entretanto, tivemos acesso a um texto onde se faz referência a essa regata, voltamos ao tema, mostrando o programa e o texto.


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"A orla ribeirinha de Oeiras tem uma linha de costa com cerca de 9 km de extensão, de contornos em forma de enseada que constituem as praias e ainda algumas linhas de falésia.

De assinalar a constância dos ventos marítimos de Noroeste durante quase todo o ano, com especial incidência no Verão, permitindo condições de excelência para a prática da vela no rio Tejo.

A presença de velejadores e de numerosas embarcações de recreio ao largo de Paço de Arcos, Caxias, Dafundo e Algés tem sido notória e os registos históricos asseguram intensa actividade náutica desde meados do séc. XIX – as famosas regatas – com provas de vela envolvendo diferentes tipos de embarcações e separadas por categorias ou classes.

A 19 de Agosto de 1852 realizou-se uma regata no Dafundo ," (...) correndo quatro contendores: o Arrow, o Corsa, o William & Edward e o Patusco. (..) Foi mesmo noticiada no The Illustrated London News de 11 de Setembro de 1852." (1) Em 1852, por ocasião das festas de Paço de Arcos, o Conde das Alcáçovas, organizou uma regata para barcos entre 7 e 13 toneladas na maioria “caíques”.

A partir de então passaram a realizar regatas com uma certa regularidade,
frequentemente sobre a presidência do infante D. Luís. A Real Associação Naval , sob a protecção do senhor D.Pedro V, organiza, o programa de regatas de vela e a remos a 2 de Agosto de 1856 em Paço de Arcos.

A competição envolvia já uma cuidadosa preparação, registo das embarcações,
regulamento, comissão de regata, mapa da carreira e atribuição de prémios às diferentes categorias."


(1) História da Vela em Cascais, CMCascais, Junho 2007, pág. 14.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



MONOGRAFIA DE PAÇO DE ARCOS (Apontamentos) 09


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Associações de Beneficência


Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários

Paço de Arcos orgulha-se de contar com uma corporação composta de 41 homens decididos, soldados da Paz, que têm por lema “dar a vida por vida do seu semelhante”.

A sua fundação data de 30 de Outubro de 1893.

Foi considerada de utilidade pública e possui a Ordem de Benemerência, condecoração oferecida em 1940 pela Associação Comercial do Concelho de Oeiras e a Medalha de Ouro do Instituto de Socorros a Náufragos, concedida em 17 de Abril de 1933 por Sua Excelência o Senhor Ministro da Marinha, Almirante Magalhães Correia.



José de Oliveira Raposo,
comandante fundador dos BVPA.


O primeiro comandante fundador da Corporação foi o Sr. José de Oliveira Raposo. Depois, em 1927, foi seu comandante o Sr. Carlos Vieira Ramos, que se dedicou com todo o entusiasmo à reorganização e comando desta benemérita Corporação de Bombeiros.

Foi eleito presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, que representou em vários congressos não só no nosso País como no estrangeiro, bem como na coroação do Rei de Inglaterra, Jorge VI.

O seu actual 1º comandante é o Exmo. Sr. José de Jesus Teixeira Júnior, que é presentemente um dos comandantes mais competentes do País.

Representou os bombeiros portugueses no Congresso Internacional do Fogo, realizado em Paris em 1937, sendo nomeado em Dezembro, delegado do Comité Technique International de Prevention et Extinction du Feu.

O corpo activo compõe-se de:

Serviço de Incêndios;
Serviço de saúde;
Socorros a náufragos.


Serviços de incêndios

Têm-se revelado homens decididos e competentes, sob o ponto de vista técnico, em diversos incêndios de vulto, tais como o ocorrido em Dafundo, na residência do Sr. Blech em 1904, e no Palácio de Queluz, em que foram louvados pelo Sr. Governador Civil de Lisboa e nas inundações de 27 de Novembro de 1937, em Laveiras, Caxias e Lagoal, onde salvaram várias pessoa e os seus bens.


Serviço de saúde

Tem um posto instalado no quartel, onde tem prestado assistência a muitas pessoas vítimas de acidentes de viação e às classes pobres da vila.


Socorros a náufragos

Como tripulantes do salva-vidas, têm prestado óptimos serviços no salvamento das embarcações em perigo de naufrágio, tendo-se distinguido pelos seus feitos o saudoso 2º comandante Joaquim Pereira dos Santos e o chefe de secção Francisco José de Carvalho.



