4 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 06

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Na 2a feira, 1 de Outubro de 1928 noticiou-se:

As Tradicionais Festas do Senhor Jesus dos Navegantes Revestiram Grande Brilho

"Desde ante ontem que a risonha praia de Paço de Arcos está em plena festa. O bom povo daquela localidade consagrou dois dias ao seu padroeiro, Senhor Jesus dos Navegantes.

Ontem, desde manhã que os comboios da formosa linha dos Estoris estiveram despejando gente em Paço de Arcos.

As ruas e a praia animaram-se extraordinariamente, sendo por vezes difícil o trânsito, sobretudo à tarde.

De manhã, na igreja, rezou-se missa solene, vendo-se o templo repleto de fiéis.

À tarde realizou-se uma pomposa procissão, vendo-se as ruas do trajecto absolutamente apinhadas de gente.




Virtuosíssimos andores, com belas imagens, desfilaram perante uma massa compacta de povo, e uma enorme quantidade de crianças, representando anjos e figuras bíblicas, seguiam no cortejo.

Ao passar o Palio, sob o qual seguia o prior da freguesia com o Santíssimo, toda aquela gente se ajoelhou, o mesmo sucedendo à passagem da imagem do Senhor Jesus dos Navegantes.

A noite houve o tradicional arraial, com feéricas iluminações e música pela banda dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, estando a festa animadíssima e sendo grande a concorrência às diversas barracas de quermesse.

Hoje efectua-se a festividade ao Mártir S. Sebastião, havendo também arraial com mais atractivos".




No Diário de Notícias de 2.a feira de 8 de Setembro de 1929 é enunciado que:

Em Paço de Arcos realizam-se hoje as Festividades em Louvor do Senhor Jesus dos Navegantes

"Hoje e amanhã efectuam-se na risonha praia, que é Paço de Arcos, as festas ao Senhor Jesus dos Navegantes e ao Mártir S. Sebastião. A celebração propriamente religiosa será assim cumprida:

Dia 8, às 13 horas, missa solene, por musica, orando o rev. Governo; às 17 horas, procissão, com 5 andores, percorrendo as ruas já indicadas, seguida da banda do Patronato D. Nuno Alvares Pereira, da freguesia de São Vicente de Fora; bodo aos pobres.

Dia 9, às 12 e meia horas, festa ao mártir São Sebastião, com missa por musica e sermão pelo rev. Governo.

A capela achar-se-á ricamente ornamentada.

Além deste culto religioso, as festividades compôr-se-ão de um característico arraial, no Largo do Conde de Alcáçovas, com barracas de tômbola e sortes, musica, recinto para dança, iluminações, etc...




O produto da quermesse reverterá a favor de uma das escolas da vila. Devido às senhoras que promovem as festas e às valiosas prendas que figuram no bazar, é de esperar que ela tenha farta concorrência e recolha boa receita.

Para o transporte de hoje à Parede, haverá comboios especiais".

Todas as comemorações atrás referidas não incluíam a bênção dos barcos, que só passou a ter efectividade a partir de 1939, tendo em 28 de Agosto de 1955 a comitiva parado junto ao muro da Margina! de onde foi lançada a bênção às embarcações, continuando esta cerimónia a decorrer, no meio da maior unção e respeito, até aos dias de hoje, unicamente com excepção do ano de 1974 em que as cerimónias religiosas não se efectuaram na totalidade, embora a procissão tenha saído para a rua... mas sem padre!






