15 de janeiro de 2011

BALANÇO DO ANO DE 2010


É regra costumeira, mais ou menos assumida, no final de cada ano fazer uma curta retrospectiva do que mais relevante afectou, quer positivamente, quer negativamente a vida, as actividades individuais ou colectivas.

Tentámos fazer esse exercício, no que diz respeito a Paço de Arcos, e não gostámos do resultado.

Passando em revista as diversas publicações autárquicas e regionais, ao longo do ano, resulta num total“disgusting” 0. Paço de Arcos navega á vista, como quem diz vê népia.

A situação dos diversos edifícios a exigirem resposta na zona histórica permaneceu inalterável.


1. O antigo Quartel dos Bombeiros continua sem acordo/solução.


2. O tal terminal de camionagem, permanece fechado, sem saída (ainda que hipotética).


3. O “Armazém do Pernas” mantém a sua vasta produção de ratos, baratas e quejandos, sem alternativas.


4. O “Edifício do Prof. Coelho”, em constante e acelerada degradação, mantém-se firmemente à espera duma derrocada de consequências imprevisíveis.


5. O “Palácio do Batata Frita” continua (esboroando-se sem préstimo) imponente, olhando o declínio do jardim fronteiro, outrora garboso “ex-libris” de Paço de Arcos.


6. Junto ao Palácio dos Arcos, para o qual já foi anunciada solução (a ‘ber bamos’, ‘gato escaldado de água fria tem medo’), o “Edifício do Campos Pereira” também espera (e desespera) um qualquer plano que o salve da inevitável derrocada.


Vem a propósito relembrar duas das grandes ambições Paçoarquenses, ou seja os Museus José de Castro e do CDPA/Hóquei em Patins. Se um tem solução anunciada (outra vez?) o outro ... népia. Não que os responsáveis, a propósito do desaparecimento do já saudoso Correia dos Santos, não tenham tecido loas. Só que precisamos de actos, palavras leva-as o vento.


As perdas, foram ‘a besta negra’ desta nossa terra neste ano da (des)graça de 2010.

Desapareceram do nosso convívio nada menos 3 das mais marcantes figuras do hóquei patinado de Paço de Arcos.

Armando Vilaverde,
José Correia dos Santos,
Francisco Estêvão (Xico Arolha)

Os dois primeiros, atletas de condição única, o outro, um ‘fazedor’ de atletas como não há memória, pelas condições, pela dedicação e pelos resultados conseguidos.


Também nos deixou, mais pobres e entristecidos o ‘ausência’ do Paulo Brás, figura exemplar na amizade, no envolvimento social, e na postura inigualável. O verdadeiro Paçoarquense.


Uma outra perda, não Paçoarquense, mas amigo confesso que muito vibrou e entusiasmou outros, com os nossos êxitos desportivos, e por isso nos merece respeito e carinho, foi a de Aurélio Márcio, homem e jornalista vertical como já haverá poucos.


Cabe aqui referir, por imperativo moral, que, como se não bastasse, os gestores (???) do CDPA protagonizaram uma situação que resultou no afastamento do Jaime Santos, sucessor do Xico Arolha, com não menores resultados.

Em sentido contrário, há a notar a extensa realização de eventos, os habituais e umas quantas novidades.


1. A nossa primeira referência vai para "A Ermida – Associação Cultural", que protagonizou no início do ano concertos de música coral e instrumental na Capela do Senhor Jesus dos Navegantes.


2. Já na primavera decorreu um ‘corso’ de velhos automóveis que estiveram em mostra no Jardim. Lindo!


3. Na mesma época tivemos um magnífico desfile de cavalos, cavaleiros, ‘charretes’ e carroças em resultado da Festa do Cavalo.


4. A Bienal de Artes Plásticas, evento maior - Ass. Paço de Artes.


5. Exposição de Artes Decorativas.


6. Feira do Livro e do Artesanato.


7. As Festas em honra do Senhor Jesus dos Navegantes (sem o brilho de outrora; mais feira de “comes e bebes” e “bric’s à brac’s”).


8. O 7º Salão da Vila - Pintura, Escultura e Fotografia - Ass. Paço de Artes.


9. Concerto do José Cid.


10. A 100ª Tertúlia do Clube dos Poetas de Paço de Arcos.


11. Mostra Gastronómica em sessão razoável nas ‘premissas’ do Palácio dos Arcos.


12. Uma Feira/Exposição de automóveis usados que para além de ocuparem toda a área do (já de si maltratado) jardim, impediram o usufruto do espaço e para os fins óbvios, pelos ‘fregueses’ e (pior ainda) crianças que já tão pouco usufruem, pelo ‘descuidado’ dos responsáveis.

Outros eventos terão merecido as atenções populares, que nos poderão ter escapado. A nossa (eventual) penitência.