A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos teve uma banda de música da qual foi regente o grande maestro Raúl Portela e director da banda João Roquete Trindade. Foi pena que se extinguisse, porque esta vila podia orgulhar-se de que tinha uma das melhores bandas de música do país.



Instituições desta natureza merecem todo o nosso carinho e nunca é de mais salientar o seu lema “vida por vida” para que os habitantes de Paço de Arcos continuem a dispensar-lhe o seu auxílio moral e material.

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Associação de Socorros Mútuos

Esta benemérita Associação foi fundada, no dia 5 de Abril de 1893, pelos saudosos Joaquim Moreira Rato, Celestino José Ferreira, Carlos Vieira Ramos, Tomás Vieira Ramos, José de Oliveira Raposo e pelo único sobrevivente Sr. José Moreira Rato.

Casa dos Rapazes

Tem, pois, cinquenta e três anos de existência. Está instalada no Largo do Conde das Alcáçovas, 1, que podia, justamente, chamar-se largo da caridade, visto que nele se situam, além da Associação de Socorros Mútuos, o Lactário, a Casa dos Rapazes e a Casa dos Raparigas, as Conferências da Sociedade de S. Vicente de Paulo, o Apostolado da Oração e organismos da Acção Católica.

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O Lactário

Esta instituição de beneficência criada, em Maio de 1941, pelas Senhoras D. Fernanda Silva, D. Elisabeth de Almeida, D. Elisa Monteiro e D. Angelina Barata, está instalada no edifício do Núcleo de Instrução e Beneficência, que cedeu uma das suas salas para o consultório médico que começou a funcionar em Junho do ano acima mencionado.

Foram os membros da direcção do Núcleo, José Moreira Rato e Vergílio Almeida, nomeados seus representantes junto da comissão dirigente do Lactário, que lhe deram a sua valiosa colaboração.

A comissão dirigente tem sido auxiliada por um grupo de meninas que têm sido incansáveis, ajudando o serviço médico e visitando as crianças protegidas pelo Lactário, que fornece às crianças leite, farinha, medicamentos, roupa e calçado.

Em 1945 dispendeu 17.772$. O número dos sócios inscritos em 1945 é apenas de 171, com uma quotização de 7.524$50. Foram protegidas 155 crianças até Setembro de 1946. O número de consultas em 1945, foi de 760; pensos, 73;injecções, 194, vacinados, 44.

Sem o valioso auxílio dos distintos clínicos Drª. D. Josefina Casqueiro Ramos e Dr. Anselmo de Oliveira, o Lactário não poderia existir. O serviço médico, graciosamente mantido pelo Sr. Dr. Oliveira e Dra. Josefina, merece os melhores elogios.

O primeiro médico do Lactário foi o Dr. Anselmo de Oliveira que ainda hoje presta os seus serviços coadjuvando a Exma. Sra. Dra. D. Josefina Casqueiro Ramos, que há três anos tem a direcção clínica do Lactário com uma dedicação digna dos maiores louvores. São os verdadeiros sócios beneméritos desta instituição que merece o carinho e o auxílio moral e material do povo de Paço de Arcos.

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Conferências de S. Vicente de Paulo

Das associações de beneficência, aquela que merece todo o nosso auxílio e todo o nosso carinho é a Sociedade de S. Vicente de Paulo.

As Conferências de Nossa Senhora da Bonança e do Senhor Jesus dos Navegantes, fundadas em 30 de Junho de 1941 e agregadas a 9 de Junho de 1942, procuram, dentro dos preceitos da Sociedade de S. Vicente de Paulo, levar certo conforto moral e material a alguns pobres de Paço de Arcos.

As suas despesas são de algumas dezenas de escudos por semana, sendo as suas receitas constituídas pelas quotas dos sócios subscritores, pelo produto das colectas dos confrades e pelo peditório feito todos os domingos e dias santificados, no fim da missa paroquial, à porta da Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes.

O Sr. Dr. Borges de Castro, distinto advogado em Mondim de Basto, que durante algum tempo viveu em Paço de Arcos, foi o confrade fundador destas conferências, tendo presidido à sua sessão inaugural, Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Manuel Trindade Salgueiro, venerando Bispo de Helenópole.

A alma das referidas conferências foi, incontestavelmente, a primeira vice-presidente da conferência feminina, D. Leonor Faria Gomes.