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


3 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 05

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES

No Diário de Noticias de 2.a feira, 1 de Setembro de 1900, refere-se:

"(...) o cortejo do círio da Nossa Senhora do Cabo, que partiu da Ajuda, em Lisboa, pelas 11 horas da manhã, (...) "com cyclistas, entre os quaes se viam algumas senhoras; 4 soldados de lanceiros 2; carro dos foguetes que se queimaram durante o trajecto; Charanga de lanceiros 2; piquete de cavallaria, comandado pelo Sr. Tenente Valentim; os três juizes com os cavalos ajaezados à antiga portugueza, empunhando o estandarte o Sr. Segurado; grupo de cavalleiros; três anjos a cavaIo, acompanhados por creados da casa real e ladeados de praças de cavallaria 4; Charanga de cavallaria 4; Berlinda da casa real puxada a duas parelhas; conduzindo a Santa, levando à estrubeira dois creados de libré; força de lanceiros; Carroagem conduzindo o reverendo prior de Cascaes padre Caetano Baptista, e seu acolyto; seguiam-se mais de cem trens de diversos feitos, conduzindo gente de todas as classes sociais, vários cyclistas e cavalleiros que não quizeram tomar lugar na frente.




Alguns carros e bicycletas iam lindamente enfeitados.

(...) O cortejo seguiu sem interrupção até Paço d'Arcos onde chegou à 1 hora da tarde.

Atreavessou a povoação que estava em festa também, e achando-se ali a banda dos marinheiros, esta formou e escutou o hymno nacional até à passagem do benzido cortejo, subindo ao ar numerosos foguetes".

"A chegada a Carcavellos foi à 1,50 minutos (...).




E a estas, muitas festas se foram seguindo, todas de fraternidade e solidariedade, em que o espirito religioso acompanha o profano, não podendo deixar de notar, no entanto, que os pescadores - núcleo inicial dos festejos, personificados pelo Patrão Lopes e seus descendentes - foram desalojados das suas antigas posições de destaque, mantendo somente o privilégio da condução do Senhor aos ombros - o que hoje é feito pelos bombeiros - e da liberdade de bailar ao ar livre, pois os actos "nobres" das festas, por exemplo as cavalhadas, eram "disputadas por distintos cavalheiros que vestiam caprichosamente e montavam fugazes cavalos, sendo os juizes fidalgos locais e pessoas gradas em vilegiatura".

No ano de 1903 foi construída especialmente uma praça de touros de madeira, com capacidade para 2000 lugares, tendo-se realizado uma garraiada a 17 de Setembro, logo seguida de uma corrida de touros a 4 de Outubro e outras a 16 e 18 do mesmo mês. Nelas brilharam os cavaleiros D. José de Mascarenhas, José Luís Bento e Fernando Ricardo Pereira (conhecido por Fernando de Oeiras), voltando-se a fazer uma corrida em 23 de Setembro de 1907, com 8 garraios.

A praça situava-se junto à estação da C.P.

Posterior e mais recentemente, também se fizeram corridas em Paço de Arcos na zona das Fontaínhas, com destaque para o cavaleiro Emídio Pinto aqui nascido e aqui residente.

Nas festividades de 1901 a 1908 as cerimónias religiosas e as demonstrações públicas de alegria compreendiam a missa, procissão, bênção de medalhas e bodo, na parte religiosa e na parte profana as cavalhadas, touradas, corridas de saco e de fitas, e subida de pau ensebado, sendo introduzido em 1904 provas de rio, como sejam um jogo de water-polo e corridas de barricas, que infelizmente não se realizaram por falta de alguns campeões. No entanto, a equipa do Sr. Taylor montou algumas barricas, o que deu lugar a divertidas situações, portando-se todos os desportistas de forma admirável segundo relato da Illustração Portugueza de 19/9.

"...Na praia muita gente. Os barcos embandeirados percorriam o rio, soavam risadas, ao sol alegre as faces resplandeciam e os hurras soavam por essa magnífica tarde luminosa.

O arraial e a quermesse duravam três dias - 9, 10 e 11 de Setembro - tendo Paço de Arcos recebido inúmeros forasteiros".




Em 1906, os devotos dos anos anteriores não colaboraram na realização dos festejos, pelo que estes não tiveram o brilho habitual, devendo-se a sua efectuação ao empenho de uma pequena comissão.

