Após a conquista da “Taça Lusitânia”, no Torneio da Páscoa em Montreux, a nossa delegação foi informada que Alberto Moreira, Fernando Adrião, Francisco Velasco e Amadeu Bouçós, tinham sido convocados para integrar o lote de jogadores da Selecção Nacional, em trabalhos com vista ao Mundial que se realizaria no Porto.
Sempre que estávamos em Lisboa, nossa segunda casa, instalávamo-nos no Hotel Miraparque, convenientemente fronteiro ao Pavilhão de Desportos onde se efectuavam os treinos. Todavia, como eu estava cansado do ambiente de hotéis, de turistas e comerciantes, decidi mudar de ares. Assim, arrumei os meus haveres e peguei um táxi, dando-lhe instruções para que seguisse pela marginal. Para onde? – Questionava ele e eu respondia-lhe: Vá andando…
Momentos depois, dei subitamente com um sinal de tráfico que apontava para “Paço de Arcos” – Siga por aí! – Gritei-lhe, entusiasmado. Aquela era a terra do Emídio Pinto, do Jesus Correia e do Correia dos Santos, grandes ícones da minha juventude. Com uma guinada o motorista fez o desvio e entramos lentamente na Vila até que o mandei parar, mal li numa fachada o nome “Pensão Moreira”. Um edifício antigo, com uma entrada estreita e o desafio imediato de trinta degraus em linha recta até ao piso superior.
Instalado numa suite enorme com vista para o mar, sempre mais barata que os quartos dos hotéis, informei a Federação do meu novo endereço e deixei mensagens aos meus colegas para que não pensassem que tinha sido raptado. Depois das arrumações, desci, escolhendo uma direcção e fui andando até dar com a Esplanada dos Cacetes, ponto de encontro dos locais. Sentei-me para uma bica, e pouco tempo depois estava rodeado por pessoas anónimas que tinham acabado por me reconhecer. Foi com emoção que retribui as manifestações de carinho com que me prodigalizaram. As notícias voam céleres e minutos depois estava abraçado ao Virgílio que possuía um talho mesmo defronte da Pensão.

Cumprimos os treinos em Lisboa e partimos para o Norte, para o estágio que teve lugar na Estalagem do Lidador, na Maia, sob a inesquecível liderança de Emídio Pinto, auxiliado pelo treinador António Henriques e que deram origem à Grande Família que se formou e se solidificou de forma tranquila e em franca camaradagem.

Tenho novamente de render a minha homenagem ao Seleccionador Nacional Emídio Pinto, esse grande leader que duma forma notável deixou de lado a tabuleta do cargo e passou a ser um de nós. Brincalhão, como todos os outros, incluindo o impagável António Henriques, seu treinador adjunto, dirigiu o barco sem ser visto a comandar mas rumando sempre na direcção que deve ser o objectivo primordial de qualquer seleccionador ou treinador: Criar o espírito de Grupo.
(Texto publicado no Blog Fernando Velasco)

Colaboração do Bardino Vitor Martinez.
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