O primeiro presidente da conferência masculina desta vila, foi o Sr. Dr. António da Costa Cabral, nosso ex-ministro plenipotenciário em Berlim. S. Exª. Ainda hoje se digna honrar a dita conferência, mantendo-se no mesmo cargo. Os restantes membros da direcção são os Srs. Coronel Campos e Sousa e Francisco Abreu, vice-presidentes; João Freitas, tesoureiro; Octávio Campos e Sousa, secretário.


A primeira presidente da conferência feminina desta vila foi a Exma. Sra. D. Joana Monteiro Pais.

A mesa actual é constituída pelas Exmas. Sras. D. Maria de Oliveira Monteiro, presidente; D. Carlota Morato Campos e Sousa, vice-presidente; D. Isaura Celeste Domingues Tavares, secretária; D. Clarice da Conceição Ganchas Gabriel, tesoureira.


Esta conferência está florescentissima, podendo mesmo considerar-se modelar, para o que tem decididamente contribuído a acção verdadeiramente apostólica da alma de elite da sua actual presidente.



Texto de M.P. Videira em, "Monografia de Paço de Arcos (Apontamentos), 1947.


Fotos dos BVPA extraídas do site da AHBVPA.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez
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UM JOGO INTELIGENTE

VOCÊ SABIA QUE ……………

O Clube Desportivo de Paço de Arcos teve, nos em finais da década de 60 e princípio da década de 70, uma secção de Bridge, que esteve filiada na Federação Portuguesa de Bridge?

O Bridge foi, em tempos, considerado um jogo de elites, de nobres.

Na verdade trata-se de um jogo de cartas entusiasmante, por não ser dependente exclusivamente da distribuição das cartas, logo da sorte, antes da perícia dos jogadores em interpretar o significado das vozes (anúncios de vasas e naipes feitos pelos jogadores à mesa), e da capacidade de entendimento com o parceiro.


Popularizou-se quando umas quantas equipas internacionais se profissionalizaram - os italianos Garozzo/Beladona foram os mais ‘galácticos’ - e, sobretudo, quando o actor egípcio Omar Shariff, muito em voga pelo sucesso do filme Dr. Jivago, que protagonizou, entre outros, contratou a sua própria equipa para andar a jogar pelo mundo.

Uma verdadeira paixão. O casino do Estoril foi palco destas exibições por diversas vezes. O público podia seguir em directo os jogos, numa sala ao lado da dos jogadores, em ecrãs gigantes, e pasmar-se com as peripécias do leilão e do carteio.

Quatro associados do Clube, Carlos Abrantes (Camané), João Marques Pereira (Juca), Fernando Reigosa e João Barosa Pereira, à época entusiastas (maduros) do jogo e já com “curricula” em torneios de equipas, apalavraram com a Direcção, a criação de uma secção, sem dispêndio financeiro para o Clube, apenas necessitando de um espaço (pequena sala ao lado das mesas de bilhar/’snooker’) e de uns quantos baralhos de cartas, naturalmente.

O objectivo era o de criar uma escola de Bridge, e, consoante o nível desenvolvido, fazer participar algumas equipas em torneios organizados por outras entidades, numa primeira fase, e depois passar a organizar torneios em Paço de Arcos (aí o Clube teria que fornecer taças e medalhas, porque o dinheiro das inscrições ficaria ‘em caixa’, para custear deslocações dispendiosas), e passar a representar o Clube em actividades da Federação Portuguesa de Bridge com prestígio.

A recolha foi profícua. No início corresponderam à chamada uns quantos (excedendo as expectativas) aprendizes. Élio Coelho, Fernando Natividade, Armando Maia, Margalho, Luís Coelho, Fernando Coelho, Luís Torres, Augusto Martins, Antero (estes dois em serviço na Escola de Electromecânica de Paço de Arcos), João Manuel Pinto, Fernando Sampaio, etc.

Tal como planeado, uns melhor, outros nem tanto, foram-se aprumando técnicas de leilão (fundamental: ver nota sobre os procedimentos do jogo) e de carteio, a ponto de se irem cumprindo as expectativas.

Foram vários os bons resultados conseguidos, com torneios ganhos e um número de boas classificações, quer em pares quer em equipas, com realce para uma representação no Clube de Ténis do Estoril, com vitória em pares e em equipas, e diversas muito honrosas classificações em torneios organizados pela Federação Portuguesa de Bridge (nível nacional).