Durante a pregação, o oficiante verberou a falta de comparência dos homens do mar, que apenas estavam representados pelo patrão do salva-vidas, o que confirma a desmotivação a que atrás nos referimos.

Com o advento da República as festas religiosas foram interrompidas, como citámos, encontrando-se apenas noticias de provas náuticas, feira franca e concertos musicais formados pelos bombeiros em 1912, voltando a efectuar-se em 30 de Setembro de 1928, dois dias após a entrega do uso e administração da Capela à Corporação Fabriqueira do Senhor Jesus dos Navegantes.

Após missa solene celebrada de manhã, distribuiu-se da parte da tarde um bodo a 50 pobres, saindo a procissão com os quatro andores habituais - São Sebastião, Nossa Senhora da Bonança, Menino Jesus e Senhor Jesus dos Navegantes - mais os de Santa Teresinha e Nossa Senhora de Fátima. No dia seguinte decorreu a festa de São Sebastião.

A 8 e 9 de Setembro de 1928 o trajecto percorrido pela procissão foi ampliado até ao forte da Gíribita, no limite nascente de Paço de Arcos passando no regresso pelo monumento do Patrão Lopes.







Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


1 de setembro de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 04

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


"...De anno para anno augmentam em brilhantismo as festas ao Senhor Jesus dos Navegantes o que demonstra a crescente importância de Paço d'Arcos.

Já não ha duvida que as que vão realisar-se nos dias 29 e 30 de Setembro e 1 de Outubro hão de ser excepcionalmente brilhantes quantas até hoje se teem feito, em bom gosto, riqueza e solemnidade.

Nem o contrario se deveria esperar desde que a patrociná-las appareceram os nomes prestigiosos dos srs. Condes de S. Januário e de Porto Covo.

Todo Paço d'Arcos se prepara para receber condignamente os seus milhares de visitantes e cada qual á porfia procura um novo attractivo ou offerece mais um elemento para o bom êxito de tão deslumbrantes festejos.

Não se poupam esforços, não se conhecem fadigas, não se accusam desalentos; todos trabalham para o mesmo fim, com ardor, com firmeza, com dedicação.

Assim as festas projectadas serão o "clou" da actual epocha balnear, que tão animada tem decorrido.

A commissão procurou e conseguiu organisar o seu programma de forma que desde a primeira hora de festa até á ultima as attracções se succedam sem interrupção.




O programma, que em seguida publicamos, não é official, mas só será alterado no sentido de lhe ser introduzido mais algum attractivo.

Dia 28. - Procissão, conduzindo d'Oeiras para Paço d'Arcos a imagem de Nossa Senhora da Atalaya; ladainha á entrada da imagem na ermida do Senhor Jesus dos Navegantes.

Dia 29. - Bodo a 50 pobres.

As maquinas passarão em desfile ante um jury de senhoras que conferirá o prémio da commissão uma riquíssima fita bordada á byciclette melhor iluminada e adornada havendo mais dois prémios offerecidos pelo Velo-Club.

Durante a entrega dos prémios toda a Avenida Marquez de Pombal será illuminada a fogos de Bengala o que deve produzir um effeito phantastico.

Pensa-se em organísar uma grande "marche-aux-flambeaux", que acompanhará o Velo Club desde a entrada da povoação até á Avenida Marquez de Pombal.

Dia 1. - Exercicio do pessoal e material do Instituto de Soccorros a Náufragos; simulação de um naufrágio, saída do salva-vidas.

Festa ao martyr S. Sebastião.

Torneio de fitas expressamente pintadas e bordadas pelas senhoras da colónia balnear; corridas de púcaros e de saccos; subida ao mastro de "cocagne", no topo do qual será collocado um valioso prémio; continuação do arraial; musica da Armada Real; ascensão de balões luminosos; fogo do ar e um excellente fogo preso fabricado por um dos primeiros pyrotechnicos de Lisboa.

É, como se vê, um programma írressistive! e que ha-de chamar a Paço de Arcos extraordinária concorrência.

