10 de agosto de 2008

PAÇO DE ARCOS HOJE






A propósito desta e de outras notícias que surgiram sobre o futuro do Palácio dos Arcos, abrimos hoje aqui um espaço de debate de ideias sobre este assunto, que se no afigura de muito interesse e que, ou muito nos enganamos ou ainda vai fazer correr muita tinta.

Abrimos este espaço de discussão e debate, que se quer saudável e elevado, com um texto do bardino Fernando Sampaio. Esperemos que outros por aqui apareçam e que por aqui deixem as suas ideias, pois este foi um dos motivos que nos levou a “fundar” este blogue: criar um espaço de discussão e debate sobre assuntos de especial interesse e relevância para a nossa vila, a vila de Paço de Arcos.

“Como já referi no nosso último jantar, o meu conhecimento sobre a possível utilização do Palácio é muito escasso, por isso a minha opinião é mais ditada pelo coração do que pela razão. Á primeira vista custa-me a compreender que o ex-líbris da nossa vila, que inclusive encerra em si o nome da própria vila, seja desviado para fins que têm pouco a ver com o usufruto e deleite da população. Argumentará a Câmara que não dispõe das verbas minimamente necessárias para a recuperação e manutenção das instalações e jardins envolventes, e até mesmo terá dificuldade em desenvolver um conjunto de actividades de interesse público adequadas ao espaço em causa. Claro que é tudo uma questão de prioridades, a edilidade não terá possibilidade de ir a “todas”, antes terá de encontrar um ponto de equilíbrio que a saúde financeira lhe permita. Mas então, porque não pensar em grande? A C.M.O. ainda há pouco tempo foi candidata a ser palco da construção da Cidade Judiciária do nosso país; a ideia não foi para a frente mas esteve quase. Porque não desenvolver os contactos convenientes a nível ministerial, governamental e empresas privadas e começar a substituir os elefantes brancos que pululam na nossa vila por empreendimentos de grande porte?
A saber:
Instituto de Socorros a Náufragos – De grande utilidade até meados dos anos cinquenta do século XX viu a sua importância diminuir de forma drástica, chegando a permitir o aparecimento de meios de salvamento alternativos que, inclusive, também não estão actualmente em grande actividade.
Direcção Geral de Faróis – Tendo desaparecido a sua principal razão de ser (alimentação e manutenção dos faróis da nossa costa), parece estar confinada a manter em actividade sectores administrativos e oficinais da Marinha. Talvez fosse um bom local para albergar o Instituto de Socorros a Náufragos; tem tudo o que é necessário, rampa, porto de abrigo, doca, e são da mesma família.
Antiga Escola Militar de Electromecânica – Grande esplendor nos passados anos cinquenta e sessenta, recebeu os primeiros “parafusos” que a vila viria a acolher no seu seio, constituindo famílias assentes de pedra e cal em Paço de Arcos, tem hoje um aproveitamento muito aquém da sua enorme área geográfica, dos equipamentos e alojamentos que dispõe. Até em matéria de residências se nota um quase total abandono na sua utilização (uma das mais visíveis foi durante bastante tempo residência do pai do nosso bardino fundador, o saudoso capitão Pereira Júnior).
Por último, pelo menos nesta lista, gostava de referir aquela que na minha visão pequenina das coisas, seria a melhor alternativa para aquilo que querem fazer no Palácio dos Arcos:
O Forte da Legião - Penso que será difícil encontrar melhor área, melhor vista de mar, melhor localização. É evidente que estaria em causa a protecção e realojamento dos seus actuais moradores (tanto quanto julgo saber, ainda retornados e seus descendentes das ex-colónias), mas os milhões que tal iniciativa iria movimentar, daria sobejamente para todas essas necessidades, e ainda sobraria qualquer coisinha para recuperar e aprimorar o Palácio dos Arcos.”

Fernando Sampaio

2 comentários:

Rui Freitas disse...

Caros Bardinos,
É sempre com gosto que "passo por cá" e, pela segunda vez, atrevo-me a deixar um comentário, tanto mais que o tema é de fulcral discussão: o Palácio dos Arcos (e o seu futuro)!
Em local próprio (Assembleia de Freguesia), fui o primeiro e, por três vezes, quase o único a preocupar-me com o futuro incerto do "ex-librs" da nossa Freguesia. Nas segunda e terceira sessões, outros se me juntaram. Ainda bem!
Partilho da opinião que é difícil à Edilidade oeirense "chegar a todas" e, sobretudo, que entre o "deixar cair" e o recuperar, prefiro a segunda opção. Só que não a todo o custo! Lembro igualmente que a mesma Edilidade tem recuperado outro Património, quiçá menos importante... atrevo-me a dizer, como são os casos dos palácios Anjos, Ribamar e do Egiotp, entre outros. Quando se quer mesmo, tudo é possível.
O que me chocou em tudo isto desde o início, foi o aparente "secretismo" em que tudo foi envolto... Todos falavam e poucos ou quase nenhuns sabiam qualquer coisa de palpável. "Falava-se" em 70 quartos e, afinal, serão "só" 90 (proposta das Pousadas de Portugal)... "Falava-se" numa concessão a 99 anos e, afinal, serão apenas 50...
A própria notícia aqui publicada, refere os 99 anos, os quatro candidatos e o que o grupo Vila Galé pretende fazer.
Será que conhecem bem o interior do Palácio dos Arcos? Restaurante, Bar, recepção e cinco suites, além da biblioteca e sala destinada ao espólio do Sr. Conde de Arrochela, como está vertido no seu testamento. Onde o conseguem "enfiar" todo? Conhecem o volumoso espólio? Acho que não!
Por outro lado, se 70 quartos já me "assustavam", que dizer dos previstos 90? Sim, porque eu e os demais membros da Assembleia de Freguesia ouvimos o presidente da dita e um seu camarada "escorregaram" com a designação das Pousadas de Portugal como quem tem a certeza daquilo que fala...
Onde irão meter os 90 quartos? Junto à linha férrea, dizem... Mas esta notícia fala-nos de mais uma ala com dois pisos!
Para não me alongar, apenas vos digo que não ficarei descansado, enquanto não me explicarem tudo bem explicadinho... como se ey fosse louro!

OS BARDINOS disse...

Alguns de nós, dentro do grupo dos Bardinos, também temos concerteza,algumas ideias sobre este assunto.

Gostaria de desafiar aqui alguns de nós a deixar-mos aqui aquilo que pensamos sobre esta situação tão importante para a nossa vila.

Vitor Martinez