Decorrida uma primeira fase de carácter estrutural e de formação (equipas e técnicas), a secção ‘abalançou-se’ para a organização de torneios.

Foi uma época muito empolgante e de enorme satisfação ao nível de resultados, porquanto, invariavelmente (quase que), eram equipas CDPA a ganharem os torneios, e/ou ficarem nos primeiros lugares.

Convirá nesta altura explicar ao leitor que as equipas, nesta fase, eram formadas por pares que incluíam (tanto quanto possível) um ‘veterano’ e um ‘aluno’ de modo a dar ‘entrosamento’ a todos.

Foi uma táctica bem concebida, na medida em que os resultados demonstraram a eficácia do sistema, a par do ‘crescimento’ dos menos ‘rodados’.



Princípios e procedimentos do Jogo

Este é um jogo de pares, dois contra dois.

O jogo divide-se em duas partes distintas. O leilão e o carteio.

Leilão

Decide a marcação de trunfo (ou sem trunfo), e o correspondente nível (numero de vasas), através de ofertas (numero de vasas), em subida, segundo a hierarquia dos naipes.

O fito do leilão é anunciar ao parceiro os nossos naipes, e/ou interesses, de modo a conseguir o melhor contrato comum. Para tanto utilizam-se regras/sistemas e convenções, normalmente pré combinadas entre os parceiros.

Nota curiosa a reter é que durante o leilão, qualquer jogador pode perguntar ao parceiro daquele que anunciou um naipe, o que ele entende por aquele anúncio específico, não podendo ser enganado, sob pena de, incorrer em pesada penalização pontual a ser decidida pelo árbitro.

Nota: Todos os torneios são comandados por um árbitro que gere o torneio, garante a imparcialidade, e as contagens de pontos de jogo e de torneio.

Carteio

Uma vez estabelecido o contrato final, o jogo inicia-se com uma carta de saída do adversário imediatamente á esquerda do declarante (aquele que primeiro anunciou o naipe objecto do contrato final).

Após este desenvolvimento, o parceiro do declarante expõe as suas cartas sobre a mesa, e a partir daí apenas joga as cartas que lhe são indicadas pelo parceiro, estando impedido de fazer comentários, sugestões ou qualquer outra manobra que possa influenciar a ‘linha’ de jogo.


Como se percebe, a ‘mão’ do morto (designação do parceiro do declarante), fica á vista, inclusivamente dos adversários que podem livremente utilizar essa informação adicional para o seu plano de jogo.

Os torneios

Existem dois tipos de torneios, de pares e de equipas.

Os procedimentos são idênticos para ambos, com as necessárias cambiantes.

Sorteiam-se os pares/equipas, e as correspondentes mesas. A cada mesa é atribuída uma carteira numerada que transportará de mesa em mesa as quatro ‘mãos’ devidamente identificadas por posição.

Isto serve para que a carteira circule por todas as mesas, permitindo que outros pares joguem com as mesmas mãos.

No fim são verificadas as diferenças pontuais, e feita a classificação, tendo em conta os melhores resultados obtidos, o número de jogos feitos (comparação com outros pares), e o número de mesas percorrido.



Como tudo na vida, este projecto esmoreceu e acabou por desaparecer, em consequência do espaço utilizado na Sede do Clube ter sofrido séria inundação, que para além de ter causado avultados prejuízos, durou imenso tempo para ser recuperado (não tenho mesmo notícia de quando isso aconteceu).

Os jogadores habituais preferiram organizar-se em pequenos grupos e jogar entre si, perdendo-se a dinâmica existente.

Ao que me disseram na época, passaria exactamente por baixo daquela sala uma antiga ribeira, que terá sido tapada, mas que nesse ano, devido á grande intensidade das chuvas, (aluíram partes da avenida marginal, julgo que em Carcavelos) terá subido o nível das águas alagando o espaço e dificultando soluções.

E assim morreu uma secção que também contribuiu para levar o nome de Paço de Arcos a outros patamares.



Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


AS ESTÓRIAS DA BARDINAGEM 04

OS MALANDROS
DO ANTIGAMENTE

Quando dou por mim a ver os estragos em todo o tipo de bens públicos, desde o vulgar caixote de lixo até a telefones, bancos de jardim, etc. - incluindo os famosos ‘grafitis’ -, que sistematicamente vão sucedendo, quase sempre de noite porque visíveis (novas situações) todas as manhãs, pergunto-me o que poderá motivar este tipo de desatinos, e por que ‘carga de água’ estes putos não se entretêm com outra coisa, já que têm á disposição uma série de possibilidades que no nosso tempo não tínhamos.