Até hontem tinham-se recebido para o bazar 1694 prendas, esperando-se ainda muitas outras.

A commissão roga a todas as pessoas a quem enviou circulares pedindo prendas, e de quem não teve ainda a honra de receber resposta, o favor, que muito agradece, de o fazerem até ao dia 23 do corrente.

Lista das pessoas que enviaram prendas:

Condessa de S. Januário, D. Julteta da Cunha e Oliveira, D. Maria Pereira de Sampaio, D. Anna ...".




Possivelmente as festas do ano de 1900 foram das mais esplendorosas, talvez pela coincidência da passagem por Paço de Arcos do Círio de Nossa Senhora da Atalaia, vindo de Oeiras, da festa da Nossa Senhora das Mercês, seu orago, sendo o seu trajecto feito por Paço de Arcos, de onde embarcava para Aldeia Galega (hoje Montijo) numa fragata expressamente fretada, e do Círio da Nossa Senhora do Cabo, que a paróquia de Cascais iria receber em Carcavelos, após partida da freguesia lisboeta da Ajuda.

O primeiro dia da festa caiu a 28 de Setembro, tendo sido conduzida processionalmente a primeira imagem da igreja matriz de Oeiras, Igreja da Nossa Senhora da Purificarão até à nossa ermida, sendo no dia seguinte distribuído um bodo cru a 50 pobres: "carne, arroz, toucinho, chouriço, pão e dez reis em dinheiro".

A 30, depois de rezada missa solene, a grande instrumental, com bênção de medalhas, ao começo da tarde, deu entrada o Círio da Nossa Senhora do Cabo, após o que se organizou a procissão com as irmandades do Santíssimo, do Mártir São Sebastião e Nossa Senhora das Dores que acompanharam as imagens do Senhor Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Bonança e do Menino Jesus, decorrendo a l de Outubro a festa em louvor de São Sebastião.

A acompanhar toda esta religiosidade, tão grata ao coração das gentes de Paço de Arcos, decorreram igualmente os festejos civis, que foram deslumbrantes segundo relatos da imprensa da época, trazendo até nós a fina flor da aristocracia.




As iluminações foram feéricas, tendo sido armado um coreto provisório - o definitivo seria inaugurado um ano depois - onde a banda da armada real tocou até à meia-noite, tendo as vistosas ornamentações estado a cargo de um técnico da Sociedade de Geografia de Lisboa.

A Avenida Marquês de Pombal estava iluminada com palmas de vinte lumes e nas ruas os bicos de gás foram substituídos por focos incandescentes.

A ermida, aluminada por um renque de gás, apresentava na fronteira duas estrelas luminosas e as iniciais do patrono da festa: Senhor Jesus dos Navegantes - SJN.

Já nesse tempo se vendiam rifas, só que eram mais "personalizadas" pois davam-se ao luxo de serem "versejadas", o que dava a possibilidade de um galanteio do ofertante à sua amada, a par de doces e magníficos brindes.

Na barraca do bazar podiam-se admirar quatro painéis com as armas de todas as cidades do reino, bem como uma representação cintilante do astro-rei.

E, para emprestar ainda um maior entusiasmo aos circunstantes, o Velo-Clube fez um desfile de bicicletas enfeitadas e iluminadas, proporcionando ao melhor participante uma riquíssima fita bordada, havendo ainda mais dois prémios oferecidos pelo clube organizador.
"Paço de Arcos vestiu-se de galas para receber os forasteiros".






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 03

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


Festejos ao Senhor Jesus dos Navegantes

"Vem-se aproximando o tempo em que é mister pensar a serio na installação da commissão, que o anno passado, em obediência a antigos usos, foi nomeada para n'este epocha ter a espinhosa missão de realisar os tradiccionaes festejos ao Senhor Jesus dos Navegantes. É de notar que estes festejos não são, entre nós, apenas uma simples festa religiosa, mas também um meio de proporcionar aos banhistas alguns dias de divertimentos e de animar a vida económica de Paço d'Arcos.