Porém (todavia, contudo), este balanço não pode ignorar algumas outras questões mal resolvidas (ou não resolvidas), como:


1. A circulação automóvel no ‘nó’ Pingo Doce/Igreja/Estação de Comboios/antigo Quartel de Bombeiros.


2. Estacionamentos junto à praia/terrenos adjacentes/Bairro Comendador Joaquim Matias.


3. Um outro apontamento para os adornos natalícios, que, lamentavelmente, continuam a privilegiar exclusivamente o troço empedrado da Rua Costa Pinto, e as palmeiras à beira da Avenida Marginal.

Julgamos saber, um(s) passarinho(s) segredaram-me, que verbas importantes deixaram de constituir contributo para o orçamento, como, por exemplo, as percentagens devidas da publicidade estática, dos parqueamentos, ou dos derramas e outros.

Compreendemos as dificuldades acrescidas; mas talvez pudesse ter sido exercida uma maior pressão junto dos responsáveis autárquicos. Teria o nosso apoio.

Em conclusão, 2010 não foi um bom ano. Tinha que ser melhor.

Pedimos / sugerimos / recomendamos que para, ainda que com as mesmas dificuldades, possa a Junta melhorar o seu desempenho, agende uma manhã/tarde semanal, para percorrer (a pé) um qualquer troço do perímetro da Vila (não deixando nada de fora), a fim de constatar “in loco” condições más de simples resolução, que muito contribuirão para um maior agrado dos ‘fregueses’, aproveitando, naturalmente, para trocar “pareceres” com os alegres (?) transeuntes.



Não poderíamos terminar este nosso balanço, sem realçar o, simplesmente extraordinário desempenho da (nossa) ministra Paçoarquense, que em tempos de extrema crise político/financeira, de dificuldades quase insuperáveis na dicotomia “patrão/empregado”, soube manter um equilíbrio notável, conseguindo, quiçá, ser o ministério menos visível e contestável, nesta conjuntura.

Soube como ninguém antes neste País, pôr associações patronais e de trabalhadores, em acordo (o possível), sem contracturas, ou fricções perigosas.


Maria Helena André, estamos orgulhosos de ti. T’osculamos-te.



PS – Há ‘fregueses’, com incontestável mérito a viver HOJE, paredes meias connosco, que vão passando ignorados. A JFPA está desatenta. Nós vamos tentar ‘pescar’ alguns. Ouvirão falar.




Colaboração do Bardino Fernando Reigosa.


4 comentários:

Anónimo disse...

Estimados Amigos,
Bardinos

Simplesmente notável a "resenha Histórica" sobre o ano que se findou e nos deixa novas peças documentais para um futuro próximo!

Porque entendo ser de justiça, não posso deixar de acrescentar o lamento pelo "desaparecimento de cena" do NOSSO AMIGO Jorge Rocha - Fé. Figura nada, criada e vivida em Paço de Arcos. Dedicou-se, durante alguns anos, a contribuir em benefício da Freguesia como Autarca Eleito na Assembleia de Freguesia de Paço de Arcos. Tinha perfil de ... Bardino!

Também, não posso deixar de "acrescentar" aos aspectos menos bons da NOSSA TERRA, o SATUO!!!
Considero que ainda poderá vir a ser "olhado" como ... imprescindível no quotidiano da população do Concelho. Até lá ... que passe a funcionar desde que transporte ... clientes!

Abraço fraterno do
Carlos André

Fuzo de agua doce disse...

Pois é Amigo Reigosa, os males que apoquentam esta Terra que há muito também considero minha,propagou-se àquela onde habito há mais de um quarto de século, Porto Salvo, não sei se as outras Freguesias se queixarão dos mesmos males, mas cada um falará por si, e este abandono, a que votaram estas Terras é incompreensivel, ainda ontem e também hoje, escrevi no meu blog, (e fazendo os impossiveis para ter algum optimismo), não sou capaz.
O meu lamento por todos os que nos deixaram no ano que passou, a todos conheci e de alguns fui Amigo, como é o caso do Jorge que o Carlos André refere no seu comentário.
Um abraço
Virgilio Miranda

Fernando Reigosa disse...

Companheiro Carlos André,

penitencio-me pelo esquecimento "dramático", autêntica 'branca', que me levou a esquecer o inesquecível Fé.

A ti Fé, a todos os reais Paçoarquenses, peço desculpa por esta omissão.

A bem da verdade 'Bardínica'

Paçoarquense disse...

Prezados Bardinos,

falta acrescentar à "pequena" lista do que falta fazer em Paço de Arcos, o "caixote de betão" dos Poetas (essa ode à beleza), as casas degradadas da Rua Fonte de Maio e da Terrugem Velha,falta dar uma "mãozinha" no Jota Pimenta(outra ode à beleza) e, já agora,um "jeitinho" na ribeira, que está um desmazelo completo.