Todos conhecemos várias explicações, de todo o tipo. Umas mais coerentes, outras nem tanto. A verdade, quer se queira, quer não, tudo reside num muito simples facto; a evolução da sociedade. Boa? No mau sentido? Descuidada?! Simplesmente diferente. Só podemos aceitá-la e influenciar os nossos próximos no bom sentido (segundo a nossa douta opinião).

Leva-me isto a recordar algumas peripécias dos meus tempos de menino.

Por volta dos meus 20 anos, causei espanto e acesa discussão na família, quando comprei umas calças de ganga cor-de-rosa, imagine-se! ‘Coisa de maricas’, diziam uns, ‘são os novos tempos’ diziam outros.

Na época, por imposição paternal, já que chumbara uma vez no 4º ano do liceu, e outra no 5º , manifestando algum desinteresse, trabalhava de manhã no escritório de um advogado que tratava sobretudo do registo de marcas e patentes, a minha função, e estudava à tarde no Liceu Francês.

Como consequência da polémica, comprei então uma camisola (‘pullover’ como se dizia na época) também cor-de-rosa. Foi a guerra ‘institucional. ‘Provocação’ para uns, ‘libertinagem’ para outros. Cruzaram-se argumentos até que o meu pai, verdadeiro democrata, impôs o silêncio à família, deixando-me em tranquilidade.

Noutra ocasião, tendo eu um fato de ‘trabalho’ cinzento com estreita risca branca como mandavam as regras do bom gosto vigente (que perduraram, lembram-se do Mota Pinto?), decidi comparecer em algumas festas, de certo modo escandalizando os mais antigos (que não velhos), porque usava com o fato uma ‘t-shirt’ amarelo-torrado (“lacoste”, como mandavam os regulamentos da época), sem gola mas com um ligeiro debruado branco. Eu gostava, mas contrariava as combinações de vestuário tradicional, sendo mesmo uma atitude “very shoking”.

Mas, voltando ao assunto inicial, entretenimento na época, não tenho memória desse tipo de necessidades, estragar. Divertíamo-nos imenso, posso assegurar, e nunca prejudicámos ninguém, a não ser por pequenos incómodos.

Para além do óbvio, beber umas cervejas e decidir os destinos do mundo, do futebol, e praticar um pouco de salutar má-língua, andar no ‘engate’, ir aos bailes para uns quantos ‘esfreganços’, tínhamos várias brincadeiras que nos ocupavam todo o tempo de libertinagem (agora sim), que vou referenciar em quatro áreas principais.

Quase toda a população jovem nesta terra participava, mas alguns eram verdadeiros campeões. Apenas apontarei alguns nomes (que me merecem destaque nesta matéria) porque seria impossível ser exaustivo.


1. Meninas

Foi um dos grandes êxitos da malandragem Paçoarquense. Saltou fronteiras, internacionalizou-se, chamou gente de todos os quadrantes, e atingiu metas inimagináveis (só faltou vendermos a patente).

Não sendo inédita, foi uma brincadeira levada com ‘profissionalismo’ por este pessoal. Sempre desempenhada de madrugada, para surtir o efeito interessante.

Consistia em sentar um dos ‘artistas’ no muro da marginal, quase sempre em frente á estátua do Patrão Lopes, calças arregaçadas acima dos joelhos, meias enroladas para baixo e lenço na cabeça, acenando aos automobilistas que iam passando.

Naturalmente que pensando tratar-se de ‘meninas’ á procura de clientes, uns quantos afoitavam-se a contornar, no intuito de abordar a ‘menina’, ou mesmo parando em frente ao ‘artista’.

Era a altura para o resto do pessoal escondido até então por trás do muro, aparecer em forte alarido, provocando o susto ou a raiva ao incauto.

Houve de tudo.

Aqueles que fugiam apavorados.

Aqueles que achavam graça á brincadeira, e até, em bastantes casos, se juntavam ao grupo (principalmente gente estrangeira).

Os envergonhados, que paravam 20 metros á frente, e faziam pisca á espera que a ‘menina’ se acercasse. Nesta última, por duas vezes, foram apanhados padres (também são gente).