Impõe-se a sua realisação não só pelos benéficos resultados que d'ella resultam, mas também porque devido á publicidade dada pela imprensa periódica com a narração dos festejos se torna conhecida esta excellente estancia balnear, attrahindo por consequência grande numero de visitantes n'esse dia, e despertando a outros o desejo de aqui virem veranear.



Ponham-se de parte pequenas divergências, removam-se quasquer difficuldades, dotem-se os que tentam levar a empreza a cabo com a paciência evangélica e teremos o prazer de ver coroados de bom êxito os esforços dos emprehendedores de tal tarefa. Nada de desanimos, não demos ouvidos aos que dizem que taes festas não são precisas, e que sem ellas os banhistas para aqui vêem do mesmo modo, a estes apontemos-lhe o exemplo da cidade de Lisboa, que por intermédio da sua camara vae realisar grandes festejos com o fim de ali chamar concorrência e animar a vida de modo a proporcionarmos aos que aqui vêem n'esta epocha o maior numero de commodidades, e de divertimentos, elles irão procurar outras praias de banhos, que rivalisam com a nossa o que aqui por inércia e desleixo lhes não porporcionarmos.

Imaginem o que aconteceria se a concorrência de banhistas derivasse para outra parte: o commercio teria que fechar as suas lojas, os proprietários ficariam com a suas casas por alugar, e a classe pobre não teria onde applicar a sua actividade que n'esta epocha lhe dá com o que se sustenta no inverno.

É preciso, pois, que os proprietários e commerciantes, ricos e pobres, que todos conforme os seus haveres e na proporção das suas transacções commerciaes concorram sem reluctancia para a realisação de taes festas, pois que uns mais, outros menos todos teem a lucrar directa ou indirectamente com a realisação d'ellas.

Installe-se a commissão, que na colónia balnear encontrará preciosa coadjuvação e protecção, organisem-se regatas, corridas velocipedicas e pedestres, exercícios pela corporação dos bombeiros voluntários, isto além do costumado arraial e da festa religiosa; dê-se a este programma toda a publicidade e nós teremos a satisfação de offerecer aos nossos banhistas e á enorme concorrência de visitantes uma festa digna d'elles e da nossa terra".

In "O Echo", de 3 de Setembro de 1900.




Paço D'Arcos

"A commissão nomeada para levar a effeito as festividades ao Senhor Jesus dos Navegantes não tem descansado um só momento, no intuito de revestir de desusado brilho as festas que hão de realisar-se nos dias 29 e 30 deste méz e 1 de outubro.

A commisão procurou nos últimos domingos em suas casas os juizes da festa srs. condes de Porto Covo e de S, Januário, sendo recebida por suas ex. a com a fina distincção de verdadeiros fidalgos.

Em casa dos drs. Carlos Luz, José Ferrão Castello Branco, conselheiro Luciano Cordeiro, Martin, Polleri e Bento Otero encontrou a commissão o mesmo affectuoso acolhimento.

A subscripção aberta para occorrer ás despezas dos festejos excedeu toda a espectativa, concorrendo para ella indistinctamente a colónia balnear e os habitantes de Paço d'Arcos.

De Lisboa já se receberam numerosas prendas para o bazar, o qual apresentará um aspecto decorativo essencialmente artístico e que ha de produzir sensação pela novidade e bom gosto.

Sabemos que algumas phylarmonicas do concelho, desejando dar uma prova de estima a Paço d'Arcos, virão aqui assistir aos festejos.

Começamos hoje a publicar os nomes das pessoas que tão gentilmente responderam ao apello da commissão enviando prendas para o bazar:

Exm.a sr.a D. Cândida Victoria Sousa Serrão, D. Julieta da Cunha e Oliveira, D. Anna Lúcia Adelaide de Oliveira, D. Felicidade Barata, D. Maria da Encarnação Macedo, D. Elisa Franco de Castro Pinheiro Chagas, D. Augusta da Silva Ferreira, e os srs. Alexandre Sá da Bandeira, Eugênio Alfredo de Souza, dr. Castro Freire e Marques & Duarte".

In "O Echo", de 18 de Setembro de 1900.







Colaboração do Bardino Vitor Martinez.




31 de agosto de 2010

AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 02

FESTAS DO SENHOR JESUS
DOS NAVEGANTES


De 27 de Agosto a 5 de Setembro deste ano, mais uma vez decorreram as festas de Paço de Arcos, que, como é sabido por todos, têm como patrono o Senhor Jesus dos Navegantes, uma tradição mantida ao longo dos anos e que tem origem no longínquo ano de 1873, mantendo-se até aos nossos dias com excepção do hiato que decorreu de Outubro de 1910 a Outubro de 1928, oscilando a sua duração entre dois e quinze dias.

Várias hipóteses se põem sobre a origem do culto do Senhor Jesus dos Navegantes, mas a mais plausível é a aventada por Jorge Miranda de que seria originado em Ílhavo, terra de pescadores e onde o orago era o mesmo. Ao emigrarem para terras mais a sul, como muito bem observa a Dra. Maria Micaela Soares, a nossa terra "foi a pátria de grande número de pescadores que se fixaram em Paço de Arcos" e que eram de enorme devoção ao Senhor Jesus dos Navegantes, pois "no Natal e nos fins de Agosto" se deslocavam à sua terra para "tomar parte na procissão do Senhor Jesus dos Navegantes, cuja imagem se venerava na Igreja paroquial de Ílhavo".

Segundo Victor Ribeiro "a primeira ermida de que há registo terá sido mandada edificar por D. Maria Clara de Meneses, proprietária da Quinta dos Arcos, conforme escritura de 27/10/1670, sabendo já pelo padre Armando Duarte que a sua propri¬etária era, em 1698, Dona Teresa Eufrásia de Meneses".

Em 1712 o padre António Carvalho da Costa refere-se já à existência da "Ermida do Bom Jesus dos Mareantes", quando Paço de Arcos teria cerca de centena e meia de habitantes (35 vizinhos), notícia que é confirmada a 10 de Setembro de 1873 no Diário Illustrado, que dá nota da sua reconstrução, referindo que, "reabriu em Paço d'Arcos, a ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, e d'ora em diante haverá ali missa aos domingos e dias santos".

Lá diz também que "no primeiro domingo do mês seguinte celebra-se a festividade de S. Sebastião com grande arraial".

O Diário Illustrado de 24 de Setembro de 1873 descreve, circunstanciadamente, as grandes festividades que empolgam a população e os inúmeros visitantes.

A procissão, levando à frente a recém-adquirida imagem de São Sebastião {de nível artístico inferior ao da que costumava sair da capela dos Condes de Alcáçovas), era seguida pelo andor da Senhora das Ondas, pequena e bela imagem então oferecida à povoação.


"Alguns anjinhos precediam o andor espalhando flores e seguia-os o Sr. Forjaz Júnior, representando o seu pae.

Depois das irmandades da Senhora das Dores, de Laveiras, da Senhora da Atalaia e de Oeiras, levando a bandeira o senhor Silveira, novo secretário da Câmara Municipal, indo debaixo do andor, uma senhora com vestido de penitente. Seguia-se a irmandade do Senhor Jesus dos Navegantes, com o respectivo andor, que era também precedido de anjos e acompanhado pelo patrão Joaquim Lopes.


Levava pela mão seu neto, mimosamente vestido de anjinho.

Acompanhava a procissão a banda marcial dos homens do mar vestidos de branco. Fechava o préstito a irmandade do Santíssimo levando a umbela o filho do conselheiro Lourenço da Luz, indo à sua direita o Sr. Administrador do concelho e em seguida uma banda militar.