Os do tipo ‘não tenho medo de ninguém’, que ao verem uma multidão ululante e gesticulante avançando em sua direcção, simplesmente contra-atacavam, pondo em debandada a turba.

Aqueles que se punham em fuga, para telefonar à polícia, que quando aparecia, provocava o ‘salve-se quem puder’, cada um para seu lado, sempre com resultados satisfatórios; não há notícia de alguma vez alguém ter sido agarrado.

Havia também quem parasse em amena cavaqueira com o pessoal, por vezes originando acidentes. Outros automobilistas viam uma multidão de volta de um carro, de madrugada, e, com a inerente curiosidade, distraiam-se o suficiente para ir chocando em cadeia, altura em que o pessoal escapulia rapidamente.

Eram verdadeiros campeões no papel de meninas, o ‘Daducha’, o Zé António, o Vasco e o Luís Torres (mais conhecido pelo Torres ‘Merda’).

Nota: Infelizmente três destes amigos já morreram; sobra, tanto quanto julgo saber, o ‘Daducha’ (companheiro doutras aventuras, que a seu tempo virão a lume, ‘assim me sobre engenho e arte’).


2. Fio de pesca

Esta era uma brincadeira bem mais inofensiva, e muito conhecida, mas que sempre surtia efeito.

Era levada a cabo durante o dia; fim de tarde era o que colhia melhores efeitos, pela descontracção das pessoas nessa altura, descomprimindo as ‘agruras‘ do dia.

Dois ‘artistas’ simulavam estar a estender um fio de pesca ao longo da muralha, forçando os pobres transeuntes a procurar o fio, e tentar passar por cima para não tropeçar ou prejudicar o trabalho dos ‘artistas’.

Nada de mais. Mas sempre nos dava algum gozo, sobretudo quando, eventualmente, algum passeante dava pela marosca.


3. Casamentos

Esta era uma brincadeira bem mais complexa, e que requer uma introdução.

Na época era vulgar (?) haver algum pessoal homossexual, colocado em sítios propícios, a cativar quem não se importasse de, a troco de algum dinheiro, satisfazer esse tipo de necessidades (?).

Era assim em Lisboa, na Av. da Liberdade, na Praça Marquês de Pombal, etc., tal como eram conhecidos alguns dos ‘requisitantes’, como por exemplo o ‘marquês da luva branca’.

Paço de Arcos, mais propriamente o Jardim Marquês do Pombal, era infestado diariamente, à noite, por gente dessa em busca dos soldados recém colocados na escola Electromecânica, e que por aí se passeavam.

A brincadeira, usualmente bem aceite, consistia em obrigar dois desse ‘caçadores’ a desempenhar uma completa cerimónia de casamento, junto à estátua do Patrão Lopes, naturalmente que com a nossa bênção.

Os campeões desta área eram o Zé Manel Arrobas, o Zé Pracana e, também o ‘Daducha’.


4. Telefonemas

Talvez a mais ‘chata’ de todas as brincadeiras, pelo adiantado da hora em que a praticávamos.

Coisa simples.

Corria-se a lista telefónica à procura de nomes de animais: leão, carneiro, gato, cordeiro, o que quer que fosse.

Ligava-se para casa dessa pessoa e abordava-se com uma história previamente engendrada. O mais comum era dizer que fugira do Jardim Zoológico o animal desse nome e depois esperar as reacções.


O grande campeão desta especialidade, era o Américo Bravo, infelizmente também já desaparecido.

Nota: Haverá que esclarecer que defraudávamos a companhia dos telefones, porque não introduzíamos qualquer moeda (as chamadas eram sempre feitas de cabines telefónicas), antes utilizávamos um método infalível, na época, hoje não será o caso, e que consistia em atravessar o fio do telefone com um alfinete, de modo e entrar em contacto com o fio metálico, e encostar o alfinete na área metálica da caixa de suporte do telefone, accionando a chamada. Nunca falhou.

Verdade, verdade, é que, como quer que fosse, nunca depauperámos o erário público, exceptuando os tostões da nota acima.

Outros tempos, como dizia a minha avozinha.



Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


19 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 04


Postal Ilustrado



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 03


Programa de Regata em Paço de Arcos,
no ano de 1856




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


CURIOSIDADES DO ANTIGAMENTE 02




in Revista Ilustração Portuguesa Nº 342
de 9 de Setembro de 1912



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.