Era grande a concorrência do povo. Viam-se nas janelas e varandas famílias a banhos, sobressaindo as varandas dos palacetes dos Srs. Condes das Alcáçovas e ministro da Bélgica, em que se achavam as principais damas e os mais distintos cavalheiros de Paço de Arcos e de Oeiras. EI-Rei o Sr. D. Fernando e o Sr. Infante estiveram nos jardins do Sr. Bessone.


À noite houve brilhante arraial, com iluminação, músicas, fogueiras, queimando-se às onze horas excelente fogo-de-artifício.

Reinou o mais completo socego e apesar de grande numero de carruagens e omnibus crusarem na estrada em que se deu o arraial, notou-se a melhor ordem".


Todas as cerimónias, de carácter vincadamente religioso, evoluíram, a pouco e pouco, aliando à religiosidade, em perfeita conciliação, o aspecto profano.

In "O Echo", de 17 de Agosto de 1900.




Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


AS FESTAS DE PAÇO DE ARCOS 01


Já começaram com grande animação as Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, mantendo uma tradição com mais de cem anos.

Aproveitando esta ocasião, e tendo-nos chegado às mãos uma publicação da CMO, dedicada à história local do concelho de Oeiras, onde são referidas, com algum pormenor, as festas da nossa vila, desde a sua génese até aos nossos dias, considerámos que podíamos aproveitar esta oportunidade para publicar aqui uma série de textos de vários autores, de referência às nossas festividades.

Deixamos, desde já aqui, os nossos agradecimentos aos diversos autores dos textos e que passamos a enumerar:

Câmara Municipal de Oeiras, pela edição da publicação do livro intitulado "III/IV Encontros de História Local do Concelho de Oeiras" (ed. 2000)

A Voz de Paço de Arcos

O Echo

Illustração O Século

Diário de Notícias

COELHO, José, História do CDPA

CAVACO, Carminda, A Costa do Estoril

ARCHER, Maria e Gonta, Branca de, Memórias da Linha de Cascais

CORDEIRO, Raul

Associação Naval de Lisboa

Administração do Porto de Lisboa

SOUSA, João de e S., Ramalho

Lisboa, O Tejo e a Navegação, Câmara Municipal de Lisboa

FONSECA, Quirino da, Os Portugueses no Mar

Tradição Oral

Ilustração Portuguesa

PERES, Alberto e Carrasco, Estevão, Barcos do Tejo



A todos eles o nosso obrigado.

Os textos serão publicados durante esta semana em que decorrem as festas, sendo o último texto publicado no próximo Domingo, dia do encerramento das festividades.



Colaboração do Bardino Vitor Martinez.


16 de agosto de 2010

PAÇO DE ARTES - 7º SALÃO DA VILA

Exposição da Paço de Artes - Associação dos Artistas Plásticos de Paço de Arcos, integrada nas Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, da nossa vila.





Colaboração do Bardino Vitor Martinez.



13 de agosto de 2010

HÁ FOGO!


É UM GRITO DE ALERTA
e SENSIBILIZAÇÃO

O propósito será o de chamar a atenção / sensibilização da POPULAÇÃO para o que acontece no País que ... está a ARDER!!!

Perderam-se vidas Humanas de Bombeiros Voluntários que se disponibilizam VOLUNTARIAMENTE - COM TODO O PESO DO QUE SIGNIFICA esta palavra - para ajudar os CONCIDADÃOS e SEUS respectivos BENS que, nos tempos de hoje, não é suposto ... morrerem numa tarefa que NOS diz respeito a TODOS NÓS enquanto POVO que se auto-designa de EUROPEU, CIIVILIZADO, SOLIDÁRIO, MODERNO.

Os INCENDIÁRIOS e está mais que seguro que se trata de .. BESTAS INCENDIÁRIAS, estão apenas, neste momento, interessados em pinho e eucalipto!

O CENTRO - SUL, com as suas alfarrobeiras, sobreiros, chaparros, ... não são, CERTAMENTE, vantajosos financeiramente para as BESTAS!

Pois, ... não nos pretendam iludir, ... os INCENDIÁRIOS !!!!

O CALOR, OS VIDROS PARTIDOS, AS IGNIÇÕES ... quando nascem ESPONTÂNEAMENTE, são PARA TODOS ... de NORTE A SUL, ESTE a OESTE!!!!

Será POLÍTICO o MOMENTO que estamos SURREALMENTE A VIVER????

A QUEM SERVE a perda de VIDAS HUMANAS ???? ... VIDAS de GLORIOSOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS ????

QUEM SE APROVEITA da VENDA DE EQUIPAMENTOS para as ASSOCIAÇÕES DE BOMBEIROS ????

QUEM ... GANHA ... COM ESTA ... MERDA !!!!??????

VERGONHA DE PAÍS que só tem SENTIMENTOS para as FESTAS, FUTEBÓIS, FADOS e, ... ENTÃO quanto a FÁTIMA?????????? ... Já sei ... Só no dia 13 de MAIO de cada ano!.

OK!!!!! Estamos CONVERSADOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ainda FALAM e ... CRITICAM os diversos GOVERNOS.

Há para aí UMAS BESTAS que deviam SER QUEIMADAS VIVOS NOS FOGOS QUE PRODUZEM.

Os Governos, bons ou maus, pelo crivo de muitos, serão sempre piores que ESTAS BESTAS INCENDIÁRIAS.

QUE MAIS HAVEREMOS DE FAZER ... PELOS PORTUGUESES que COMPREENDEM e SE SOLIDARIZAM e GRITAM CONTRA ESTAS ... ENORMES BESTAS INCENDIÁRIAS !!!!!????




Aqui fica o link da página oficial da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos:





Colaboração do Bardino Carlos André.


7 de agosto de 2010

JANTAR MENSAL


No passado dia 22 de Julho realizou-se o jantar/assembleia mensal do nosso grupo, que, como já vendo sendo habitual, teve algumas faltas. Umas justificáveis, outras, se calhar, nem tanto!!!


Assim o bardino Sampaio mais uma vez não pôde estar presente por se encontrar a "tanto mar, tanto mar"!!! O bardino Castro também primou pela ausência porque.... se esqueceu!!! O bardino Carlos André teve motivos inadiáveis, assim como o Mandante José Manuel Rodrigues, que delegou a condução dos trabalhos no bardino "Nicha".

O repasto teve lugar no Restaurante "A Caçoila", já em Oeiras, mas mesmo, mesmo na fronteira, de modo que podemos considerar que estivemos ainda na nossa vila.

Fomos muito bem servidos, com excelentes entradas, com bons pratos, incluindo uns excelentes "Lagartos à Alentejana" que fizeram as delícias e encheram a barriga do bardino Vitor Pestana, uma boa pinga e boas sobremesas.

Mas se as conversas foram muitas já as conclusões e as iniciativas para a contribuição da resolução de algumas situações não foram tão evidentes assim esperando que a intervenção deste grupo possa, de futuro, ser mais incisiva e participada.

Do jantar aqui ficam, como já é costume, algumas fotos que ilustram aquilo que por lá se passou.


O local do repasto


Aspecto do grupo.


A BARDINAGEM











O início da refrega.


Aqui ainda se estava na expectativa!!


Por aqui também!!!


O escanção Rafael.


Uma sopinha alentejana com ovo escalfado
para o bardino Nicha, a pedido do mesmo.


E tudo o Nicha levou...


Hum... tava uma delícia!!!


"Agora é que eu vou começar a jantar!!!"
(citação de Vitor Pestana)


"Lagartos" para um lagarto!!!


Xii, chega pra lá!!! Estes "Lagartos"
são só pra mim!!!



E o Beleneneses, blá, blá, blá....


Por aqui a conversa do Tormenta deveria ser
muito interessantes!!!


Um brinde à Bardinagem!!!


Ok, Vitor Almeida!!!






Colaboração do Bardino Vitor Martinez.